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Sabe onde é Gavinhos de Cima?

É um bairro, desenhado em formato de anexo, da cidade de Oliveira do Hospital.

Foi ali que fui criança.

Os anos foram esvaziando Gavinhos de Cima de habitantes.

Uns foram para muito longe, outros para longe, outros para perto: foram muitos os que foram. Ficaram muitas casas vazias, muitas ruas quase sempre desertas, muitos terrenos em pousio eterno da agricultura de subsistência.

Gavinhos de Cima foi perdendo juventude, energia, vitalidade, orgulho e capacidade de sonhar. É muito difícil as pessoas sonharem, quando a linha do fim, marcada pela idade, começa a anunciar que falta pouco tempo.  Até os Grandiosos Festejos, em Honra da Nossa Senhora da Graça foram cada vez ficando menos grandiosos.

A grande festa que se fazia em redor da Capela da Santa, onde se chegava atravessando ruas limpas, iluminadas, floridas e ao som da música da aparelhagem sonora; a grande festa do frango assado, do caldo verde, do tinto, da gasosa e da mini gelada; a grande festa dos conjuntos musicais, do “dancing” cheio que nem um ovo e dos arraiais; a grande festa da banda filarmónica, dos andores e da procissão, do leilão da quermesse, das provas de atletismo, da malha e da corrida de púcaros; a grande festa do calor de Agosto, dos foguetes das alvoradas e dos bidons de gelo, dos grandes almoços das famílias, com emigrantes e outros visitantes e o músico convidado; a grande festa de duas noites longas, onde podia acontecer tudo, até pancadaria, que graças à Senhora da Graça acabava sempre nas traseiras da Capela, no bar!

Por estes dias, sobrava festa, faltava gente. Este ano não houve festa.

O vazio deste Agosto, em redor da capela da Nossa Senhora da Graça, é a imagem cheia da desgraça do Interior: falta gente. Falta gente e falta gente nova, como se dizia nos tempos dos Grandiosos Festejos.

Sim, os tempos mudaram. Agora já ninguém ambiciona o prestígio e a bondade social de ser mordomo. Agora ninguém tem tempo, tanta é a gente que exibe a gosto o tempo que gasta a dizer que não tem tempo. E com cada vez menos pessoas e com cada vez mais pessoas no fim do tempo, não há tempo para nada, nem para festas.

- Uma desgraça, Senhora da Graça!

Assalta-me, neste instante em que escrevo, a memória da novena e do eco da voz da Menina Judite que, ajoelhada, proclamava:

- Nossa Senhora da Graça, Rogai por Nós.

E nós, os miúdos, cá atrás, entre risinhos e beliscões, respondíamos:

- Rogai por Nós.

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 12 de Setembro de 2018; fotografia: A. Alexandre Neves)

 

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publicado às 15:05

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Temos a oportunidade.

A desgraça foi tão grande que, para se continuar a viver, temos que Renascer.

É uma oportunidade. É a oportunidade.

Renascer não é querer que tudo volte ao que era. Se assim for, isto volta a arder outra vez. Mais uma vez. Agora já não importa o que falhou! Imperativo é que não volte a falhar.

Renascer é reconstruir, renovar, remodelar, reinventar.

Temos que nos apaixonar por isto. Temos que nos apaixonar por este Renascer. Tem que ser. Renascer bem, Renascer melhor. Renascer com paixão. Tem que ser.

Apaixonados, vamos nascer com gosto e vencer o desgosto.

Apaixonados, vamos ser solidários em vez de ser caridosos, vamos ser determinados sem amuos, vamos ser focados no olhar em frente e não para os pés, vamos ser cuidadosos e ponderados em vez de ser desnorteados.

Apaixonados, vamos Renascer com coração sem perder a razão, vamos querer ajuda para continuar, para fazer, para (Re)viver e não vamos querer só a ajuda de receber: vamos saber que a indemnização não é um fim, é um princípio...para quem quer mesmo Renascer.

Apaixonados, não vamos a Lisboa pedir, vamos a Lisboa, ao poder central, dizer-lhes como queremos fazer e como queremos ser apoiados: não gritamos, falamos; não ameaçamos, demonstramos que...também é deles a responsabilidade do nosso Renascer.

