Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


CIM-RC-José_Carlos_Alexandrino_CMOliveira_Hospita

Alguém define José Carlos Alexandrino, o Presidente do Município de Oliveira do Hospital, como um tribuno e um exímio orador?

Alguém pensa que José Carlos Alexandrino, o agora presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM), chegou ao lugar por ser um animal político e sábio andante pelas “conversas de corredor”?

Talvez não haja, tão fortes são as evidências contrárias. Alexandrino bastas vezes tropeça nas palavras, as ideias atropelam-se e o caminho discursivo tem sempre curvas e cruzamentos. Alexandrino não é um carreirista político. Muitas vezes é demasiado emocional para o tacticismo político, falta-lhe escola. Aliás, não tem nada de jota nem jotinha, nos seus tempos de juventude na Cordinha.

Alexandrino chegou à vida autárquica sem passado político, ganhou eleições, conquistou maiorias eleitorais históricas e quiçá irrepetíveis, esmagou e “fez desaparecer” a oposição. Aprendeu a arte da política e da sobrevivência às adversidades, de forma célere e brilhante.

O “modus operandi” foi sempre o mesmo: uma proximidade absoluta e permanente com as pessoas - Alexandrino foi, muito antes de Marcelo, o presidente dos afetos e das fotografias; uma capacidade única de relacionamento com os seus pares; uma equipa coesa e duradoura; uma disponibilidade total; e uma autenticidade inimitável.

Nem o facto de ter chegado ao poder autárquico quando não havia dinheiro para nada, nem o facto de o concelho de Oliveira do Hospital ter sido devorado pelo fogo, no início do último mandato, foi impeditivo para o professor em pousio ter as pessoas consigo e para os seus pares lhe fazerem a vénia com a presidência da CIM – chapeau

Este Homem, a quem podemos chamar “O Marcelo das Beiras”, faz da autenticidade a sua imagem de marca e os autênticos, mais cedo ou mais tarde, são felizes.

Importa agora que José Carlos Alexandrino se mantenha em igual registo e que não se deixe cegar por tanto poder e ou não se deixe levar por um algum trapezismo político, devendo cumprir o seu mandato de Presidente do Município de Oliveira do Hospital até ao fim, de direito e de facto. E “aCIM” está bem.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Maio 2019)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:44

festa.jpg

- Não sei se concordas comigo, mas esta festa, para mim, é uma prova de vida! 

Quem começa assim a conversa comigo é o António (nome fictício), num encontro não combinado num café da cidade, com pouca gente nas mesas ao lado.

- Eu gosto da festa do queijo. Boa ideia chamar-lhe festa. Há comida e bebida com fartura. No ano passado passei os dois dias a comer e a beber. Nem vi as gajas da televisão. Cheguei a casa a rir...dei uma beijoca à mulher, mas ela...vai dormir, vai dormir!...

Sabes, isto parece que está tudo cada vez pior. Mesmo queijo há pouco. Mas é barato. Não há ovelhas. Não há quem tome conta delas. Mas quem é que quer ser pastor?

Isto, depois de ter ardido, foi uma merda. Ainda me assustei. Aquilo foi o diabo. Por isso é que gosto tanto desta festa. Parece que estamos a fazer o manguito ao fogo: Toma! Embrulha! Ainda cá estamos!

Ah! Há outra coisa que eu gosto. Isto fica cheio de gente. Oh pá, até custa andar no centro da cidade. Há gente e carros por todo o lado. É uma festarola. Parece que até fico mais novo. Um gajo recorda muita coisa, sabes.

Estavas cá no ano passado? Há dois ou três anos vi-te na televisão...estavas, estavas! Eu vi-te, na rádio. Ai, isso foi de tarde. Antes vi-te no grande almoço, na tenda, numa mesa ao lado da mesa do Marcelo. Gosto do Homem. E tu? Na festa, por onde ele anda, é a loucura. Mas ainda não tenho uma fotografia com ele. Pode ser que seja este ano. Ele vem cá? Tenho que pedir ao Alexandrino. Também gosto dele, fala com toda a gente e também anda por todo lado. Teve azar com o caraças do fogo.

