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A CRISE DA LIBERDADE

 

«Existe uma crise das democracias que ultrapassa muito o problema da crise económica.

Nos anos 40 do século passado só 11 países eram livres. Mesmo após o 25 de Abril de 1974 (considerado o início da terceira vaga democrática), as democracias eram largamente maioritárias. Com as alterações na Grécia e em Espanha, logo seguidas de várias outras na América latina, na Ásia, em África (com a extraordinária transição que Mandela impôs) e, sobretudo, após a queda da URSS, a democracia parecia ser o futuro risonho do mundo..

No ano 2000, a Freedom House, um instituto americano, estimava que 63% dos países do mundo (120) eram pelanamente democráticos.

Mas de 2000 para cá assiste-se a uma regressão. A revista "The Economist" ( http://www.economist.com ), que dedica esta semana um longo ensaio à questão, revela que a mesma Freedom House reconhece que 2013 foi "o oitavo ano consecutivo em que liberdade global declinou."

Quais as razões para este retrocesso? É sabido que as democracias, mesmo em crise, permitem níveis de vida, de realização, de felicidade muito superior às ditaduras ou às democracias disfarçadas, tipo Venezuela, Angola ou Rússia.

Há razões que ultrapassam largamente a ideia que gregos (Séc. V a.c.) e iluministas (Séc. XVIII) tinham as virtudes democráticas. Uma sondagem na Rússia revela que quase 80% prefere uma economia forte a uma boa democracia. Largas camadas da população, mesmo nos países mais desenvolvidos, dão primazia à segurança e não à liberdade. A própria mística democrática da liberdade dissolve-se. Também a demagogia contribui para o desgaste das democracias ao associar a ideia de liberdade apenas e só a uma melhoria das condições de vida e ao constante alargamento de direitos (sem correspondentes deveres) para todos.

A demagogia é um bom terreno para alardear maus exemplos que, como a "má moeda", expulsa do palco os bens intencionados, omitindo que muitos dos escândalos tornados públicos só o foram porque vivemos em liberdade. Muitos ditadores parecem mais "sérios" e "amigos do povo" porque impõem censura e propaganda falsa e descarada.

Insidiosamente, os inimigos da democracia afirmam-se. As armas não são iguais nem justas porque as democracias, ao contrário dos regimes autoritários, reconhecem os seus falhanços e derrotas.

Desta caldo resulta um divórcio progressivo entre povo e elites que vai matando a democracia.»

 

Este texto, aqui reproduzido quase na sua totalidade, é assinado no jornal Expresso (1 março de 2014) por Henrique Monteiro.

Os destaques a bold são da N/ autoria.

Este texto provoca as seguintes questões:

 

- Liberdade ou Segurança (mais) assegurada e Economia (mais) saudável? Democracia ou Regime Autoritário?

  

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publicado às 12:05

"A ditadura do imediato e do falsamente evidente"

 

Foi com a ajuda de Henrique Monteiro, na sua crónica de hoje do semanário Expresso, que o acesso ás "Palavras Sábias" de Francisco Assis no Público, motivaram mais este especial do ca$h resto z€ro, que já vai na sua 24ª edição, sobre os regimes: a ditadura e/ou a democracia.

Todos os dias, todos os dias mesmo, há sempre alguém que se mostra preocupado com a democracia (ou com o regresso da necessidade da ditadura!!!) nas páginas dos jornais, nas rádios, nas TVs, nos blogues...e ás vezes, por sortilégio mas também pela qualidade, concorde-se ou não, o ca§h vai guardando (e interrogando) aqui "os contributos".

O Socialista Assis, homem que pensa bem e escreve da mesma maneira, reconciliou o jornalista Monteiro com o mundo, ao escrever:

 

«A cura para as novas democracias doentes, não reside essencialmente nos chavões mais ouvidos - mais participação, transparência e proximidade - mas na rarefação de políticos suficientemente corajosos para assumirem, com devida ponderação, algum distanciamento crítico face à ditadura do imediato e do falsamente evidente.

Não se afigura possível levar a cabo uma condigna ação política tendo por referência os arquétipos mentais prevalecentes na lógica comunicacional das redes sociais."

 

Assis faz ainda notar que, tal como em 1935 disse o Checo Husserl, o perigo da Europa é ser vencida pelo cansaço de um espírito crítico culto e exigente.

