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Medodemia

05.04.20

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- Tenho medo!

Tenho medo que o vírus se encontre com os meus filhos.

Tenho medo que daqui a um instante não consiga pagar salários.

Tenho medo que daqui a uns dias chegue a desgraça de faltar tudo.

Tenho medo de acordar e sentir que viver é…sobreviver!

Tenho medo pelo tudo que está a acontecer, mas não tenho medo de ter medo.

Também não tenho medo de o dizer em público. Tenho até medo que o meu “tenho medo” seja universal.

Tenho medo, mas quero seguir. Vou respeitar, cuidar, mas não vou parar. Não quero, não quero parar. Tão pouco vou parar de acreditar que isto vai passar.

Confesso, no entanto, que me custa escrever…

Uma “coisa” chamada coronavírus, uma “coisa” também chamada Covid 19, num ápice senta o ser humano na sua imensa fragilidade, na sua indizível impotência.

Logo por estes dias, em que parecia que tanta tecnologia, tanta ciência, tanta cura impossível, tanta longevidade, tanta ilusão de eternidade, tinham transformado o nosso ser humano num ser invencível e inexpugnável.

Afinal…

Afinal, de repente, tudo isto é frágil, demasiado frágil e parece que tudo se vai desmoronar, tal a velocidade com que se alterou o modo como vivíamos, se limitou a liberdade que tínhamos, se instalou o limite em tudo o que fazemos, queremos ou imaginamos.

Afinal, quase sem darmos conta, damos conta que não há esconderijo, não há fuga possível, estamos encostados á parede! E um sentir incrédulo, que não se consegue desenhar, magoa-nos até ao osso quando olhamos todas as nossas prioridades e tudo parece ter deixado de fazer sentido. Sim, o vírus roubou o sentido ao que nos fazia sentido…

O ser humano tem uma capacidade ilimitada de se socorrer do irracional, do despropositado, do inconsciente, do sonho para se manter á tona e continuar, e continuar agarrado a tudo, até ao ditado que um dia sentenciou que não há mal que sempre dure.

…no filme “Western Stars”, a voz de Bruce Springsteen diz-nos: temos que continuar a caminhar, no escuro, sabendo que é lá que está a manhã seguinte.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 12 Março de 2020)

ps.: Fez bem o Município de Oliveira do Hospital em cancelar a Festa do Queijo Serra da Estrela. A coragem do bom senso em uma decisão acertada.      

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publicado às 18:28

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Este texto é um cromo repetido.

Já colei esta mensagem na caderneta da Rádio. Hoje vivemos inundados de ruído de tanto que, para nos fazermos ouvir, importa repetir. Aqui está a repetição, desta vez na caderneta do jornal, desta vez sem áudio, outra vez sem filtro.

Começa assim:

O tempo é tramado. O tempo é (ainda mais) tramado para e com o Interior.

Às vezes, faz calor, o Interior arde, e falta a luz.

Outras vezes, sopra o vento, caem árvores, e falta a luz.

Sempre que falta a luz, dá jeito ter um gerador.

Se o local onde falta a luz é dedicado à saúde, a existência de um gerador, além de dar um jeitão, é uma obrigação.

O tempo é tramado.

O tempo passa.

Passou tempo, desde os incêndios de Outubro de 2017 até à ventania de janeiro de 2020, e o Centro de Saúde de Oliveira do Hospital contínua sem gerador!

Ministros, Presidente, outros mais ou menos notáveis da política e de cargos públicos nacionais e regionais, visitaram e vieram ver com os seus próprios olhos a desgraça de Oliveira do Hospital: tudo queimado, preto.

O Ministro da Saúde, quando da sua visita, fez o costume: prometeu. Prometeu o gerador.

O tempo passou, o gerador não chegou. Até hoje.

Como é possível?

Como foi possível?

Como é possível que nada aconteça, que ninguém se indigne, que ninguém proteste?

Como é possível que ninguém grite?!

Parece difícil assegurar luz, para que a saúde do Interior saia das trevas onde sobrevive.

O Interior continua a fazer caminho através de um túnel onde já se vê o fundo, mas não se vê a luz.

