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"A dívida de Portugal vai ser reestruturada. É tão simples quanto isso"

Jovens, outros menos, estudantes, professores, talvez alguns soixante-huitards, muitos curiosos, bastante gente que encheu o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. 

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A pop star improvável é economista, Thomas Piketty de seu nome, o francês que escreveu O Capital no Século XXI e que, nesse grosso calhamaço tornado êxito de vendas, abalou ideias feitas de que a economia assentava no pensamento único da austeridade a todo o custo.

Thomas Piketty retoma a tese de que Alemanha e França, ao falarem das dívidas dos países, deviam antes olhar para a sua história, antes de se atreverem a dar lições aos outros. 

O economista olha para o horizonte político imediato, em Portugal, com a esperança de que a mudança na Europa passe também por cá - com menos austeridade.

 

Em 11 de Maio de 2014, o autor e o livro, estiveram em destaque no ca$h resto z€ro.

A seguir o post em reposição:

Thomas Piketty, é economista, é francês, leciona na Escola de Economia de Paris e teria provavelmente permanecido desconhecido fora dos meios académicos mais restritos não fosse o seu livro “Capital in Twenty-first Century” (Capital no Século XXI) se ter tornado em poucos dias num best-seller nos Estados Unidos, catapultando-o para a ribalta do sucesso mediático em todo o mundo (The Economist; The NY Times; FT; The Guardian; entre outros, consideram Piketty a rock star da economia).

 

Em 685 páginas que contam a história do capitalismo nos últimos 200 anos, com dados concretos e estatísticos, Thomas Piketty defende que este sistema económico cria um caminho só de ida em direção a desigualdades insustentáveis e à injustiça social, desmontando o mito de que esforço, trabalho, competência e criatividade chegam para enriquecer quem não nasceu rico.

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Para este economista, o crescente aumento das desigualdades conduzirá o capitalismo ao seu próprio colapso, a menos que se faça alguma coisa para inverter esta tendência. A solução apontada é taxar duramente os mais ricos, propondo a aplicação de um imposto de 80% sobre os rendimentos acima dos 500 mil dólares anuais (nos EUA).

O livro já tinha sido publicado há um ano em França, mas não recebeu muita atenção. Nos Estados Unidos, com a polémica sobre as desigualdades na ordem o dia, a edição americana, publicada em março, tornou-se de imediato número um em vendas no site da Amazon (que já não faz entregas grátis para Portugal!).

Nascido em Clichy, perto de Paris, a 7 de maio de 1971, ainda no rescaldo dos motins de 1968 onde os pais tinham tomado parte ativa, cresceu com os modelos intelectuais em voga na época – historiadores e filósofos da esquerda francesa –, mas foi a matemática e a economia que escolheu para o seu percurso académico na École Normale Supérieure.

Aos 22 anos, doutorou-se com uma tese sobre a redistribuição de riqueza, que escreveu na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris e na Escola de Economia de Londres, e mudou-se para os Estados Unidos para ensinar no Massachussetts Institute of Technology (MIT), onde ficou três anos como professor assistente no departamento de Economia.

Desapontado com o trabalho dos economistas americanos, regressou a Paris, para ficar, ingressando no Centro Nacional de Pesquisa Científica, como pesquisador, e tornando-se, cinco anos mais tarde, diretor de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e depois (2006) no primeiro diretor da Escola de Economia de Paris, que ajudou a criar. Um projeto que só interrompeu para apoiar, como assessor económico, a campanha presidencial de Ségolène Royal nas eleições de 2007, perdidas para Nicolas Sarkozy. Também apoiou François Hollande, mas este deixou cair as ideias de Piketty, agora o economista da moda.

Em 2002, então com 31 anos, ganhou o prémio para melhor jovem economista em França. Os problemas económicos do mundo, os meandros da renda e da riqueza, as desigualdades, com os rendimentos do capital a crescerem mais rapidamente do que os do trabalho, foram temas que nunca mais o abandonaram, tendo dedicado as duas últimas décadas a estudá-los, estendendo as suas pesquisas a outros países para além da França e dos Estados Unidos com a ajuda de outros pesquisadores, como Emmanuel Saez Isso.

Conheça, segundo o critério editorial de "Dinheiro Vivo", principais ideias-chave que o livro contém, não necessariamente pela ordem que se segue:

1- As desigualdades não são uma ocorrência passageira, mas uma característica do próprio capitalismo, e os excesso só poderão ser corrigidos com a intervenção do Estado.

