Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


festa.jpg

- Não sei se concordas comigo, mas esta festa, para mim, é uma prova de vida! 

Quem começa assim a conversa comigo é o António (nome fictício), num encontro não combinado num café da cidade, com pouca gente nas mesas ao lado.

- Eu gosto da festa do queijo. Boa ideia chamar-lhe festa. Há comida e bebida com fartura. No ano passado passei os dois dias a comer e a beber. Nem vi as gajas da televisão. Cheguei a casa a rir...dei uma beijoca à mulher, mas ela...vai dormir, vai dormir!...

Sabes, isto parece que está tudo cada vez pior. Mesmo queijo há pouco. Mas é barato. Não há ovelhas. Não há quem tome conta delas. Mas quem é que quer ser pastor?

Isto, depois de ter ardido, foi uma merda. Ainda me assustei. Aquilo foi o diabo. Por isso é que gosto tanto desta festa. Parece que estamos a fazer o manguito ao fogo: Toma! Embrulha! Ainda cá estamos!

Ah! Há outra coisa que eu gosto. Isto fica cheio de gente. Oh pá, até custa andar no centro da cidade. Há gente e carros por todo o lado. É uma festarola. Parece que até fico mais novo. Um gajo recorda muita coisa, sabes.

Estavas cá no ano passado? Há dois ou três anos vi-te na televisão...estavas, estavas! Eu vi-te, na rádio. Ai, isso foi de tarde. Antes vi-te no grande almoço, na tenda, numa mesa ao lado da mesa do Marcelo. Gosto do Homem. E tu? Na festa, por onde ele anda, é a loucura. Mas ainda não tenho uma fotografia com ele. Pode ser que seja este ano. Ele vem cá? Tenho que pedir ao Alexandrino. Também gosto dele, fala com toda a gente e também anda por todo lado. Teve azar com o caraças do fogo.

Eu gosto de ver cá tanta gente. Chateia-me ver isto vazio. Há dias que parece um deserto. É porreiro ver tanta gente de tanto sítio.

Estás cá este ano? Este ano vai ser melhor do que no ano passado. Temos que ir beber um copo, os dois.

No ano passado estávamos todos f......! Isto ainda estava preto, ainda cheirava ao fogo. O pessoal andava de cabeça baixa, triste. Morreu muita gente, pá. E muitos perderam tudo. Olha eu bebi e comi para esquecer! Sabes como é, um gajo tem que arribar.

Agora, já passou mais de um ano, a coisa já está mais verde, alguns já voltaram a ter casa. Vai ser uma festa. Tem que ser. É preciso.

 

( - ...estás a fazer muitas perguntas! Vais escrever o que te estou a dizer?-

- vou.

- Oh pá, tu vê lá. Não digas o meu nome. Mas vais escrever mesmo?)

 

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 12 de Março 2019)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

Rodrigues-Gonçalves.png

O trailer do filme podia escrever-se assim:

Rodrigues Gonçalves tem um percurso curioso na vida política de Oliveira do Hospital e pouco habitual. Quando quis ser Presidente da Câmara Municipal, com as cores do PS, concorreu e perdeu! Quando não se apresentou para ser Presidente da Assembleia Municipal, a Presidente chegou. Mas não ficou. Não vai ficar. O PS não confiou. Um percurso peculiar, algo atribulado, com alegrias e tristezas mas sem drama.

A sinopse da (boa) história deste homem, com quem tenho uma relação cordial, é um instante de escrita:

- fez-se gente a pulso e em Lisboa e carreira na função pública. Cultivou-se.

- um dia quis ser profeta na própria terra. Correu mal. Tão mal que na noite da derrota nem apareceu…

- nem desapareceu. Sem nunca deixar de ser Daqui (de Avô) e do PS, chegou à Assembleia Municipal…

- onde Lopes foi protagonista de uma destituição sem antecedente…e empurra Rodrigues Gonçalves para Presidente!

- com eleições à porta pede a confiança do PS local! O PS disse não. Saída? Sair. Ir.

Tal como na fita sobre Button, tudo na vida política de Gonçalves “é ao contrário”. Nem isso o impediu, na hora do anúncio, de exibir uma elegância ímpar - diz que continua a ser de Oliveira do Hospital, de Alexandrino, do PS. Não reclama, não cobra, não clama.

Ninguém pareceu valorizar muito tanta grandeza e tanto saber estar: sem sangue, sem lágrimas, sem ira, sem drama, sem ajuste de contas, sem ameaças. Tudo dito sob a mais absoluta tranquilidade, elevação e naturalidade. Impressionante. Será Gonçalves deste mundo?

Rodrigues Gonçalves há muito que é figura de destaque no concelho e na região com os seus escritos (o último livro foi dedicado à Filarmónica de Avô)) e recentemente tem dado a conhecer a sua faceta de “especialista” em inteligência emocional - uma espécie de Augusto Cury das Beiras - na Rádio Boa Nova e nas redes sociais.