Falta energia ao Interior. E não há gerador.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 29 Janeiro de 2020)

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publicado às 18:21

NATALidade

05.04.20

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A capa do jornal não deixava espaço para o bolo rei do Natal: natalidade volta a subir mas interior fica para trás.

Dentro da notícia dizia-se que dentro do país, o menos é de tal maneira crescente que “o Interior fica cada vez Mais para trás”. Este “Mais” é um traço de destino para a fava.

Neste deve e haver de nascimentos e óbitos, o saldo é vermelho. O nascer está a perder com a morte. Pouca sorte. O Interior quando conta as pessoas apura “um caixa” de cada vez menos e…mais velhos.

É dramático. Muitos a sair, poucos a nascer e a paisagem humana cada vez mais grisalha.

Falta gente (jovem) em todo lado, em qualquer lado.

A demografia é a terrível radiografia do poder autárquico do Interior.

Vê-se tudo. E é evidente que os medicamentos já não fazem efeito. Duas décadas de discursos, debates, programas, anúncios, festas e eventos e é isto: são cada vez menos os que ficam, são cada vez mais os que não fazem filhos.

O poder autárquico do Interior pode não ser muito, mas a derrota é grande. A bandeira da proximidade sofre cada vez mais de falta de próximos.

O que fazer? Eis a questão. Eis a grande questão.

Talvez começar por um sobressalto.

A demografia exige que quem quer um país Inteiro fale alto e se foque de alto a baixo no desafio.

A natalidade não é uma prioridade, é uma necessidade. E ninguém faz filhos com luzinhas de natal e comboinhos. Filhos sempre rimou com sarilhos. Hoje a rima é mais forte. É fácil de dizer, não é fácil de resolver, se insistimos em não ver…e procurar entender.

Mas o que fazer? Eis a questão. Outra vez a questão!

Talvez importar pessoas.

Sem natalidade, a felicidade pode estar na contramão do vir com o ir.

O Interior vai ter que a abrir o coração à Imigração!

Sim, ou Interior vai fazer “compras no mercado” das Pessoas, ou vai parar perto, no deserto.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 19 Dezembro de 2019)

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publicado às 18:09

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Já tinha passado a hora de jantar e “Chovia bem”, como se diz no Interior.

Ao outro dia tinha que voltar. Fiquei, não viajei. Decidi dormir ali, na vila.

Gosto da rua para me libertar do cansaço. Como bom beirão, ignorei a chuva e fiz-me à calçada.

Durante o passeio, passaram por mim dois ou três carros. Não passou por mim, a pé, uma única pessoa.

Tudo fechado, incluindo cafés e similares. Muitas lojas com sinais evidentes de “o fechado” já ter muito tempo. Outras lojas, tinham ainda ar de existir, mas com imagem de resistir: velhas, gastas, ultrapassadas.

A luz de algumas das ruas era pouca, ou fraca. Quase todas as lojas com a luz apagada, sem montra iluminada. “É preciso poupar”, disseram-me no dia seguinte.

Em alguns instantes, senti-me como se estivesse a passar no dia depois do apocalipse. Parecia que aquilo tinha acabado. Que toda a gente se tinha ido embora.

O silêncio, a chuva, o chão molhado e Eu.

Sim, só Eu, no escuro da noite salpicado pela luz ténue do candeeiro público.

Na esquina em que mudava de rua, surpresa, um café aberto. Entrei. O dono e dois ou três amigos e muitas mesas e cadeiras vazias.

Fiz conversa: - Então, não se vê ninguém e ainda nem dez horas são? – Pois não, e não é da chuva, agora somos poucos e estamos velhos. Há muita casa vazia, não há negócio, o pessoal vai comprar aos centros comerciais da cidade, muitos foram para lá viver, os filhos foram para lá estudar. - Há aqui muita empresa, há emprego!, atalhei eu. – Sim, mas muitos trabalham cá, mas não são de cá, não vivem cá, isto está sem vida. Antigamente, num dia assim, tinha o café cheio. Hoje a rapaziada também gosta de estar em casa, com a internet…o destino disto é negro, qualquer dia não mora cá ninguém, só cá ficam os velhotes.