Apaixonados, vamos ficar aqui no interior, por tudo e por amor. E os que cá não estão mas daqui são, vão vir cá, mais vezes, muitas vezes, todas as vezes.

Apaixonados, vamos querer Renascer juntos, todos. Cada um Nós deve querer Renascer tendo sempre presente que o seu próprio renascimento só acontecerá se o outro também Renascer. Ninguém Renasce sozinho.

Apaixonados pelo Renascer queremos ser ouvidos, mas não queremos ruídos. Nunca vamos deixar que digam que somos "a capital da terra queimada" ou que digam que isto "está tudo preto" ou que digam que "o Interior acabou". Apaixonados pelo Renascer, vamos ser "A Capital da Coragem", vamos pintar a paisagem de sonhos coloridos e vamos mostrar ao mundo que o Interior se renovou.

Não podemos ter connosco aqueles que o fogo de 15 de Outubro fez morrer. Mas é por eles que temos que Renascer.

Devemos estar gratos por poder Renascer. Se você assim pensar, já o está a fazer.

Acredite.

 

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 Dezembro de 2017)

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publicado às 21:39

Ele "&" Ele

29.09.17

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A campanha eleitoral para as eleições das autarquias é um desfilar de taras e manias, gastas, envelhecidas e consumidas.

Salvo honrosas exceções, os debates deviam ser transmitidos na RTP Memória, os cartazes exibidos nos Tesourinhos Deprimentes e os tempos de antena da rádio deviam ser um exclusivo da M80.

Salvo honrosas exceções, as promessas deviam ser objeto de registo notarial bem pago. E sem exceções, devia ser proibido fazer obras e obrinhas, ou melhor dito, arranjos e arranjinhos no semestre anterior ao dia dos votos.

Salvo honrosas exceções, os movimentos de independentes são treteiros. Não são independentes, são dissidentes, zangados, ultrapassados e despedidos dos Partidos. O grupo alberga também os nostálgicos, que são aqueles que já foram e querem voltar a ser, não conseguem ler a mensagem do tempo e manifestam sinais evidentes de não terem conseguido adaptar-se a viver sem poder.

Salvo honrosas exceções, se é que as há, a disputa autárquica transformou-se em ajustes de contas entre Ele “&” Ele, elevada ao devaneio e ao mau gosto, com ataques pessoais, insultos e outras taras e outras manias, de quem agora se detrata ainda que em outrora tivessem sido companhias.

O futuro passará pelo Poder Local. Este modelo de poder autárquico passará, por não ter futuro. Um destes dias, nem a naftalina o salvará. É pouco dado ao mérito, é demasiado caro, é demasiado populoso, é demasiado burocrático, é demasiado fora de tempo.

No Interior, de um Portugal cada vez menos inteiro e inclinado para o lado do mar, o Poder Local devia ocupar-se com as suas grandes prioridades - (1) Pessoas: fixação, reprodução e atração; (2) Riqueza: investimento, empresas privadas, conhecimento, valor acrescentado.     

Se o exemplo da campanha for Oliveira do Hospital, este exercício acaba mal.

Pelo que se vê, ouve ou lê, pouco, muito pouco, se diz de relevo sobre como se vai fixar e atrair pessoas e, drama dos dramas, como é que se vai por esta gente a fazer filhos. Sem pessoas e sem geração de riqueza, assente na iniciativa privada, qualquer dia resta pouco mais do que nada! Por alguma razão é cada vez mais difícil preencher as listas: são cada vez mais os que não querem saber de uma população que é cada vez menos.

E sobre “o regresso de mãos dadas” de Mário Alves e António Lopes nem uma palavra?

Sobre Ele & Ele, com ou sem aspas, nem uma palavra. Talvez depois de cada um de Nós votar.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 7 de Setembro de 2017)

 

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publicado às 00:16

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O trailer do filme podia escrever-se assim:

Rodrigues Gonçalves tem um percurso curioso na vida política de Oliveira do Hospital e pouco habitual. Quando quis ser Presidente da Câmara Municipal, com as cores do PS, concorreu e perdeu! Quando não se apresentou para ser Presidente da Assembleia Municipal, a Presidente chegou. Mas não ficou. Não vai ficar. O PS não confiou. Um percurso peculiar, algo atribulado, com alegrias e tristezas mas sem drama.

