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Natal Verde(?)

28.12.18

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O preto do postal de Natal do Interior apagou-se.

Passou um ano e a Natureza fez a sua parte do Renascer. Passou um ano e parece que a natureza do ser humano não fez tão bem a sua parte.

Um Natal depois do Natal a seguir ao fogo, fica a ideia que muito aconteceu ao contrário.

Depois da “festa” do Primeiro Ano Depois, há muito Não quando se vê tudo através do retrovisor.

A solidariedade Não foi sempre bem gerida; a honestidade Não foi o pressuposto de todos; a celeridade Não foi a esperada; a unidade Não foi sempre realidade.

Neste tempo de festas, procure dar tempo ao tempo de olhar a Natureza - o preto do Natal passado morreu.

A força da Natureza esmagou o preto com o verde, a cor do Renascer.

Há paisagens que (quase) já não permitem a memória do fogo: impressionante.

A Natureza devia estar aborrecida com a natureza do ser humano. E há seres humanos que deviam usar a sua natureza para converter, para contagiar, para provocar a pobre natureza de Outros.

Há pessoas que assumiram o Renascer como uma prioridade de vida e inspirados pela Natureza e pela força da sua natureza fizeram a sua reconstrução. Outras, Não.

É desconcertante pensar que também desta vez o Interior não foi capaz de ser Todos. Só mesmo a Natureza está Toda verde…e viva!

Neste natal já não cheira ao queimado, mas cheira que muito importa fazer para não se continuar a queimar o futuro!

Há uma dolorosa ironia que agora nos queima: a chama do fogo apagou-se.

Sim, os ministros deixaram de passar; os turistas de ocasião deixaram de vir; a solidariedade deixou de chegar; as notícias deixaram de sair.

Ou o Interior é veloz na reconstrução, inteligente a olhar em frente e corajoso para se deixar de lamentos; ou o Interior será cada vez mais deserto no labirinto do seu próprio interior.

Este Natal Verde que a Natureza oferece ao Interior, é um mandato para fazer futuro.

Vitor Neves  

(publicado no jornal Folha do Centro, 21 de Dezembro 2018)

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publicado às 21:59

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O mal é nacional. O país é pequeno a reconhecer os seus que aqui são grandes. Só quando o reconhecimento dos seus é internacional, isto é, chega lá de fora, é que o nacional se curva ao talento, ao feito…dos seus! Este após é quase sempre pouco entusiástico, nada de exageros, que Portugal tem mau feitio com o sucesso: tanto o deseja como o inveja.

No interior, este mal nacional, é tão habitual que se tornou banal.

O interior precisa de gente. Precisa de gente de qualidade. Quando a gente que gosta do interior, que está no interior e ou que faz acontecer no interior, tem qualidade, faz sucesso e se distingue, o interior que é a sua pátria, não a reconhece, não a aplaude e, muitas vezes, desvaloriza-a.

Esta pequenez comportamental chega a ser cruel. Tantas são as vezes que se ouve o comentário assassino: se fosse assim tão bom, já cá não estava, já aqui não andava! – que é preciso ser mesmo superior para continuar a querer estar e fazer no interior.

O Zé do interior só deixa de ser “Zé” após sair do interior… e de vez em quando voltar ao interior, com bom carro, boa pinta e, com ar paternalista, for cumprimentando uns e outros, soltando narrativas mágicas tal como “aqui vive-se bem” e… vai-se embora! - Até qualquer dia, Senhor José.

Nada faz no interior, nada acrescenta ao interior, mas é uma estrela do interior: gente boa, com sucesso, lá em Lisboa. Se aparece na TV, nos jornais e se faz bem a sua auto promoção nas redes sociais, com ou sem fundamento que o que interessa é parecer e aparecer, então o interior sobe a admiração, de considerado para prestigiado.

Sim, é preciso ser mesmo superior para continuar a estar e fazer no interior…quando tal não seja com verdadeiro e mensurável benefício próprio. Ora, neste contexto, o risco é perder os melhores e ficar entregue a menos e piores.

O interior é cada vez mais a parte de Portugal com menos pessoas, com menos jovens, com menor geração de riqueza, com menos oportunidades. Parar e inverter este ir para o deserto, obriga o interior a ser superior no reconhecimento aos que nele investem, desenvolvem e fazem.

Se assim não for, não vai ser grande coisa o futuro do interior…  

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 27 de Abril de 2016)

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publicado às 21:41

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Não há dinheiro.

Não é o fim, mas deve ser o princípio.

O princípio de tudo: de tudo que se quer, de tudo que se pode, de tudo que se deseja, de tudo que se promete, de tudo que se pensa.

O peso da dívida é imenso, limitativo.

Tanto faz virar para a esquerda reunida como para a direita coligada, temos a dívida que não deixa dúvida: condiciona, tira espaço...não há muito onde por a mão.

O fardo da dívida é pesado, público e privado, generalizado.