A conversa continuou, sempre num registo de tranquila resignação e sem azedume, nem com nada, nem com ninguém.

No hotel fui recebido com o sorriso de quem gosta de ver alguém chegar e que diz ser “daqui”.  Dormi num espaço consumido, demasiado usado e com um cheiro incomodativo do tempo passado. Já nem o hipotético charme do tempo, salva o sítio da imagem de que os melhores tempos talvez não voltem mais, tal a evidência do fim à vista.

Escrevi o ponto final ao escuro da noite e ao destino do Interior, ao desligar um candeeiro que me provocou saudades da minha avó e da minha infância.

O Interior não Chega longe, cada vez é menos Livre e não tem energia para um grito de Iniciativa Liberal. Pois! Estas novidades políticas vivem sob a luz de Lisboa.      

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 15 Novembro de 2019)

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publicado às 17:58

14-2

05.04.20

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Isto é uma prosa. Vamos evitar os números. No entanto, começamos assim:

- 10 anos. Dez anos é muito tempo, diz a canção.

Foi este tempo que tirou mil seiscentos e trinta e nove potenciais eleitores ao concelho de Oliveira do Hospital. Sem surpresa: menos pessoas, menos eleitores.

Nesse mesmo tempo, quem perdeu mais votos do que o concelho perdeu de potenciais eleitores, foi a Direita, com nomes: PPD-PSD e CDS-PP. Vamos conferir: em 2009 estes dois partidos conseguiram 5901 votos; em 2019 a soma dos votos não passou os 3503. Em dez anos a Direita Clássica perdeu, em Oliveira do Hospital, dois mil trezentos e noventa e oito votos!

Em 2009 o PS ganhou, tal como em 2019. Mas se o PSD e o CDS fossem uma coligação, ganhavam.

Em 2011 o PSD ganhou, sem coligações. Em 2015, o PSD juntou-se ao CDS e ganhou outra vez, mas somou menos votos do que tinha somado sem o CDS em 2011. Ainda assim, sempre acima do registo dos 5000 votos. O PS, depois de 2009, não conseguiu ir além do intervalo entre os 3400 e os 3800 votos.     

Os sinais de 2015 eram uma evidência: o PSD, que então ganhou a nível nacional, estava em queda livre em Oliveira do Hospital.

Em 2019 o PSD contou apenas 3080 votos. Em 2009, 4675. Ao PS, em 2019, bastou-lhe subir cerca de 250 votos para somar 4003 votos e voltar a ganhar em Oliveira do Hospital, dez anos depois. Do lado da Direita mais pronunciada, o cenário é ainda mais esclarecedor: o CDS perdeu dois terços dos votos na última década. A estrelinha da Esquerda brilha ainda mais se chamarmos ao exercício o Bloco de Esquerda, que quase chegou aos 800 votos no último acto eleitoral, a sua melhor votação de sempre na terra do cavaleiro.

O outrora bastião laranja mudou de cor. Agora os tons são muito mais rosa.

Todas estas contas se resumem num placard tipo futsal: 14-2. Na soma de 16 freguesias, agora somam menos em consequência das uniões, o PS ganhou em 14!

Não vale meter nestes apuramentos o efeito nacional. Apesar da vitória do PS, o PSD ganhou, como habitualmente, em Viseu: também não vale meter Alexandrino neste barulho, o Presidente do Município e da CIM, dado que ele já cá estava em 2015 e nas últimas eleições locais somou o dobro dos votos do PS.

Este texto não é uma análise política, o que tornaria obrigatório falar da galopante abstenção. Este texto é uma nota de preocupação pela democracia, que respira saúde na possibilidade de alternativa.

Em Oliveira do Hospital, essa saudável possibilidade parece estar ausente!...E a democracia doente(?).

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 10 Outubro de 2019)

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publicado às 17:43

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A morte de Santiago Nasar foi muito anunciada.

Os assassinos anunciaram, a quem os quis ouvir, que iam matar Santiago. Assim a reza a célebre Crónica de Uma Morte Anunciada de Gabriel Garcia Márquez, que relata o acontecimento 30 anos depois.

Se toda a gente sabia que a tragédia ia acontecer, como é que foi possível ter acontecido?