A sinopse da (boa) história deste homem, com quem tenho uma relação cordial, é um instante de escrita:

- fez-se gente a pulso e em Lisboa e carreira na função pública. Cultivou-se.

- um dia quis ser profeta na própria terra. Correu mal. Tão mal que na noite da derrota nem apareceu…

- nem desapareceu. Sem nunca deixar de ser Daqui (de Avô) e do PS, chegou à Assembleia Municipal…

- onde Lopes foi protagonista de uma destituição sem antecedente…e empurra Rodrigues Gonçalves para Presidente!

- com eleições à porta pede a confiança do PS local! O PS disse não. Saída? Sair. Ir.

Tal como na fita sobre Button, tudo na vida política de Gonçalves “é ao contrário”. Nem isso o impediu, na hora do anúncio, de exibir uma elegância ímpar - diz que continua a ser de Oliveira do Hospital, de Alexandrino, do PS. Não reclama, não cobra, não clama.

Ninguém pareceu valorizar muito tanta grandeza e tanto saber estar: sem sangue, sem lágrimas, sem ira, sem drama, sem ajuste de contas, sem ameaças. Tudo dito sob a mais absoluta tranquilidade, elevação e naturalidade. Impressionante. Será Gonçalves deste mundo?

Rodrigues Gonçalves há muito que é figura de destaque no concelho e na região com os seus escritos (o último livro foi dedicado à Filarmónica de Avô)) e recentemente tem dado a conhecer a sua faceta de “especialista” em inteligência emocional - uma espécie de Augusto Cury das Beiras - na Rádio Boa Nova e nas redes sociais.

Num recente “post” de Rodrigues Gonçalves, subordinado ao tema “aprenda a viver com a crítica”, está estampado o seguinte provérbio:

“nunca discutas com um cabotino, ele leva-te (baixa-te) para o campo dele e vence-te pela experiência.”

Alguém no PS de Oliveira do hospital terá lido isto?

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 de Julho de 2017)

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publicado às 19:53

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Ai o cartaz!

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Não o fez. Não se faz.

 

(Cristina perdeu. Aguentou-se uns dias. Desapareceu.

Cristina perdeu. Pouco tempo depois partiu. Não cumpriu.

Ainda 2015 começava e Cristina Oliveira anunciou que se ia ausentar. O bilhete era de ida e volta. Não voltou.

Em 2013, na noite da dolorosa derrota, Cristina, a única eleita do PSD e da oposição, prometeu cumprir o mandato até ao fim, mas o fim da Cristina foi muito antes do fim do mandato.)

 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Tudo? Que tudo era esse que o vento num instante levou?

 

(Cristina, com quem conversei em público e em privado, é uma mulher culta, bem formada, com pensamento estruturado e bem reputada no que faz no Ministério da Educação.

Como é que uma mulher assim se perdeu no meio de tudo e deixou tudo de Oliveira? Cristina tirou-se de Oliveira, tirou Oliveira de si própria, exceto ao assinar: Oliveira está-lhe no nome!

Era fácil gostar de Cristina. Eu gostei. Mulher bonita, com saber estar, vincada, com ar distinto: ainda que sendo da gente parecia ser diferente. Não o foi.)

 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Era só dar tudo, Cristina. E estava tudo bem, a fazer o mandato todo. Na oposição, com o coração…por Oliveira.

Ao ter ido, ao ter partido, ao ter fugido, perdemos todos. O Concelho, o PSD, os que querem na política acreditar, os que em Si foram votar. 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Só no cartaz.

 

Vitor Neves 

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Julho de 2017)

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publicado às 23:46

Todos contra Um.

08.06.17

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O Poder não mata. Desgasta.

Alexandrino, o Presidente, sabe? Sabe. Mas não quer saber.

O PS sabe? Sabe. Mas não há nada a fazer.

O Homem que está no Poder em Oliveira do Hospital há quase 8 anos, gosta de mostrar que é independente, do PS e da política. E nestes dias de (pré) campanha, falta-lhe manha. José Carlos Alexandrino não é assim.