Eu gosto de ver cá tanta gente. Chateia-me ver isto vazio. Há dias que parece um deserto. É porreiro ver tanta gente de tanto sítio.

Estás cá este ano? Este ano vai ser melhor do que no ano passado. Temos que ir beber um copo, os dois.

No ano passado estávamos todos f......! Isto ainda estava preto, ainda cheirava ao fogo. O pessoal andava de cabeça baixa, triste. Morreu muita gente, pá. E muitos perderam tudo. Olha eu bebi e comi para esquecer! Sabes como é, um gajo tem que arribar.

Agora, já passou mais de um ano, a coisa já está mais verde, alguns já voltaram a ter casa. Vai ser uma festa. Tem que ser. É preciso.

 

( - ...estás a fazer muitas perguntas! Vais escrever o que te estou a dizer?-

- vou.

- Oh pá, tu vê lá. Não digas o meu nome. Mas vais escrever mesmo?)

 

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 12 de Março 2019)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

mazeite.jpg

O museu do azeite é uma Obra.

A visita foi breve, mas deu para ver que o museu é muito mais que a evocação do caminho estreito da azeitona para transpirar azeite.

O museu do azeite é uma ode de arquitetura, uma vénia ao passado com o toque digital do presente, um espaço bem desenhado e bem inserido na natureza do local, um conteúdo de conhecimento que ali assegura que chegará ao futuro.

O museu chega até a ter graça: a célebre, tradicional e rústica definição de desconhecimento - “sei tanto disto como de lagares de azeite” - deixa de ser o que era, depois de uma visita ao muito Saber que ali se mostra. Ou como o azeite pode juntar no topo “outra” verdade: “sei tanto disto como de lagares de azeite” é saber mesmo...depois de ter ido ao museu!

A Bobadela, Oliveira do Hospital, a Região e o País podem ter ali um verdadeiro ícone de ovos de ouro, assim o poder Público saiba potenciar a coragem, o mérito, a visão e o bom gosto de um investidor Privado.

O Público e o Privado raramente se abraçam com facilidade. Há exemplos desta “dificuldade” em muitos locais e no local de Oliveira do Hospital também.

Estranha-se, por exemplo, que o museu ainda não tenha sido objeto da justificada e necessária sinalética.

Três turistas espanholas, com quem falei junto ao arco romano, desconheciam em absoluto o que, dali a nada, estaria à vista - o Museu do Azeite. E dali mais abaixo, um popular lamentou-se comigo sobre a falta de informação: uma tristeza, desabafou.

Em devido contexto, o Museu do Azeite pode ser para Oliveira do Hospital e para a região centro-Interior, o que o Museu de Serralves foi e é para o Porto e para a região norte - um polo de atração, um traço de identidade, uma casa distinta de cultura.

Veremos se, desta vez, o Interior é capaz disto.

Veremos se quem está no Poder no Interior, visita o museu, e fica a saber tanto de lagares de azeite que sabe tratar disto; ou sabem tanto disto como de lagares de azeite e o museu nunca será mais do que um museu!

A resposta não demorará a vir ao de cima, como o azeite.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 25 de Janeiro de 2019)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:30

Morte Shopping!

18.12.18

image1.jpeg

É de Oliveira do Hospital? Não? Então não leia, por favor.

Este texto é só para si, para mim, para nós que somos da cidade do Cavaleiro.

A tristeza que muito alimenta a poesia, aqui vai ter que ser escrita em prosa grossa.

Numa visita relâmpago à cidade e após um almoço ainda mais veloz, fui tomar café à outra parte da frente, que sempre parece ser a parte de traz, do shopping center areias.

Não ia ali há anos. Decidi entrar para ver como estava o shopping.

Foi um choque frontal, brutal. Ultrapassado, gasto, envelhecido, descuidado, (quase) vazio, sujo.

Desolador.

