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Famosos do Fogo

16.05.18

f.jpg

O Fogo.

A Fama.

Depois de ter ardido, o Interior tornou-se conhecido.

Desde o dia 15 de Outubro, Portugal acordou para o Portugal que se queimou.

A desgraça é a graça da audiência.

A desgraça é palco de graça da popularidade.

Já não há nada de novo para ver. Já não há nada de novo para dizer. Mas contínua o ir e vir.

Os daqui, do Interior, vão até Lisboa dizer que isto ardeu e que perante tanta desgraça é preciso dinheiro, dinheiro.

Os dali, de Lisboa, do poder, da oposição visitam a terra queimada e, confrontados pelas imagens e pelas histórias da desgraça, prometem apoio, apoio.

Tudo isto dá na TV. Também dá na Rádio. Também é contado nos jornais. Mas o Interior gosta mesmo é da TV.

O Interior queimado, deserto, esquecido, envelhecido é o cenário explorado até à exaustão, numa novela que já vai em registo de várias temporadas, em que diferentes protagonistas se tornaram figuras conhecidas do fogo – uns legitimados pelo que fazem, outros fazem tudo para parecer legitimados!

São os (nossos) famosos do fogo. São os filhos da fama do grande incêndio.

Talvez não seja bonito escrever assim, mas é o que se sente ao assistir ao desfile de vaidades de alguns desses protagonistas nas redes sociais – sublinhe-se, alguns - quando anunciam que hoje vou à TV, quando anunciam que hoje fui à TV, quando não conseguem controlar a exibição do ego de quem se vê na TV.      

Basta passar uns dias pelo meio da terra despida pelas chamas, para se perceber que há uma maioria silenciosa que está cansada!

Cansada de ver a nudez da sua terra na TV; Cansada de ver os amigos e os vizinhos a narrar a sua miséria na TV; Cansada de tanta popularidade daqueles que julgam ser um caso nacional ao ler o seu nome no jornal; Cansada de ver este Interior na TV, tantas vezes na TV!

A fama cansa. A fama do fogo queima.     

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 10 de Maio de 2018)

           

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publicado às 22:30

Nunca escrevi assim um título. São duas citações de outrem. É um título roubado. Sem dúvida.

«O maior desapontamento», foi a expressão da confissão do Ministro das Finanças, Vitor Gaspar, quando se referia ao desemprego que está a atingir mais de um milhão de pessoas.

«Para quê?», foi a interrogação triste, algo resignada, de uma senhora anónima para o senhor do café onde comprava pão, num entretanto de troca de «bitaites» sobre «esta desgraça» de um país que está desgraçado. (o crédito mal parado da banca subiu, num ano,  de

 4,56% para 6,29%)

 

Há instantes compostos pelo som de palavras que nos agarram e nos vestem a todos de igual! 

De nada nos serve o que sabemos, o que estudamos, o que lemos, o que pensamos, o que acreditamos. Aqui estamos todos, sob o «desapontamento» que faz eco no «para quê?» 

 

Os números, outra vez, frios como sempre, claros como nunca:

- Um desemprego de 18,2% para 2013, quando a Troika nos dizia em 2011 que em 2013 seria de 12,4%?!!!!????

O desemprego dos jovens ronda os 40%!!!! Quarenta por cento!!!!

- O défice, afinal, em 2012, foi 6,6%...ligeiramente inferior ao défice de 2011!!!!!!

Perante tal descalabro a Alemanha não se inibiu, esta semana, de falar em défice zero para 2015!...como? À custa de quê e de quem?  

- A dívida pública subiu para quase 121% da riqueza que geramos!!!!

Um páis falido, destruído, vazio, triste, sujeito a tanta austeridade e tanto imposto (e tanta miséria), para obter como resultado um desemprego record, um défice monstruoso e uma dívida que, simplesmente, é impossível de se pagar.

 

E como confiar nesta gente (Troika e Governo) que muda os números todos em tres meses, sim, em três meses!!!!

Vejamos exemplos do que mudou nas previsões para 2013, entre Dezembro de 2012 e Março de 2013 (6ª e 7ª avaliação da Troika):

- PIB: de -1% para - 2,3%

- Investimento: de -5,5% para -7,6%

- Desemprego: de 16,4% para 18,2%

- Dívida pública: de 122,2% para 123,7% do PIB.

Como é possível errar tanto e em tão pouco tempo? Como pode esta gente, perante este cenário apocalítico, encher a boca de intenções com o desejado "crescimento económico"?

 

A palavra escrita é a pedra amarrada ao pé que num ápice nos pode levar para o fundo, mas volto a escrever o que já escrevi há três anos:

- A dívida Portuguesa não tém solução: ou é objecto de perdão ou se empurra para uma distância a perder de vista....

- Sair do Euro poderá ser uma tragédia. Estar no Euro também.

- Perdeu-se uma geração (ainda «que se tenham salvo os bancos», como disse Martin Schulz).

- Ninguém, ninguém mesmo, sabe como tirar o País ( e a Europa ) do buraco negro onde está.

 

Aqui chegados, tristes com o «desapontamento», indignados e resignados no «Para quê?», somos assolados pela revolta:

«Como foi possível "isto" nos ter acontecido?»

«Quem nos fez "isto?"» 

    

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publicado às 18:20


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