 

Num tempo em que um dos indicadores de medida da moda da classe política são os likes nos perfis, é possível que a economia de um país, como Portugal,  passe de uma espiral recessiva a uma recuperação fulgurante, num click.

No entretanto, o país, Portugal, passou os últimos dias em mais uma leva de idas ao circo dos casos:

- a discutir a co-adopção, sem que a grande maiora saiba sequer em que consiste!?

(quem paga o referendo desejado?)

- a discutir as praxes, sem que a grande maioria saiba sequer o que é!?

(quem paga o "dossier da praia do Meco"?) 

- a discutir Miró, sem que a grande maioria saiba sequer quem é?

(quem paga a propriedade, manutenção e exposição das pinturas do catalão adorado no BPN de Oliveira e Costa?) 

  

Ricardo Costa enganou-se, hoje, no Expresso, ao escrever que esta é "a cultura de um país sem juízo e sem dinheiro". Não, este é um país que teima em se governar sem dinheiro e...SEM JUÍZO.

 

Temos que acabar com a ditadura do imediato. Será tal possível em democracia?

 

 

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publicado às 18:34

SOS Democracia*

 

Quando iniciei, em 16 de Dezembro de 2012, este conjunto avulso de reflexões sob a interrogação em título, nunca pensei que esta provocação se agarraria a mim como lapa. Também nunca pensei que o tema iria ocupar em crescendo a pena de tantos fazedores de opinião da nossa praça. Sim, a democracia, em consequência da desgraça financeira, económica e social que nos assola, está em discussão, é preocupação.

 

Manuel Falcão, que escreve no Jornal de Negócios, recorda que «a amnésia, na política, é o veneno que mata a democracia». E sob um regime democrático é possível que Portugal seja o único país do mundo onde uma letra gera uma crise política que ninguém quer resolver. A gafe do «de» e o «da» da lei que limita o número de mandatos dos autarcas, descoberta pelo Presidente da República, da qual fugiram a Presidente da Assembleia da República e os Partidos, está agora nas mãos dos juízes que podem produzir opinião em cima da data do acto eleitoral... ou mesmo depois! Não é cómico, é trágico.

 

Henrique Raposo, que editou recentemente o livro "História Politicamente Incorreta do Portugal Contemporâneo", disse numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro:

«Vamos ao ponto: este regime, a nossa democracia, está construída num equívoco. É dizer-se que a democracia é melhor do que os outros regimes porque cria mais riqueza e mais bem estar para a população. A democracia é o melhor dos regimes porque é moralmente superior. Porque existem eleições (o que dá legitimidade vertical aos nossos líderes), e porque existem freios e contrapesos (o que dá legitimidade horizontal e constitucional ao nosso regime). O Estado Novo será sempre ilegítimo porque usou censura, policia política, não dividiu os poderes- porque era uma ditadura. Não é preciso dizer mais do que isto para tirar legitimidade a Salazar. 

...temos de conseguir manter-nos numa democracia e conseguir taxas de crescimento como já tivemos no passado.»

 

Henrique Monteiro, ex-director do Expresso, escreveu neste jornal a propósito do imbróglio eleitoral Italiano:

« A Culpa, essa entidade que natureza elege sempre como a razão do mal (e que surge tão misteriosa como um Deus vingador), tem de ser encontrada. Ora a culpa é da política, da democracia, do sistema. Por isso aparecem palhaços...os maiores beneficiários desta balbúrdia. E assim se chega ao dia seguinte. Com todos os problemas já existentes e mais um: o de saber o que fazer agora com os palhaços.» 

 

Miguel Sousa Tavares*, a quem roubei o "SOS Democracia" desta manhã no Expresso, acuçado pelos resultados das eleições Italianas, diz:

«Há dois erros fáceis de cometer na leitura das eleições Italianas. Um, é ignorar que existe, em cada vez mais países europeus (e não apenas nos resgatados), uma crise de credibilidade da classe política, dos políticos e da própria democracia representativa - e a que a política tem respondido assobiando para o ar. .... Mas isso não pode deixar-nos cair no segundo erro, que é o de acreditar que o sistema só é reformável se for destruído. Até prova em contrário, a destruição do sistema de democracia representativa não tem alternativa séria que se recomende. Mas confiar que o bom senso dos povos há-de sempre funcionar como válvula de segurança democrática, por maiores que sejam as razões de descontentamento e revolta, é mais do que optimismo, é irresponsabilidade.»         

 

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publicado às 12:46


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