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Apontas para o rosto sarcástico do sol de Inverno
E disparas. Há tantos meses que não chove – reparaste?
É o próprio céu a desistir de ti. E mesmo assim tu disparas, só sabes disparar.
Estás enganada, Europa. Envelheceste mal e perdeste a humildade.
Não é contra o sarcasmo que disparas, não é contra o Inverno,
Nem sequer contra o insólito, contra o desespero.
Tu disparas contra a luz.
Podes atirar-nos tudo à cara, Europa: bombas, palavras, relatórios de contas.
Podes até atirar-nos à cara um deputado, uma cimeira.
Mas os teus filhos não querem gravatas. Os teus filhos querem paz.
Os teus filhos não querem que lhes dês a sopa. Os teus filhos querem trabalhar.
Há tantos meses que não chove – reparaste?
A terra está seca. Nem abraçados à terra conseguimos dormir.
Enquanto te escrevo, tu continuas a fazer contas, Europa.
Quem deve. Quem empresta. Quem paga.
Mas os teus filhos têm fome, têm sono. Os teus filhos têm medo do escuro.
Os teus filhos precisam que lhes cantes uma canção, que os vás adormecer.
Eu acreditei em ti e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos.
Se estamos calados, Europa, é apenas porque, contrários ao teu gesto,
Nós não queremos disparar.

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Filipa Leal " A Europa"

 

Renshi.eu é um poema em cadeia escrito por 28 poetas de 28 países europeus, que abordam de forma literária as questões do presente e futuro da Europa. Cada poeta começa a escrever a partir do último verso do poema anterior, dando origem a uma obra gigantesca que espelha uma miríade de olhares e referências culturais. (2012)

Fonte: Berlinda.Org

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publicado às 22:42

A Europa

03.03.14

É a Europa que nos une.

É a Europa que nos ajuda.

É a Europa que nos pune.

 

E desta vez, por responsabilidade própria e responsabilidade alheia ( da Europa!), doeu:

- Mais de 700 mil desempregados oficiais (e já foram muito mais);

- Mais de 2,7 milhões de pessoas a viver no limiar da pobreza;

- Mais de 660 famílias deixaram de pagar a casa ao banco;

- Mais de 300 mil deixaram Portugal nos últimos dois anos;

- Mais dívida, mais empresas insolventes, mais juros (3 vezes superiores ao juros pagos pelas empresas no centro da Europa), mais vidas destruídas, perdidas.

 

Até Maio, em vez de se discutir o Francisco e o Paulo, talvez fosse melhor discutir A Europa:

- Queremos a Europa?

- E se queremos a Europa, que Europa queremos?

- E o que queremos ser Nós, Portugal, na Europa?

 

Desde 1 de janeiro de 1993, data de entrada no mercado único, Portugal só convergiu com a União Europeia em 7 dos 21 anos.

Faltou preparação a Portugal para o mercado único e mais tarde para a moeda única, o Euro.

 

E agora?

 

 

(partilhado em ca$h resto z€ro/rádio, segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014, na Rádio Boa Nova em FM 100.2 e radioboanova.com) 

  

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publicado às 00:27


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