Num recente “post” de Rodrigues Gonçalves, subordinado ao tema “aprenda a viver com a crítica”, está estampado o seguinte provérbio:

“nunca discutas com um cabotino, ele leva-te (baixa-te) para o campo dele e vence-te pela experiência.”

Alguém no PS de Oliveira do hospital terá lido isto?

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 de Julho de 2017)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:53

Todos contra Um.

08.06.17

Eleições-autárquicas.jpg

 

O Poder não mata. Desgasta.

Alexandrino, o Presidente, sabe? Sabe. Mas não quer saber.

O PS sabe? Sabe. Mas não há nada a fazer.

O Homem que está no Poder em Oliveira do Hospital há quase 8 anos, gosta de mostrar que é independente, do PS e da política. E nestes dias de (pré) campanha, falta-lhe manha. José Carlos Alexandrino não é assim.

O também Homem forte da CIM, gosta de fasquias altas, de riscos grandes, de desafios disputados, de impossíveis pouco avisados. Não faltam exemplos: a Estrada, os Médicos, a ESTGOH…e agora a (re)Eleição. José Carlos Alexandrino é assim.

Alexandrino quer ganhar e já disse como quer ganhar: com mais votos do que da última vez, isto é, com um novo “record” de votos. Mais de 8 379 votos… e talvez até sonhe com um 7-0!

O atual Presidente podia não o dizer, ou não o dizer como o diz, mas disse, mas diz.

As eleições autárquicas em Portugal americanizaram-se. O partido conta pouco e as equipas pouco contam. O candidato a Presidente é a cara e o nome da candidatura. Está no cartaz. Está em cartaz.  

Em Outubro, Alexandrino tem tudo para ganhar. E muito para perder.

Pode perder votos.

Pode perder mandatos.

Pode perder-se, se perder a maioria!

E qual a razão para tanto poder perder? O usufruto do Poder.

Todos os candidatos da Oposição vão ter muito para dizer sobre como Alexandrino usou o Poder. Ainda “a coisa” está a começar e já se percebeu que os adversários não vão ser nada dóceis, nada.

Bem vistas as coisas, Albuquerque e Alves, pouco ou nada podem perder. Ganhar para Eles pode ser perder por pouco ou, pelo menos, por menos. Não foram Poder e sempre podem reivindicar o estatuto que a dúvida confere: com Eles no Poder é que era Fazer.   

Alexandrino tem sido protagonista de um discurso pouco político, talvez demasiado autêntico, talvez um bocadinho ingénuo, talvez demasiado emocional. Alexandrino não tem escola de “jota”, o que se nota.

E ainda falta aqui um “como se sabe”. Sim, como se sabe, o usufruto do Poder também ajuda muito a preguiça da democracia, a abstenção: O Homem vai ganhar. Nem é preciso ir votar. E assim se podem perder votos…

Alexandrino podia ter dito que ganhar é ter mais um voto que o adversário, ou qualquer coisa neste registo! Mas, não! Ele quer isto assim, com sal, com provocação, com emoção. E haja coração.

Uma certeza Alexandrino já deve ter: a campanha vai doer.

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Junho de 2017)

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:25

Um olhar sobre as Autárquicas 2013...

Nacional

 

Vencedor: Rui Moreira

Vencido: Luís Filipe Menezes

 

- Abstenção recorde: 47,4%.

Este número quer dizer, em linguagem simples, que em cada universo de 10 votantes apenas 5 votaram.

E a legitimidade democrática, nomeadamente de quem ganha?

Os votos brancos foram recorde e superaram os votos no CDS-PP!

Os votos brancos e nulos foram outro recorde que igualou os votos nos Independentes!!

O sistema a mudar por dentro? (I)

 

- PSD grande derrotado. BE desapareceu.

 

- PSD, CDS e PS perderam quase um milhão de votos.

O PS ganhou como nunca tinha ganho: mais votos do que a concorrência; mais câmaras; mais mandatos; conquistou a ANM…mas perdeu eleitores, perdeu votos.

O sistema a mudar por dentro? (II)

 

- CDU: grande noite. O Alentejo é outra vez vermelho. Quem diria.

 

- CDS-PP: um “penta” de câmaras salvador. Portas, na noite eleitoral, foi malandro com Passos e o PSD, a quem roubou câmaras.

 

- Independentes: movimento crescente, ainda que não uniforme, e que veio para ficar. Grandes conquistas: Porto, Matosinhos e Oeiras.

O sistema a mudar por dentro? (III)

 

- O fim das "eternidades": Braga (PSD, antes PS de Mesquita Machado); Guarda(PSD, antes PS); V. N. Poiares (PS, antes PSD de Jaime Soares)

 

- Os vivas ao condenado e preso Isaltino: indigno!