O shopping fugiu dali. Recordei lojas que ficaram na memória da minha vida: a Top Sport do meu amigo e já falecido António Mendonça; a Udisco do meu amigo Luís Moreira. E outras…

O Shopping era a cereja que suportava o bolo que era o prédio areias, onde fui muitas vezes feliz. Foi ali que a Rádio Boa Nova começou e comecei ali com ela, até hoje; foi ali que dei os primeiros passos para entrar no mundo da gestão das empresas, até hoje; era ali que o meu amigo e também já falecido Neca Areias, abria a porta do último andar para me dizer que sim a mais um contrato de publicidade para a Rádio; talvez tenha sido ali que alguém, com o topo sob os pés, teve a ideia dos drones, tal a vista, tal a ilusão que nos fazia voar a imaginação e o prazer de ver por cima e até lá longe.

O Shopping Areias já não existe. Já nem resiste. É um espaço triste. 

No coração da cidade, ao lado do Café Portugal e da Câmara Municipal?! Como foi possível, como é possível?

Talvez o espaço já não seja espaço para o negócio. Talvez já não haja negócio para o espaço. Talvez seja preciso fazer obras, pensar o espaço, dar outro uso ao espaço…ou fechar o espaço!

A localização é demasiado boa e demasiado importante para a cidade: se “aquilo” não pode sair dali, não pode estar assim. “Aquilo” precisa de ser outra coisa: nem com sorte se livra da morte, o shopping. 

O Shopping areias não é caso único. É um caso evidente de um dos grandes dilemas do interior - o nada não gera dinheiro, sem dinheiro só fica o nada.

E não adianta nada apontar o dedo “ao dono”. Não há negócio, não há investimento.

Aqui está um caso que o poder público não pode ignorar. Pode e deve cuidar. 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 7 de Dezembro 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:03

Conhecimento

26.11.18

read-512.png

Há dias que nos encostam à parede.

A pergunta é sempre a mesma e chega sempre em veículo provocador e mais ou menos agressivo: vá, diz lá, como é que “resolvias” o problema do Interior?

Digo sempre a resposta com o mesmo conteúdo.

Nunca digo estradas, emprego, estado ou qualquer coisa que tal, tal como investimento. Sempre digo...Conhecimento!

Isto não é filosofia, nem uma lufada de sofisticada contemporaneidade.

Isto é a realidade, a actualidade.

Responder Conhecimento serve para tudo e (não) serve para nada. Conhecimento é o tudo demasiado próximo de dar o passo em frente no abismo do nada – mas é por aqui.

Tal como é nada dizer que a internet liga o mundo todo ao Conhecimento. A internet ajuda, facilita mas não resolve e assusta, como se notou na recente festa da Web Summit em Lisboa.

O Interior só vai conseguir reestruturar-se, mudar-se, ajustar-se, transformar-se e manter, prender e absorver pessoas, se ensinar, partilhar e desenvolver Conhecimento.

É muito difícil ir por dentro desta necessidade, de quem deseja um Interior com futuro, numa impressão num canto de uma folha de jornal.

Chegar ao Conhecimento não é fácil, é complexo, dá trabalho, é duro.

Se assim é, importa também ser duro na dimensão curta da mensagem: o Interior precisa de uma militância fascista pelo Conhecimento. Assim mesmo. O Interior precisa que cada um dos seus partidários, seja um exemplar de Bolsonaro-em-bom, no respeito pela Bíblia e pela Constituição do Conhecimento.

Ao usar a palavra “exemplar”, surge a sugestão de olhar para Oliveira do Hospital como um exemplar que, em pouco mais de vinte anos, foi palco de criação e desenvolvimento de instituições de Conhecimento como a Eptoliva, a ESTGOH e a BLC3 – sim, é por aqui, é por aqui o futuro!

Esta Visão é de tal modo séria, importante e decisiva, que nenhum de Nós tem o direito de não estar disponível, não contribuir, não ser solidário e honesto para com uma causa comum, que vai para além do que cada um de nós particularmente ambiciona ou deseja, no curto prazo que é o tempo da nossa passagem.

Se o Interior conseguir captar Conhecimento, acreditem que vai chegar dinheiro e não vai faltar estrada para cá chegar. E vai saber bem ficar.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 13 de Novembro 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:45

Sem Ajuste!

30.10.18

JCA.jpg

Para ser claro, importa ser breve.

A linguagem que utilizamos é bem conhecida do visado. Sim, Ele sabe bem que a melhor defesa é o ataque.