O futuro de Portugal, seja perto ou longe, pouco depende de quem governa, pela idiossincrasia da nossa economia (gera pouca riqueza, pequena e com défice de produção "per capita") e pela imensa dívida, espécie de poço da morte que obriga a um haja coração constante e desgastante.

Temos que ter uma ideia de futuro, uma estratégia para o país, que não pode passar por baixar a exigência e o rigor, e tem que passar do fracturante moderno e imediato, por ser tanto, o tanto que temos para pagar.

Não podemos cair no endividados-condenados-desnorteados-coitados; temos que sair do endividados, pelo foco no conhecimento, no trabalho, na inovação, com senso e personalizados.

O mundo está cada vez mais difícil de governar, de equilibrar. Tal como a vida. Portugal faz parte do mundo e da (nossa) vida...e está só um bocadinho pior!

Políticos maniqueístas, suportados em divisões exacerbadas e em pequenos grandes ódios, podem transformar este nosso pior, liderado pela dívida, na nossa tábua de salvação (sonho?) para um futuro melhor: não dependemos deles, dependemos de outros, dependemos de fora.

Nem os da esquerda serão a perdição, nem os da direita foram ou serão a salvação.

É a dívida que nos mata. É a dívida que temos que matar.

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publicado às 18:21

Há um "outro mundo".

Um "outro mundo" de países onde falta tudo, sendo a falta de tudo o que existe para justificar uma pobreza indizível.

Não ter nada é o fracasso do passado, é o desespero do presente, é o desconfiar do futuro.

 

Portugal tem infraestruturas rodoviárias, educativas, desportivas, culturais, comerciais, etc..

Quando chegamos a "outro mundo" onde nada há, valorizamos o que aqui damos como adquirido. Ai se valorizamos.

Portugal tem tudo (ou quase), e ainda que sob uma tempestade financeira e económica, o tudo que tem ajuda a acreditar que o futuro será melhor.

 

(opinião emitida em directo de Cabo Verde (Praia) em ca$h resto z€ro/rádio, terça-feira, 16 de Julho de 2013, em Rádio Boa Nova FM 100.2 e radioboanova.com )

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publicado às 11:55

Este texto não é de humor. É de amor.

Portugal precisa de crianças. Muitas crianças.

Em Portugal estamos a ficar velhos. Numa linguagem mais moderna, devo escrever que estamos a ficar um país de seniores. De acordo com as últimas contas de 2011, por cada 100 jovens, temos 128 seniores! Nas contas anteriores este último número era 108. Daqui a alguns anos, se não fizermos filhos, em cada 3 pessoas, uma será sénior de 65 anos ou mais.

Evitando clichés, é bom que se diga que as crianças não são o melhor do mundo. As crianças são o mundo. São o futuro. No limite do absurdo, sem crianças não haverá futuro, não haverá mundo. Mais gravoso: por este andar a Europa acaba primeiro, e Portugal acaba primeiro que a Europa. É que do outro lado do Mundo continua-se a fazer filhos. Muitos filhos. Deste lado, não! Não há memória de serem tão pouco os bebés nascidos em Portugal, como em 2012. Em 1973 Portugal era um dos países mais jovens da Europa ocidental. Em 2013 é um dos mais envelhecidos.

Não falta sexo, em Portugal. E anticoncepcionais também não. Há pílulas para todos gostos, até para o dia seguinte! E comprar camisinhas é tão simples como comprar cigarros. Sim, é fácil não fazer filhos.

Sem desculpas, é bom que se desmontem os argumentos do auto conforto:

- Ter filhos para quê? Para aumentar o desemprego?

- Ter filhos para quê? Para acabarem na droga?

- Ter filhos para quê? Para emigrarem?

Ora, ter filhos para quê?! Para garantir a sustentabilidade da continuidade da espécie. Em Portugal. Nem mais.

Todos sabemos que simplificar excessivamente e generalizar é sempre perigoso e incorrecto. No entanto, é óbvio que para Portugal equilibrar o seu desenvolvimento social, cada um de nós “está obrigado” a gerar um filho. As contas são de aritmética: dois filhos por casal. Ainda que respeitando a liberdade individual de cada um, quem não faz filhos não dá o que lhe deram: vida. E sem vida(s) não há futuro.

Claro que no actual contexto económico e financeiro e na actual conjuntura de valores da nossa sociedade, ter filhos é um acto de (muita) coragem. A boa notícia é que nos anos 60 e 70 também era! E hoje tudo é e está bem melhor. Temos melhores hospitais, melhores escolas, melhores estradas e o acesso a tudo é mais fácil para (quase) todos.

Portugal precisa de filhos.

…talvez seja melhor parar de ler, atire com o jornal para onde lhe apetecer, e faça uma criança! Ah! E quando ela souber ler, mostre-lhe este texto e diga-lhe a sorrir: foi “aqui” que o futuro começou!

 

(texto publicado no Jornal Folha do Centro, edição de sexta-feira, 18 de janeiro de 2013)

 

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publicado às 11:53


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