O também Homem forte da CIM, gosta de fasquias altas, de riscos grandes, de desafios disputados, de impossíveis pouco avisados. Não faltam exemplos: a Estrada, os Médicos, a ESTGOH…e agora a (re)Eleição. José Carlos Alexandrino é assim.

Alexandrino quer ganhar e já disse como quer ganhar: com mais votos do que da última vez, isto é, com um novo “record” de votos. Mais de 8 379 votos… e talvez até sonhe com um 7-0!

O atual Presidente podia não o dizer, ou não o dizer como o diz, mas disse, mas diz.

As eleições autárquicas em Portugal americanizaram-se. O partido conta pouco e as equipas pouco contam. O candidato a Presidente é a cara e o nome da candidatura. Está no cartaz. Está em cartaz.  

Em Outubro, Alexandrino tem tudo para ganhar. E muito para perder.

Pode perder votos.

Pode perder mandatos.

Pode perder-se, se perder a maioria!

E qual a razão para tanto poder perder? O usufruto do Poder.

Todos os candidatos da Oposição vão ter muito para dizer sobre como Alexandrino usou o Poder. Ainda “a coisa” está a começar e já se percebeu que os adversários não vão ser nada dóceis, nada.

Bem vistas as coisas, Albuquerque e Alves, pouco ou nada podem perder. Ganhar para Eles pode ser perder por pouco ou, pelo menos, por menos. Não foram Poder e sempre podem reivindicar o estatuto que a dúvida confere: com Eles no Poder é que era Fazer.   

Alexandrino tem sido protagonista de um discurso pouco político, talvez demasiado autêntico, talvez um bocadinho ingénuo, talvez demasiado emocional. Alexandrino não tem escola de “jota”, o que se nota.

E ainda falta aqui um “como se sabe”. Sim, como se sabe, o usufruto do Poder também ajuda muito a preguiça da democracia, a abstenção: O Homem vai ganhar. Nem é preciso ir votar. E assim se podem perder votos…

Alexandrino podia ter dito que ganhar é ter mais um voto que o adversário, ou qualquer coisa neste registo! Mas, não! Ele quer isto assim, com sal, com provocação, com emoção. E haja coração.

Uma certeza Alexandrino já deve ter: a campanha vai doer.

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Junho de 2017)

 

 

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publicado às 23:25

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Com a Serra sempre à vista, há um Interior de luta feito por gente que insiste, persiste e resiste. Uma das formas de luta é a Festa. A Festa é o grito de vida, de coragem, de orgulho. Importa dizer ao mundo que aqui há gente. Gente que sente.

Se há Festa, há comunicação social…nacional. Vindos do litoral, vindos da capital, chegam os da TV, da Rádio, da Revista e do Jornal, e partilham com o mundo o que aqui é costume, o que aqui é tradicional. Os produtos endógenos – “endógeno” deve ser a palavra da década dos autarcas nacionais – as profissões de outrora, o artesanato, a produção caseira, enfim, tudo muito rústico, tudo muito “zé povinho”, tudo muito “ai que giro”, tudo muito “ai que amor que é a vida aqui no Interior”.

Claro que de toda esta promoção mediática não é só isto, mas é muito disto o que fica, e mais disto fica quando se olha para a TV…dos “beijinhos para a Suiça”.

Não há nada que nos envergonhe no passado do Interior, antes pelo contrário. A tradição, o costume, as vestes de ontem, os produtos feitos com as mãos, o saber, são a alma do nosso património, o qual devemos desfrutar, divulgar e preservar.

Mas, aqui no Interior, ao invés do que possa eventualmente parecer, agarra-se o tempo, vive-se o presente…e o futuro.

Sim, aqui (ainda) há pastores! E WiFi…!! Sim, é possível andar no meio do pasto com as ovelhas a ver no telemóvel as caricaturas do Trump, sem que o cajado seja a antena.

No Interior também temos gente sofisticada, urbana, que trabalha o conhecimento Científico, que faz Educação, que pratica Desporto de elevado nível técnico, que produz Cultura, que cria música, que escreve livros, que se especializou em design, em comunicação, em imagem, que gere Empresas que vendem para todo o mundo e onde quase só se fala Inglês, que domina a Internet, que vive as redes sociais, que veste as calças rasgadas da moda, que viaja na Ryanair, que não se escandaliza com a palavra “gay” e que também discute a eutanásia.

