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Carlos do Carmo é o primeiro português a conquistar um Grammy

 

A Latin Recording Academy anunciou hoje ter agraciado o cantor  de "Um Homem na Cidade" com o Prémio à Excelência Musical - "Lifetime  Achievement" no original em inglês -, uma distinção única que pretende celebrar  a carreira de um artista.

 

 

Carlos do Carmo. que muitos consideram o melhor cantor lusitano de sempre,  tornou-se o primeiro português a ganhar um  Grammy e logo numa das categorias mais consideradas, o "Lifetime Achievement",  entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da  sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou  álbum.

O fadista português foi ontem informado pelo próprio presidente  da Latin Recording Academy,  Gabriel Abaroa Jr., que havia vencido o  Grammy, tornando-se assim no primeiro português a conquistar um galardão que  também já foi entregue a Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Elvis Presley, Miles  Davis, Bob Dylan, Billie Holiday, James Brown, Tom Jobim, David Bowie, Leonard  Cohen, Johnny Cash ou, já este ano, Kraftwerk, Ney Matogrosso e Los Lobos.

O Grammy é considerado o maior e mais prestigiado prémio da  indústria discográfica, estando previsto que o troféu seja entregue a Carlos do  Carmo no próximo dia 19 de novembro deste ano, no Hollywood Theater da MGM, em  Las Vegas, Estados Unidos da América. Nesse mesmo mês estreará em Portugal um  filme documental sobre a vida e a obra de Carlos do Carmo realizado por Ivan  Dias.

Neste momento, e até ao final do ano, estará patente na  Cordoaria Nacional, em Lisboa, a exposição "Carlos do Carmo 50 Anos" cuja  inauguração sucedeu depois do lançamento do álbum "Fado É Amor", também ele  publicado em jeito de celebração do 50º aniversário da sua carreira e onde  contou com a colaboração de Mariza, Ana Moura, Carminho, Camané e Aldina Duarte  entre outros fadistas das mais recentes gerações.

Aos 74 anos de idade, Carlos do Carmo chega assim ao ponto mais  alto da sua carreira. Filho de Alfredo de Almeida, que veio a ser proprietário  da casa de fados O Faia, situada no Bairro Alto, e de Lucília do Carmo, uma das  mais distintas fadistas do século XX, de quem viria a adotar o apelido, Carlos  do Carmo nasceu em Lisboa a 21 de dezembro de 1939 onde ainda hoje vive.

A sua carreira teve início aos 9 anos de idade,  quando  gravou um primeiro disco, mas os registos oficiais dão 1964 como o tiro de  partida para um percurso carregado de canções que ficaram na história da música  portuguesa.

São igualmente inúmeros os prémios e distinções que ao longo de  uma carreira de mais de 50 anos distinguiram a sua arte de respeitar e, ao mesmo  tempo, inovar o fado. Partindo do chamado fado tradicional, mas com uma bagagem  musical onde podemos encontrar Frank Sinatra, Jacque Brel, Elis Regina ou José  Afonso, Carlos do Carmo foi construindo um reportório de onde se destaca o álbum  "Um Homem na Cidade" entre muitos outros espécimes da mais alta estirpe que  gravou ao longo da sua carreira.

De entre as sua canções mais populares destacam-se  interpretações como "Os Putos", "Um Homem na Cidade", "Canoas do Tejo", "O  Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça", "Estrela da Tarde", "Duas Lágrimas de  Orvalho" muitos deles escritos com José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo e  Paulo de Carvalho.

Carlos do Carmo foi também um dos maiores defensores do  património fadista. Com Rui Vieira Nery protagonizou a candidatura do fado a  Património Imaterial da Humanidade, distinção que viria a ser atribuída pela  UNESCO em novembro de 2011. Para a divulgação do fado "lá fora" também foi  instrumental o seu papel no filme "Fados", dirigido pelo realizador espanhol  Carlos Saura e estreado em 2007 com a sua participação e também a de Mariza,  Camané, Carminho, Argentina Santos além de Chico Buarque de Hollanda e Caetano  Veloso.

Entre as suas apresentações públicas mais relevantes contam-se  espetáculos nalgumas das mais prestigiadas salas de todo o mundo como o Olympia  de Paris, Ópera de Frankfurt, Royal Albert Hall de Londres, Canecão do Rio de  Janeiro, Savoy de Helsínquia ou a Ópera de Wiesbaden. Em Portugal, atuou no  Mosteiro dos Jerónimos, no Centro Cultural de Belém, no Grande Auditório da  Gulbenkian, no Coliseu dos Recreios ou no Casino Estoril.

 

"Uma tranquilidade que me prepara para a morte com muita serenidade", disse Carlos do Carmo, esta tarde, ao Expresso Diário.

 

 

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publicado às 21:59

Duas belas canetas, esculpidas zelosamente pelo tempo, fazem magia a escrever sobre o que todos já disseram ou como dos seus olhos saem sábias e bem encadeadas palavras sobre o que se vê e como o sentem.

Ontem, Vasco Pulido valente, no Público, era sublime, assim:

 

«Foi preciso o acto destemido e original do sr. Presidente da República (decerto encorajado por sua mulher), desprezando a hierarquia do céu, para que Nossa Senhora, a intercessora máxima junto do Altíssimo, resolvesse conceder à Troika e ao governo a "inspiração" para se entenderem e ao CDS a humildade e a paciência para se pôr lado.

O dr. Cavaco, como devia, agradeceu em público esta divina benesse, que Portugal inteiro espera que não pare de se renovar. E, de caminho, o dr. Cavaco descobriu uma nova fonte de influência, que é hoje muito necessária. Dois dias depois, já invocava S. Jorge em prol da Pátria, apesar de esse S. Jorge, bispo de Alexandria, ser também o patrono da Inglaterra e um homem excessivamente zeloso que provocou uma guerra civil local. De qualquer maneira, demonstrada a incapacidade desta República laica e, se calhar, ateia para se governar, o acesso do dr. Cavaco ao Omnipotente é sem sempre de dúvida uma garantia de ventura e paz.»  

 

Ontem, Baptista-Bastos, no Jornal de Negócios (W), escrevia de forma simplesmente superior sobre «As simples coisas da vida», assim:

 

«Mas sabe-se: no futebol, como na política, e se se quiser, por extensão, na vida, nem sempre os melhores são os que ganham. O caso Português pode servir de exemplo. Nem a Senhora de Fátima nos livrou da maldição de Gutmann... (....) Segundo a abalizada opinião do casal Cavaco, deu um jeito santificado na avaliação da Troika. De resto, tem feito o que pode. Pode é pouco... (...) Não dá para rir. O País é o que é, e a mediocridade encontra sempre respaldo, quando o racional não encontra pela frente, como resposta, a razão das coisas. Não há bruxas, mas sucedem imprevistos, nascidos desta espécie de moral e desta classe de crença, que deixa alguns de nós completamente estupefactos.»

 

Dois pedaços de escrita para guardar, sobre a vidinha de um País em situação absolutamente desesperada, e que em tal estado nos dispenda de falar de Fado.

 

 

 

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publicado às 18:11


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