Não é que Ele precise de defesa ou que mereça ser atacado. Mas exerce um cargo político e o exercício implica muitas vezes lidar com a incerteza dos resultados e da avaliação dos mesmos, por aqueles que Ele chama “o meu povo”.

Vamos então por aí. Primeiro o ataque que é para ser melhor a defesa.

Ele podia ter recusado falar com a jornalista da TVI. Recusava. Não se expunha.

Ele podia ter descarregado toda a responsabilidade na Ana Abrunhosa, a Presidente da ccdrc, e apresentava-se como mais uma vítima da desgraça, qual Presidente desgraçado.

Ele podia ter lido os sinais do momento e não condecorava a Senhora Professora no feriado de 7 de Outubro, como se a outra Ana  lhe tivesse filmado o estado do sitio em estado de sítio.

Poder podia, mas não era a mesma pessoa.

Poder podia, mas se fosse assim talvez não tivesse somado sempre mais votos na eleição seguinte, e de forma esmagadora.

Sim, já estamos a iniciar a defesa.

O que é melhor? 1- um Presidente taticista, cata-vento, sem coluna, escondido, não solidário e atleta do perfeito conveniente e do disponível quando-dá-jeito; 2- ou o Presidente autêntico, humano imperfeito, vertical, amigo-do-seu-amigo, voluntarioso, assumido, emocional e presente?

Eu não tenho qualquer tipo de dúvida nesta matéria: o meu 1 é o 2!

E o 2 é Ele, José Carlos Alexandrino, Presidente do Município de Oliveira do Hospital. 

É sempre preferível um Homem “sem ajuste-direto” do que um “direto-ajustado”.

 

Vitor Neves


ps: - para registo: por circunstâncias da vida, não falo com José Carlos Alexandrino há meses, mas conheço-o há anos. Muitos.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 18 de Outubro de 2018)

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:43

GV.jpg

Sabe onde é Gavinhos de Cima?

É um bairro, desenhado em formato de anexo, da cidade de Oliveira do Hospital.

Foi ali que fui criança.

Os anos foram esvaziando Gavinhos de Cima de habitantes.

Uns foram para muito longe, outros para longe, outros para perto: foram muitos os que foram. Ficaram muitas casas vazias, muitas ruas quase sempre desertas, muitos terrenos em pousio eterno da agricultura de subsistência.

Gavinhos de Cima foi perdendo juventude, energia, vitalidade, orgulho e capacidade de sonhar. É muito difícil as pessoas sonharem, quando a linha do fim, marcada pela idade, começa a anunciar que falta pouco tempo.  Até os Grandiosos Festejos, em Honra da Nossa Senhora da Graça foram cada vez ficando menos grandiosos.

A grande festa que se fazia em redor da Capela da Santa, onde se chegava atravessando ruas limpas, iluminadas, floridas e ao som da música da aparelhagem sonora; a grande festa do frango assado, do caldo verde, do tinto, da gasosa e da mini gelada; a grande festa dos conjuntos musicais, do “dancing” cheio que nem um ovo e dos arraiais; a grande festa da banda filarmónica, dos andores e da procissão, do leilão da quermesse, das provas de atletismo, da malha e da corrida de púcaros; a grande festa do calor de Agosto, dos foguetes das alvoradas e dos bidons de gelo, dos grandes almoços das famílias, com emigrantes e outros visitantes e o músico convidado; a grande festa de duas noites longas, onde podia acontecer tudo, até pancadaria, que graças à Senhora da Graça acabava sempre nas traseiras da Capela, no bar!

Por estes dias, sobrava festa, faltava gente. Este ano não houve festa.

O vazio deste Agosto, em redor da capela da Nossa Senhora da Graça, é a imagem cheia da desgraça do Interior: falta gente. Falta gente e falta gente nova, como se dizia nos tempos dos Grandiosos Festejos.

Sim, os tempos mudaram. Agora já ninguém ambiciona o prestígio e a bondade social de ser mordomo. Agora ninguém tem tempo, tanta é a gente que exibe a gosto o tempo que gasta a dizer que não tem tempo. E com cada vez menos pessoas e com cada vez mais pessoas no fim do tempo, não há tempo para nada, nem para festas.