No Interior não se confunde o ser moderno, atual e cidadão do mundo, com o gosto de ser daqui, deste local, destas raízes, desta montanha, deste ar.

E não há nada, mesmo nada, que nos impeça de gostar de Sushi… e de degustar uma boa colherada de Queijo Serra da Estrela e um copo de Tinto do Dão!

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 8 de Março de 2017)

 

    

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publicado às 21:46

8379

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O-i-t-o-m-i-l-t-r-e-z-e-n-t-o-s-e-s-e-t-e-n-t-a-e-n-o-v-e.

Pode ler em voz alta.

Devem ser assim os sonhos, ou os pesadelos, de José Carlos Alexandrino: vozes que lhe sussurram, ou gritam, este número ao ouvido.

Oito mil trezentos e setenta nove...votos!

8379. É o número do tamanho da vitória esmagadora, e sem paralelo histórico, de Alexandrino nas Autárquicas de 2013.

Os votos foram contabilizados pelo PS, mas o PS atingiu este orgasmo de votos em Oliveira do Hospital… com Alexandrino! E nisto de eleições locais, os partidos contam cada vez menos, e os candidatos cada vez mais.

Adjudicada a solução para o problema da 17 – ainda falta uma data para o problema das acessibilidades - o Presidente em exercício ficou com a estrada feita para continuar o exercício em novo mandato. Só um cataclismo ou o surgimento de qualquer novo facto verdadeiramente inesperado, afastará José Carlos Alexandrino de ser candidato e...(de novo) Presidente. Por mérito próprio, que é como quem diz, por mérito de Alexandrino e da sua equipa, e também por demérito da Oposição(?).

No entanto, nem tudo parece ser assim tão evidente.

- No acto eleitoral que terá lugar a seguir ao verão de 2017, Alexandrino vai contar mais ou menos votos do que em 2013?

As obras, as festas, as ilustres visitas serão suficientes para compensar o inevitável desgaste e ainda um eventual crescimento da abstenção, consequência habitual do "Ele já ganhou"???

Eis o grande desafio de Alexandrino...e da Oposição, quando aparecer:

- O primeiro quer ganhar por tantos, os segundos não vão querer perder por tantos.

8379.

Assim escrito, ou por extenso, são muitos votos, muitos…é muita gente!

- Não vai ser fácil, Senhor Presidente.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 27 de Janeiro de 2017)

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publicado às 22:46

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O velho slogan “ler jornais é saber mais” sobrevive na era 4.0 como “estar nas redes sociais é saber mais”. Isto não é uma questão de querer ou de gostar, é assim: um novo tempo, uma nova realidade, uma oportunidade.

As redes sociais, entre outras coisas que tais, permitem saber mais, dizer mais a todos, sobre todos, de tudo, sobre tudo. Para quem, de perto ou de longe, está ligado a este mundo da comunicação há mais de 30 anos, isto é revolucionário! É uma revolução que nos obriga a estar em modo de aprender em permanência. Num contexto veloz, instantâneo, efémero e de acesso fácil, temos que aprender todos os dias como gerir o que somos, o que fazemos, como vivemos.

E assim, num instante, sem depender de nada nem do que ou de quem quer que seja, cada um de nós pode mostrar ao mundo, sim ao mundo, a todo mundo, o que é, onde está, o que faz, o que gosta, o que não gosta, etc., etc., e pode fazê-lo destacando o que mais lhe interessa ou só que lhe interessa!

Vamos deixar as virtudes, os defeitos e os riscos das grandezas e misérias desta imensa liberdade para os “entendidos”.     

Vamos apenas pelo trilho dos bons exemplos…de autarcas!

- Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto. É o rei dos autarcas nas redes sociais. Promove o Porto, o que faz pelo Porto; partilha e defende as suas ideias; exercita algumas das suas paixões, com destaque para a fotografia; elenca causas, pessoas, desafios. Um mestre da comunicação que importa seguir, independentemente do posicionamento ou da opinião de cada um.