Resposta simples: ninguém quis saber; ninguém acreditou; ninguém fez caso; ninguém se incomodou.

O destino do Interior, do Interior Norte, Centro e Sul é todos os dias anunciado.

O tempo passa a todo o instante e quando paramos para contar os efeitos do tempo que passou, o Interior tem menos gente, muito menos gente. O exemplo da perda de gente nos distritos da Guarda, Viseu e Coimbra é, também, o exemplo da perda de eleitores.

Sim, é assim: se há menos pessoas a eleger, menos pessoas serão eleitas. Sem eleitores não há eleitos. O Interior perde gente na terra natal e na “terra da representatividade”: o parlamento. Menos gente, menos voz.

Quando falta gente também falta energia. A rede de distribuição de gás natural foi instalada, há uns anos, no litoral.

O gás natural pode chegar ao Interior, mas não chega naturalmente. Nem ao mesmo (bom) preço...do litoral!

O Interior não anda realmente sobre rodas.

Os transportes públicos de Lisboa e Porto são altamente subsidiados, por todos os Portugueses. Os do Interior só vão a Lisboa ou ao Porto de vez em quando, muitos do Interior passam anos sem lá ir, mas pagam todos os dias as deslocações que não fazem e o benefício do qual não usufruem.

Se todo o Interior vê estes e outros sinais que lhe anunciam um trágico destino, como é que é possível que tudo isto esteja a acontecer?

A resposta é simples: ninguém quer saber; ninguém acredita; ninguém faz caso; ninguém se incomoda.

É impressionante como o Interior se indigna facilmente e muito com qualquer “Flop do borel” e é resignadamente indiferente ao “Nego” Futuro.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 05 Setembro de 2019)

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publicado às 17:28

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O verão não é tempo para ralação.

É esquisito começar a escrever em tons de “verde-e-amarelo”, sob um titulo que de bom gosto tem pouco!

Estes textos, que antes se designavam crónicas, de vez em quando, desenham-se em formas imprevisíveis. Eça de Queiroz, em 1867, escrevia assim sobre a crónica, numa crónica:

“A crónica é como uma conversa íntima, insolente, desleixada, do jornal com os que o lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo; espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, das ondas, dos enfeites; fala em tudo, baixinho, como se faz ao serão, ao braseiro, ou ainda de verão, no campo, quando o ar está triste.”

A definição é culta, perspicaz, irónica e…actual. Aliás, como bem complementa Mega Ferreira, no livro “Lá Fora” de Pedro Mexia: “a crónica não é feita para impressionar, mas para fazer pensar...”, e que tal se pode fazer visível, durante o correr dos olhos pelas linhas, através de “um sorriso, um esgar ou um suspiro”.   

Vamos lá então à ralação.

A primeira página da última edição deste jornal estampa uma fotografia fantástica. Importa olhar e ver bem a fotografia. Está ali o Interior de hoje, todinho. Uma enorme compaixão, muita caridade, nada de inovação, nada de modernidade. Sim, não falta dignidade no cumprimento de obrigação, mas os sorrisos são apenas por se ter recuperado o passado, não por se ter ganho o futuro. É duro, escrever assim, é duro!

No mesmo jornal, nas páginas de dentro, diz-se que o Matadouro da Beira Serra fechou. Dava prejuízo todos os dias. Não se modernizou, não inovou, acabou. Não se vai conseguir recuperar, se não se investir em algo diferente, melhor, moderno, digital e inovador. Ou é assim ou fechou para sempre, não há mais futuro. É duro, ser assim, é duro!

O Interior está como o Matadouro. Cada vez mais vazio, um destes dias dá prejuízo e…”fecha”!

Não basta o lamento, nem tão pouco basta o tão reclamado investimento “caridoso”. É preciso uma estratégia, é preciso surpreender, é preciso ser útil, é preciso ser atrativo, é preciso inovar. Ou o Interior olha para a frente e faz algo assim por e para Si próprio, ou… mata-se! Ainda que o Matadouro já esteja fechado.

Fim da ralação, Verão.

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 22 Julho de 2019)

   

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publicado às 17:04


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