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15 nomes de 2014

02.01.15

2014 chegou ao fim. Aliás, 2014, parece o ano do Fim. O que inquieta e que não se vê qualquer Começo que clame pela nossa atenção, pelo nosso interesse.   

Nem balanços, nem inventários. O que se segue são 15 nomes dos dias 2014, para memória futura dos dias que se seguem. 

 

Alemanha - É o nome de um país de gente forte, grande, competente e implacável que gera admiração e susto. Até no futebol. Ganharam o campeonato do mundo e assinaram a maior humilhação calçada de chuteiras: 7-1 ao Brasil e no Brasil. Impressionante, para sempre.

Benfica - É o nome do clube nacional que recuperou a magia das vitórias de outros tempos. O peculiar Jorge Jesus comandou o Benfica nas vitórias do Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça em futebol. Só faltou a Liga Europa, perdida nas grandes penalidades.

BES - É a sigla de um nome: Banco Espírito Santo. Nasceu na Monarquia, cresceu com a Ditadura, sobreviveu à Revolução e morreu em Democracia, 150 anos depois, a 3 de Agosto. E assim deixou de ser o banco de todos os regimes. O fim de um império, que não pará de gerar queixas e processos judiciais. O colapso de um regime e...da PT. Que estrondo.

Carlos do Carmo - É o nome maior da música de Portugal, o fado, e depois de 50 anos a cantar, A (nossa) Voz recebeu um grammy de "Lifetime Achievement". Nunca tinha acontecido. Merecido. Obrigado.

Citius - É o nome do sítio onde está escrita toda a nossa justiça. A anunciada "revolução" da justiça parou o Citius, e sem justiça não há nada. Uma confusão, um desastre, só equivalentes ao que se (voltou) a passar com a caótica colocação de professores.  

Ébola - É o nome do vírus da epidemia de febre hemorrágica que de África alastrou para o mundo e nos voltou a lembrar que, apesar de tanta evolução e tanto aparato tecnológico, a nossa fragilidade é e continua imensa. Em Portugal a Legionela fez de Ébola.

Eusébio - É o nome de um jogador maior de futebol que nos deixou no início do ano, numa partida que comoveu o país e que obrigou o jornal Público a escrever que "Eusébio nunca será suplente na equipa dos melhores de sempre". O Adeus de um Rei. Emocionante.     

Fosun Gold – É um nome que resulta de uma "montagem Chinesa". Fosun é um dos nomes dos negócios da China em Portugal. O capital não tem pátria, nem fala línguas. Quem não tem dinheiro, vende-se. Da China, chega quem pode comprar…energia, seguros, e…Novo Banco? Gold é o nome dos Vistos de mais um "negócio da China" de Tugas e também com chineses. Foram detidos o director do SEF, o presidente do Instituto dos Registos e Notariado e o ministro da administração interna; Miguel Macedo, demitiu-se. Nunca um processo de suspeitas de corrupção tinha chegado tão alto no aparelho do Estado. De olhos em bico, Só Visto(s). 

Islâmico – É o nome de um autodenominado estado (daesh, em árabe) , mais rico, mais influente e mais cruel que Al-Qaeda de Bin Laden. O Ocidente chocou-se com o terror: execuções colectivas, apedrejamentos, crucificações e decapitações, tudo filmado e exibido no youtube pelos jiadistas…que contam nas suas fileiras com milhares de jovens ocidentais, entre os quais, alguns portugueses. Uma brutalidade sem limites. 

Porto. – É o nome da marca em tons de azul e branco de uma cidade bonita à beira-mar. A Europa e o Mundo, com a ajuda decisiva da Ryanair, descobriram o Porto, que ganhou qualidade de oferta, modernidade, urbanidade e cosmopolitismo. E onde tudo é incrivelmente perto e muito mais barato do que em outro destino top da europa. O vinho do Porto também ajudou com a Wine Spectator ao eleger o Dow´s vintage como o melhor vinho do mundo. O Porto marcou o ano do turismo em Portugal. Ponto. 

Ricardo Salgado – É o nome do último banqueiro e fica para história como o Espírito Santo que protagonizou o colapso do grupo familiar. Negou culpas, distribuiu responsabilidades, passou de suspeito a arguido e pagou 3 milhões de euros para ficar em liberdade. O ex-DDT (dono disto tudo) foi eleito pela BBC como o pior CEO do ano de todo o mundo. 

Ronaldo – É o nome de uma estrela mundial, galáctica. O melhor jogador de futebol português é o melhor do mundo. Símbolo maior do Real Madrid, passou o ano a marcar golos, a ganhar troféus e competições e a bater recordes. Incansável, insaciável, tanto que nem parece lusitano. No final do ano, e ainda antes dos 30 anos, foi à Madeira inaugurar uma estátua. A sua. 

Sócrates – É o nome do primeiro ex-primeiro-ministro detido em Portugal. É o nome do preso, que parece andar à solta. 21 de Novembro, meia-noite: o aeroporto de Lisboa era o palco da detenção mais bombástica que este país já viveu. Corrupção, tráfico de influências, branqueamento de capitais e…milhões de euros, são as suspeitas sobre um homem que desperta como ninguém amor e ódio e dá (mais um) trabalho ao juíz mais conhecido em Portugal: Carlos Alexandre. Sócrates não sai dos jornais e das TVs e colocou Évora no mapa de todos os nossos dias. É lá que está preso. Com o número 44. 