- Nuno Ribeiro, vereador da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Este jovem autarca de Oliveira do Hospital, por quem tenho apreço, é de um voluntarismo nas redes sociais a promover o que acontece no concelho, que merece uma vénia, ou duas! Este Dezembro, durante um fim de semana, o Nuno esteve nos convívios de natal do Hóquei em Patins do Futebol Clube Oliveira do Hospital, do G. D. Bobadelense, no evento “Natal sobre Rodas”, no “derby” de futebol dos benjamins de Nogueira do Cravo e de Oliveira do Hospital, no lançamento do livro “Terra do meu coração” de Lucinda Maria, no convívio de natal do Centro Paroquial de Santa Ovaia, na Noite de Fados do Seixo da Beira, no evento “Pais Natais em Movimento” e, ufa, no convívio de natal da Associação Desportiva de Gramaços!!! Tudo isto, tudo, com texto e registo fotográfico, qual grande repórter. Exige a justiça que se refira que há outro vereador, José Francisco Rolo, que também faz um trabalho notável, neste reportar ao mundo o que no concelho e na região vai acontecendo…

Os “má-língua” do costume logo dizem que é política, que são pagos para isso e outras “coisitas” assim mais-ou-menos.

Talvez importe mais enfatizar que, mesmo podendo ser política e votos e outros quejandos, estes homens fazem o que devem: reportam e promovem o que está acontecer. E no caso do Interior, partilham e testemunham o esforço e o trabalho de gente que insiste, que não desiste, que existe.

E disto, nas redes socias, todos queremos mais.   

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 22 de Dezembro de 2016)    

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publicado às 19:46

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Este texto podia ser um anúncio. Mas não é. Quanto muito é um prenúncio. Já temos candidato a novo mandato, digo-vos aqui, ainda que não mandatado para tal.

Falta mais de um ano. Tudo pode mudar. E posso-me enganar, e posso-me estar a precipitar, e posso…acertar. Sim, Alexandrino, o actual Presidente do Município de Oliveira do Hospital, vai-se candidatar…e ganhar.  

Antes de seguir é preciso dizer o que se segue: tenho consideração e apreço por José Carlos Alexandrino mas não tenho falado com ele sobre o tema. Aliás, como sempre, não falei com ninguém sobre o que quer que seja. É apenas um “visto de fora” igual a tantos outros e semelhante a outro, que ficou famoso, quando aqui escrevi que Alexandrino ia ganhar as últimas eleições, e por muitos. E foi assim. Agora, veremos.

O slogan de campanha pode muito bem ser: “Muito trabalho pela frente”. Já leu isto em algum lado? Eu também. Lê-se no último Boletim Municipal e quem assim fala quem é? Ele mesmo, Alexandrino, José Carlos Alexandrino.

Alexandrino não vai querer ser “O Barroso do Poder Local”! Vai ser Durão para fazer o trabalho e “gastar” o muito milhão que arranjou.

Alexandrino gosta de ser Presidente e vai querer ficar eterno na memória e no coração “do meu povo”, como um dia, entusiasmado, no palco da TV, chamou aos munícipes. Alexandrino sabe o que lhe falta para tal acontecer: Obra. E Alexandrino também sabe que as festas sofrem do mal do vazio do dia seguinte, não resta nada, tudo passou, e a memória é como tudo, não dá para tudo e vai apagando.

Certo dia, Miguel Esteves Cardoso, escreveu um livro de título sugestivo, “O amor é fodido”. Alexandrino podia escrever uma sequela, tipo: “Ser Presidente, sem dinheiro, é muito fodido”. Eis que o dinheiro vem aí. E aí, Alexandrino vai querer ficar aqui, ali, na Câmara Municipal.

E o Lopes? E o aparelho? E “a estrada monarca”? E a CIM? E as “forças vivas”? E o poder, sim o poder, esse sedutor incorrigível e viciante?!    

Alexandrino não vai conseguir fazer oposição a uma inevitável decisão: ser candidato a mais um mandato.

E se não acontecer??? Conto cá estar, para assumir o risco de no osso gostar de escrever.

Alexandrino tem traçado o destino, verão!

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 29 de Julho de 2016)

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publicado às 21:59


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