- Uma desgraça, Senhora da Graça!

Assalta-me, neste instante em que escrevo, a memória da novena e do eco da voz da Menina Judite que, ajoelhada, proclamava:

- Nossa Senhora da Graça, Rogai por Nós.

E nós, os miúdos, cá atrás, entre risinhos e beliscões, respondíamos:

- Rogai por Nós.

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 12 de Setembro de 2018; fotografia: A. Alexandre Neves)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:05

sliderenasce.jpg

Temos a oportunidade.

A desgraça foi tão grande que, para se continuar a viver, temos que Renascer.

É uma oportunidade. É a oportunidade.

Renascer não é querer que tudo volte ao que era. Se assim for, isto volta a arder outra vez. Mais uma vez. Agora já não importa o que falhou! Imperativo é que não volte a falhar.

Renascer é reconstruir, renovar, remodelar, reinventar.

Temos que nos apaixonar por isto. Temos que nos apaixonar por este Renascer. Tem que ser. Renascer bem, Renascer melhor. Renascer com paixão. Tem que ser.

Apaixonados, vamos nascer com gosto e vencer o desgosto.

Apaixonados, vamos ser solidários em vez de ser caridosos, vamos ser determinados sem amuos, vamos ser focados no olhar em frente e não para os pés, vamos ser cuidadosos e ponderados em vez de ser desnorteados.

Apaixonados, vamos Renascer com coração sem perder a razão, vamos querer ajuda para continuar, para fazer, para (Re)viver e não vamos querer só a ajuda de receber: vamos saber que a indemnização não é um fim, é um princípio...para quem quer mesmo Renascer.

Apaixonados, não vamos a Lisboa pedir, vamos a Lisboa, ao poder central, dizer-lhes como queremos fazer e como queremos ser apoiados: não gritamos, falamos; não ameaçamos, demonstramos que...também é deles a responsabilidade do nosso Renascer.

Apaixonados, vamos ficar aqui no interior, por tudo e por amor. E os que cá não estão mas daqui são, vão vir cá, mais vezes, muitas vezes, todas as vezes.

Apaixonados, vamos querer Renascer juntos, todos. Cada um Nós deve querer Renascer tendo sempre presente que o seu próprio renascimento só acontecerá se o outro também Renascer. Ninguém Renasce sozinho.

Apaixonados pelo Renascer queremos ser ouvidos, mas não queremos ruídos. Nunca vamos deixar que digam que somos "a capital da terra queimada" ou que digam que isto "está tudo preto" ou que digam que "o Interior acabou". Apaixonados pelo Renascer, vamos ser "A Capital da Coragem", vamos pintar a paisagem de sonhos coloridos e vamos mostrar ao mundo que o Interior se renovou.

Não podemos ter connosco aqueles que o fogo de 15 de Outubro fez morrer. Mas é por eles que temos que Renascer.

Devemos estar gratos por poder Renascer. Se você assim pensar, já o está a fazer.

Acredite.

 

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 Dezembro de 2017)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:39

Ele "&" Ele

29.09.17

eleicoes.jpg

A campanha eleitoral para as eleições das autarquias é um desfilar de taras e manias, gastas, envelhecidas e consumidas.

Salvo honrosas exceções, os debates deviam ser transmitidos na RTP Memória, os cartazes exibidos nos Tesourinhos Deprimentes e os tempos de antena da rádio deviam ser um exclusivo da M80.

Salvo honrosas exceções, as promessas deviam ser objeto de registo notarial bem pago. E sem exceções, devia ser proibido fazer obras e obrinhas, ou melhor dito, arranjos e arranjinhos no semestre anterior ao dia dos votos.

Salvo honrosas exceções, os movimentos de independentes são treteiros. Não são independentes, são dissidentes, zangados, ultrapassados e despedidos dos Partidos. O grupo alberga também os nostálgicos, que são aqueles que já foram e querem voltar a ser, não conseguem ler a mensagem do tempo e manifestam sinais evidentes de não terem conseguido adaptar-se a viver sem poder.