2- Numa economia em que os rendimentos do capital crescem mais do que a economia, a riqueza herdada sempre crescerá mais rapidamente do que a conquistada pelo trabalho, criando níveis de desigualdade insustentáveis.

3- Se um cidadão não nascer rico, será muito difícil enriquecer só através do seu esforço, trabalho, competência e talento.

4- O período de meados do século XX em que houve um aumento da igualdade, na Europa e nos Estados Unidos após a segunda guerra mundial, deve-se a condições extraordinárias que não irão repetir-se.

5- A "meritocracia extrema" dos novos executivos com capacidades consideradas excepcionais levou a um desequilíbrio brutal dos salários. Nos anos 50, o salário de um executivo médio nos Estados Unidos era 20 vezes superior ao dos trabalhadores da empresa. Hoje está 200 vezes acima.

6- As desigualdades poderão no futuro atingir os mesmos níveis do século XIX, se não forem adotadas políticas suficientemente agressivas para contrariar essa tendência.

7- Em 2012, quase um quarto da riqueza (22,5%) encontrava-se já concentrada em apenas1% da população, um desequilíbrio que tende a crescer.

8- As políticas fiscais são imprescindíveis para a redistribuição da riqueza, não apenas na Europa e nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.

9- O crescente aumento das desigualdades ameaça a democracia, pondo em risco o futuro do próprio capitalismo.

10- A solução deverá ser a taxação dos mais ricos, através da aplicação de um imposto de 80% sobre os rendimentos acima de 500 mil dólares por ano (nos EUA).

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publicado às 09:22

Amanhã, dia 23 de Abril, é o dia mundial do livro.

Hoje, aqui, é dia de pegar num livro. No dia antes do dia.

 

Ouvi falar nesta Senhora Escritora, Clarice Lispector, no «Livro do Dia» da TSF de Carlos Vaz Marques, quando da reedição do livro «Água Viva».

Era só mais um dos muitos, muitos, que a ignoravam em Portugal. Agora menos.

De «Água Viva» saltei para «Um Sopro de Vida (Pulsações)», livro de uma suprema originalidade, que nos incomoda, nos desafia, que nos puxa o tapete.

Ás vezes, aparece um livro, que nos faz um intervalo no consumo diário, e nos dá grandeza, ainda que por instantes - divinos instantes - para olhar...e ver! E o que sentimos melhora.

 

Algumas frases de um livro que está cheio de frases memoráveis:

 

«Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz.

...

O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.

Hoje está um dia de nada.

...

Eu sou o ponto antes do zero e do ponto final.

...

Eu sempre fui e imediatamente não era mais.

...

O corpo é a sombra da minha alma.

...

É que os infelizes se compensam.

...

O tempo não existe.

...

Eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto.

...

Na eternidade não existe o tempo.

...

Hoje é hoje.

...

Mas há o hábito e o hábito anestesia.

...

Serei capaz de abandonar nobremente?

...

Tenho medo de escrever. É tão perigoso.»

 

 

No ano em que passam 35 anos sobre a morte de Clarice Lispector, a Fundação Gulbenkian apresenta a exposição A Hora da Estrela, integrada nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal. Divulgar a obra de uma das mais destacadas vozes da literatura brasileira é um dos objetivos desta exposição que ocupará a Sala de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian, entre 5 de abril e 23 de junho.

Com a curadoria de Julia Peregrino e Ferreira Gullar, a mostra já foi apresentada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro, em Brasília e em Bogotá. Mais de 700 mil pessoas viram esta exposição que mostra textos, fac-símiles, fotografias, documentos pessoais, mas também recria ambientes e cenários que inspiravam a escritora.

Nascida na Ucrânia, em 1920, Clarice Lispector chegou ao Brasil com menos de dois anos. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, em 1937, viveu em Alagoas e em Pernambuco. Passou muitos anos fora, acompanhando o marido diplomata, mas nunca se desligou do Brasil onde morreu em 1977. Perto do Coração Selvagem foi o primeiro dos seus 26 livros, hoje publicados em mais de 20 línguas."

 

Na semana passada foi editado o livro «A Descoberta do Mundo», crónicas da Escritora publicadas no Jornal do Brasil, numa edição da Relógio d´Água.

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publicado às 00:05


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