 

- A contagem e divulgação dos resultados (MAI): um fiasco penoso e lamentável e…caro, pelo que se sabe. E as sondagens também se espalharam…

 

Regional

 

Vencedor: Álvaro Amaro

Vencido: Barbosa de Melo

 

- Viseu manteve-se laranja, agora com o ex-governante Almeida Henriques; Guarda mudou para o PSD com Álvaro Amaro; Coimbra mudou para o PS, com o regressado Manuel Machado.

 

- Nelas: PS ganhou no voto-a-voto com o PSD (ambos chegaram aos 44%...)

 

- Municípios Adiber (Arganil, Góis, Oliveira do Hospital, Tábua): tudo na mesma….em Seia também…em Gouveia regressou o PS.

 

Local

 

Vencedor: José Carlos Alexandrino

Vencido: António Duarte

 

- E tudo o PS levou.

Vitória plena sem paralelo histórico.

Câmara Municipal: PS 6; PSD 1

Assembleia Municipal: PS 15; PSD 5; CDS-PP 1

Juntas de Freguesia: PS 13; I 2; CDU 1

 

Nota: Cristina Oliveira, a candidata do PSD, muito bem na hora da derrota (e também José Vasco Campos): fair-play e tranquilidade, ao prestar declarações em exclusivo e EM DIRECTO para a Rádio Boa Nova, no especial Autárquicas 2013.

 

 

(opinião emitida em ca$h resto z€ro/rádio, segunda-feira, 30 de Setembro de 2013, 18:30, em Rádio Boa Nova FM 100.2 e radioboanova.com )

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:11

Domingo, dia 29, depois dos votos contados, José Carlos Alexandrino vai fazer mais uma festa, a da vitória!

Escrever uma opinião é um risco. Escrever uma previsão é o risco. Arrisco.

Os especialistas dizem que no jogo eleitoral autárquico os adversários do candidato- Presidente em exercício nunca ganham as eleições, este é que as pode perder. Não parece que em Oliveira do Hospital tal vá acontecer.

José Carlos Alexandrino pode mesmo conseguir o impensável para o PS há quinze ou vinte anos atrás, num concelho outrora satélite do cavaquistão: duas vitórias autárquicas consecutivas e a segunda com maioria!

José Carlos Alexandrino, conhecedor da importância da técnica e da táctica dos seus tempos de «mister», deu provas de ter aprendido a técnica da política e ser bom na táctica, não mexendo na equipa, nem nas posições e sabendo tirar proveito do apoio do comunista António Lopes. E quer muito ganhar!

Oito anos como Presidente do Município de Oliveira do Hospital vão gravar o nome de Alexandrino na história política do concelho e do distrito e pode muito bem acontecer que ao chegar a casa no domingo de madrugada se possa ouvir a sua voz, da janela do quarto, no grito que James Cameron imortalizou na voz de Leonardo Dicaprio: «I´m the king of the world.» No mar autárquico não há icebergs.

Há quatro anos Alexandrino e o PS ganharam porque o PSD estava (re)partido, por dois. Quatro anos depois o PSD parece na mesma, partido, apesar da determinação, do tom aguerrido e do bom ar de Cristina Oliveira, a candidata. 

A simpatia que transpira a candidatura do CDS-PP até pode atrapalhar mais Cristina Oliveira do que o actual Presidente da Câmara. Assim, do lado político-partidário não parece existir grande ameaça para a reeleição do professor.

E a avaliação do mandato por parte dos munícipes? Ora é aqui que entra a palavra da moda inventada por políticos e economistas: Contexto(!), que mais não é do que a desgraça financeira e económica que tomou conta de tudo e de todos e obrigou a que tomassem conta de Nós, Portugueses.

O Contexto foi o maior inimigo e o maior amigo de Alexandrino. Inimigo durante o mandato e amigo no dia do voto.

O desemprego, a falta de investimento, as freguesias, as escolas, etc., tudo se explica no Contexto.

Sim, é razoável admitir que Alexandrino não fez mais e melhor por causa do Contexto. Sim, é razoável admitir que muitos vão votar PS porque o Homem não podia fazer mais no actual Contexto.

Valha a justiça no reconhecimento que Alexandrino leu bem o Contexto.

Passou a vestir a camisola do PS por dentro, controlou as contas (chamou para a tarefa um Homem do PSD!) e virou-se para as pessoas. Aproximou-se delas. Solidarizou-se com elas. Fala com toda a gente. Mostra disponibilidade para ajudar toda a gente. Conhece toda a gente em todo o lado.

Alexandrino apostou em promover as pessoas promovendo a sua terra. Encheu as pessoas de orgulho com eventos e festas a mostrar o que era delas e para elas, do queijo ás bicicletas, da moda aos carros, do Quim Barreiros ao Tony Carreira e…Você na TV- não sei se ainda há um «oliveirense» que não tenha aparecido na televisão.

Tudo isto somado vai dar muitos votos. E a vitória.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, terça-feira, 24 de Setembro de 2013)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:35


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Junho 2019

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30




Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D