Salvo honrosas exceções, se é que as há, a disputa autárquica transformou-se em ajustes de contas entre Ele “&” Ele, elevada ao devaneio e ao mau gosto, com ataques pessoais, insultos e outras taras e outras manias, de quem agora se detrata ainda que em outrora tivessem sido companhias.

O futuro passará pelo Poder Local. Este modelo de poder autárquico passará, por não ter futuro. Um destes dias, nem a naftalina o salvará. É pouco dado ao mérito, é demasiado caro, é demasiado populoso, é demasiado burocrático, é demasiado fora de tempo.

No Interior, de um Portugal cada vez menos inteiro e inclinado para o lado do mar, o Poder Local devia ocupar-se com as suas grandes prioridades - (1) Pessoas: fixação, reprodução e atração; (2) Riqueza: investimento, empresas privadas, conhecimento, valor acrescentado.     

Se o exemplo da campanha for Oliveira do Hospital, este exercício acaba mal.

Pelo que se vê, ouve ou lê, pouco, muito pouco, se diz de relevo sobre como se vai fixar e atrair pessoas e, drama dos dramas, como é que se vai por esta gente a fazer filhos. Sem pessoas e sem geração de riqueza, assente na iniciativa privada, qualquer dia resta pouco mais do que nada! Por alguma razão é cada vez mais difícil preencher as listas: são cada vez mais os que não querem saber de uma população que é cada vez menos.

E sobre “o regresso de mãos dadas” de Mário Alves e António Lopes nem uma palavra?

Sobre Ele & Ele, com ou sem aspas, nem uma palavra. Talvez depois de cada um de Nós votar.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 7 de Setembro de 2017)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:16

Rodrigues-Gonçalves.png

O trailer do filme podia escrever-se assim:

Rodrigues Gonçalves tem um percurso curioso na vida política de Oliveira do Hospital e pouco habitual. Quando quis ser Presidente da Câmara Municipal, com as cores do PS, concorreu e perdeu! Quando não se apresentou para ser Presidente da Assembleia Municipal, a Presidente chegou. Mas não ficou. Não vai ficar. O PS não confiou. Um percurso peculiar, algo atribulado, com alegrias e tristezas mas sem drama.

A sinopse da (boa) história deste homem, com quem tenho uma relação cordial, é um instante de escrita:

- fez-se gente a pulso e em Lisboa e carreira na função pública. Cultivou-se.

- um dia quis ser profeta na própria terra. Correu mal. Tão mal que na noite da derrota nem apareceu…

- nem desapareceu. Sem nunca deixar de ser Daqui (de Avô) e do PS, chegou à Assembleia Municipal…

- onde Lopes foi protagonista de uma destituição sem antecedente…e empurra Rodrigues Gonçalves para Presidente!

- com eleições à porta pede a confiança do PS local! O PS disse não. Saída? Sair. Ir.

Tal como na fita sobre Button, tudo na vida política de Gonçalves “é ao contrário”. Nem isso o impediu, na hora do anúncio, de exibir uma elegância ímpar - diz que continua a ser de Oliveira do Hospital, de Alexandrino, do PS. Não reclama, não cobra, não clama.

Ninguém pareceu valorizar muito tanta grandeza e tanto saber estar: sem sangue, sem lágrimas, sem ira, sem drama, sem ajuste de contas, sem ameaças. Tudo dito sob a mais absoluta tranquilidade, elevação e naturalidade. Impressionante. Será Gonçalves deste mundo?

Rodrigues Gonçalves há muito que é figura de destaque no concelho e na região com os seus escritos (o último livro foi dedicado à Filarmónica de Avô)) e recentemente tem dado a conhecer a sua faceta de “especialista” em inteligência emocional - uma espécie de Augusto Cury das Beiras - na Rádio Boa Nova e nas redes sociais.

Num recente “post” de Rodrigues Gonçalves, subordinado ao tema “aprenda a viver com a crítica”, está estampado o seguinte provérbio:

“nunca discutas com um cabotino, ele leva-te (baixa-te) para o campo dele e vence-te pela experiência.”

Alguém no PS de Oliveira do hospital terá lido isto?

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 de Julho de 2017)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:53


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Junho 2019

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30




Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D