Troika – É o nome daqueles que foram embora em Maio, a 17. A saída de Portugal foi mais ou menos, dado que voltarão regularmente, mas o programa de ajustamento acabou. Passaram três anos e mudou-se “o gastei isto” para “o poupei isto”. Não se ganhou a independência, porque um país endividado está sempre dependente e enTroikado. 

Vladimir Putin – É o nome do novo czar dos russos, que suplantou outros nomes como o do super-papa Francisco – que ajudou Obama a fazer as pazes históricas com Cuba - Dilma, Junker, Malala ou Pablo Iglesias do Podemos. Putin anexou a Crimeia, apoiou os separatistas ucranianos, desafiou a Europa e os EUA e fez ressurgir a guerra fria, agora sem Muro de Berlim. Sanções, fortunas bloqueadas, rublo desfeito, não o assustaram, mas parece evidenciar medo com o preço do petróleo, que está em queda livre – quem diria!?

 

15. 2015. Um ano, de novo.

     

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publicado às 19:59

Carlos do Carmo é o primeiro português a conquistar um Grammy

 

A Latin Recording Academy anunciou hoje ter agraciado o cantor  de "Um Homem na Cidade" com o Prémio à Excelência Musical - "Lifetime  Achievement" no original em inglês -, uma distinção única que pretende celebrar  a carreira de um artista.

 

 

Carlos do Carmo. que muitos consideram o melhor cantor lusitano de sempre,  tornou-se o primeiro português a ganhar um  Grammy e logo numa das categorias mais consideradas, o "Lifetime Achievement",  entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da  sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou  álbum.

O fadista português foi ontem informado pelo próprio presidente  da Latin Recording Academy,  Gabriel Abaroa Jr., que havia vencido o  Grammy, tornando-se assim no primeiro português a conquistar um galardão que  também já foi entregue a Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Elvis Presley, Miles  Davis, Bob Dylan, Billie Holiday, James Brown, Tom Jobim, David Bowie, Leonard  Cohen, Johnny Cash ou, já este ano, Kraftwerk, Ney Matogrosso e Los Lobos.

O Grammy é considerado o maior e mais prestigiado prémio da  indústria discográfica, estando previsto que o troféu seja entregue a Carlos do  Carmo no próximo dia 19 de novembro deste ano, no Hollywood Theater da MGM, em  Las Vegas, Estados Unidos da América. Nesse mesmo mês estreará em Portugal um  filme documental sobre a vida e a obra de Carlos do Carmo realizado por Ivan  Dias.

Neste momento, e até ao final do ano, estará patente na  Cordoaria Nacional, em Lisboa, a exposição "Carlos do Carmo 50 Anos" cuja  inauguração sucedeu depois do lançamento do álbum "Fado É Amor", também ele  publicado em jeito de celebração do 50º aniversário da sua carreira e onde  contou com a colaboração de Mariza, Ana Moura, Carminho, Camané e Aldina Duarte  entre outros fadistas das mais recentes gerações.

Aos 74 anos de idade, Carlos do Carmo chega assim ao ponto mais  alto da sua carreira. Filho de Alfredo de Almeida, que veio a ser proprietário  da casa de fados O Faia, situada no Bairro Alto, e de Lucília do Carmo, uma das  mais distintas fadistas do século XX, de quem viria a adotar o apelido, Carlos  do Carmo nasceu em Lisboa a 21 de dezembro de 1939 onde ainda hoje vive.

A sua carreira teve início aos 9 anos de idade,  quando  gravou um primeiro disco, mas os registos oficiais dão 1964 como o tiro de  partida para um percurso carregado de canções que ficaram na história da música  portuguesa.

São igualmente inúmeros os prémios e distinções que ao longo de  uma carreira de mais de 50 anos distinguiram a sua arte de respeitar e, ao mesmo  tempo, inovar o fado. Partindo do chamado fado tradicional, mas com uma bagagem  musical onde podemos encontrar Frank Sinatra, Jacque Brel, Elis Regina ou José  Afonso, Carlos do Carmo foi construindo um reportório de onde se destaca o álbum  "Um Homem na Cidade" entre muitos outros espécimes da mais alta estirpe que  gravou ao longo da sua carreira.

De entre as sua canções mais populares destacam-se  interpretações como "Os Putos", "Um Homem na Cidade", "Canoas do Tejo", "O  Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça", "Estrela da Tarde", "Duas Lágrimas de  Orvalho" muitos deles escritos com José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo e  Paulo de Carvalho.

Carlos do Carmo foi também um dos maiores defensores do  património fadista. Com Rui Vieira Nery protagonizou a candidatura do fado a  Património Imaterial da Humanidade, distinção que viria a ser atribuída pela  UNESCO em novembro de 2011. Para a divulgação do fado "lá fora" também foi  instrumental o seu papel no filme "Fados", dirigido pelo realizador espanhol  Carlos Saura e estreado em 2007 com a sua participação e também a de Mariza,  Camané, Carminho, Argentina Santos além de Chico Buarque de Hollanda e Caetano  Veloso.

Entre as suas apresentações públicas mais relevantes contam-se  espetáculos nalgumas das mais prestigiadas salas de todo o mundo como o Olympia  de Paris, Ópera de Frankfurt, Royal Albert Hall de Londres, Canecão do Rio de  Janeiro, Savoy de Helsínquia ou a Ópera de Wiesbaden. Em Portugal, atuou no  Mosteiro dos Jerónimos, no Centro Cultural de Belém, no Grande Auditório da  Gulbenkian, no Coliseu dos Recreios ou no Casino Estoril.

 

"Uma tranquilidade que me prepara para a morte com muita serenidade", disse Carlos do Carmo, esta tarde, ao Expresso Diário.

 

 

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