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Olá,

 

Esta é uma carta bruta e curta. E pública.

Quero que toda a gente saiba o que sofro contigo.

Para começar, quero dizer-te que tudo acaba no que sinto por ti: é amor, muito amor.

Há dias, ao ler a bibliografia do MEC, recordei o que gostei do livro em que se dizia que «O Amor é fodido». E é mesmo.

Só o amor pode justificar que uma pessoa como eu, depois de saber o que tu és, o que tu fazes e não fazes, e o que nunca chegarás a ser, ainda aqui esteja, sempre à tua espera, sempre disponível para ti, sempre a fazer tudo por ti.

Estás velha.

Estás falida.

Perdeste autoridade. Perdeste valores. Perdeste-te.

E eu estou triste.

Ás vezes estou revoltado. Outras vezes estou resignado. Quase nunca esperançado.

Há dias em que ainda quero acreditar. O sol que tu tens, o mar que tu és, as montanhas de onde te olho, fazem-me sonhar.

Sim, há dias em que quero acreditar, mas é cada vez mais difícil acreditar no que dizes, no que fazes, no que prometes.

Ai as promessas! Quantas vezes já acreditei em ti e…. nada! Não aconteceu nada, nada do que tu anunciavas para os amanhãs que afinal não cantaram.

E és injusta. Pior, és ingrata.

Não valorizas o que tem mérito, não agradeces o que se faz para ti, nem reconheces quem dá tudo por ti.

Andas baralhada.

Andas perdida.

Não sabes o que é o certo. Não sabes o que é o errado. Não sabes o que queres. Estás sem caminho.   

Olha, sabes o que mais magoa, o que mais dói? É que já não te respeitas! Aceitas tudo, de todos, de qualquer um.

Porra, pá! Pára para pensar.

Para mim serás sempre a minha Pátria: Amo-te.

Mas se continuas assim não sei se consigo viver contigo.

 

Sem mais,

 

(publicado no jornal Folha do Centro, quarta-feira, 12 de Junho de 2013 e "referido" em ca$h resto z€ro/rádio em Rádio Boa Nova FM 100.2 e radioboanova.com no mesmo dia.)

 

Nota de autor:

Depois deste texto já estar escrito, Silva Lopes, um homem sábio do melhor que Portugal tem e que não se esconde, apelava numa entrevista ao Jornal de Negócios, para que Portiugal se torne um país decente.

Um país decente preza-se e tem orgulho em si próprio. Sem deixar de ser um Estado de direito, tem uma noção clara dos seus interesses e das suas prioridades, de quem o ajuda e de quem o desajuda na resolução dos seus problemas.

Tem de ser grato, sob pena de se tornar injusto.

Daniel Bessa, que foi meu professor, também sublinha este fim de semana no Expresso o apelo proveniente da sabedoria de José Silva Lopes.

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publicado às 19:43

Miguel Esteves Cardoso, grande caneta que marcou gerações, continua a escrever. Agora está encostado a uma coluna na penúltima página do Público.

Confesso que não os leio regularmente. Nem ao Público, nem ao MEC.

Ontem, no pequeno almoço de hotel, com o jornal metido no meio da mesa do «mata-bicho», conferi a forma da caneta do MEC... que começava por nos lembrar, que o PR se lembrou de nos lembrar que os «portugueses esqueceram o mar, a agricultura e a indústria».

Apesar do «obsceno» da lembrança ter sido feita por quem nos levou ao esquecimento, Cavaco, como bem recorda MEC, o resultado da «miragem europeia» não podia ser outro: já não há dinheiro.

Aqui chegados, com a devida vénia, vamos deixar MEC falar, escrevendo como nos bons velhos tempos:

«Não se fiem na conversa dos serviços e da tecnologia. Agora e na hora do desespero valem a sardinha, a batata, e, caso ainda haja alguns patacos, a exportação de alguns tecidos e sapatos.

Resumo: estamos resumidos ao que Deus nos deu. Sol, oliveiras, carapaus e vinhas.»

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publicado às 11:55


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