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Os mal entendidos por existir mais do que uma Maria na terra são tão velhos como a mais velha profissão do mundo.

Importa esclarecer que o José Carlos que protagoniza o título deste texto não é quem pode estar a pensar que seja. Não, não é, o Presidente do município de Oliveira do Hospital. Mas podia ser, como adiante poderemos concluir.

Para começar, o José Carlos de quem falamos é o homem que com um safanão, no último acto leitoral autárquico, empurrou Mário Alves para fora do poder e “ajudou” a sentar na cadeira respectiva José Carlos Alexandrino.

O homem do «Movimento Oliveira do Hospital sempre», independente zangado com o PSD, parecia estar a preparar-se para nova tentativa para deixar de ser o Senhor Vereador e passar a ser o Senhor Presidente, em 2013.

Visto de fora, os ventos políticos locais sopravam a seu favor.

O PSD local mudou de mãos, e o novo homem-forte é o mesmo homem que tinha estado ao lado de José Carlos Mendes nas guerras longas e duras contra o PSD de Mário Alves, digamos assim.

No diz-se disse da política local, ainda que sem aclamações nem unanimidades, dava-se como certo que José Carlos iria enfrentar outra vez José Carlos, mas desta vez sem Alves no meio, e com camisola de toda vida vestida, a cor de laranja.

Estava à vista um derby «PS-PSD» que só por duas vezes não terminou com a derrota do partido da rosa.

No calor do verão, em Julho, tudo mudou.

Mendes, o José Carlos, qual independente, soltou um grito magoado e bateu com a porta nas suas ambições políticas. Retirou-se.

Alexandrino, o José Carlos Presidente, terá coçado a cabeça e questionado: - Agora quem vem aí? Apesar da impar popularidade que desfruta no concelho, a ameaça do PSD aparecer com um nome sonante e baralhar as contas da reeleição podia - ou ainda pode?- ser um caso sério.

Entretanto o PSD local parece mais calmo internamente e mais aguerrido e agressivo externamente, ainda que os ecos da austeridade da governação nacional possam estilhaçar qualquer estratégia local. Mas no Cavaquistão Oliveirense o PSD é sempre candidato a ganhar.

Subsiste entretanto o diabo do detalhe: para o PSD poder derrotar o PS, liderado por um José Carlos que parece ser «o Cavaleiro» do coração do concelho, é preciso ter…candidato. Convenhamos que é estranho constatar que, se as freguesias deixarem, daqui a um ano as eleições já foram, e o PSD ainda não tem candidato!          

E assim é complicado fazer contas.

Talvez tenha sido para fazer bem as contas que José Carlos, o Presidente, foi ao PSD “contratar” Paulo Rocha.

 

(publicado no Jornal Folha do Centro, edição de 26 de Novembro de 2012)

 

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