Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



portugal.jpg

Reinventar o Interior.

Foi assim, de forma feliz, que o Departamento de Ciências Sociais e Humanas do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, em registo de festa da Primavera, desafiou os protagonistas a conversa a olhar para dentro do Interior e a fazer saber ao exterior como se pode existir e construir futuro, na parte do país mais longe do mar.

O debate confirmou aquilo que já se sabia: o Interior está todo diagnosticado! Desde o despovoamento, passando pelo abandono até ao envelhecimento, não faltam teorias, números e exemplos em relatórios assinados por protagonistas de movimentos, com maior ou menor mediatismo.

O debate confirmou aquilo que já se temia: não é fácil definir o que fazer, como fazer, quando fazer para que o diagnóstico não se prolongue no enunciado de um país que evolui inclinado para o litoral. Na economia, na educação, no turismo, só para citar alguns exemplos, o país já tomba para a água salgada em valores superiores a 80%.

Os Universitários convidados para acrescentar conhecimento sustentado ao desembrulhar das opiniões, foram corajosos ao deixar algumas ideias contra-a-corrente e que nos despertam de algum fastio que se apoderou do blá blá da interioridade. A saber:

- é imperativo mudar o léxico: esquecer os subsídios!

- é preciso ter cautela com o mito do turismo redentor!

- é necessário um sobressalto político, com alguma radicalidade e mudar o modelo de desenvolvimento!

- é evidente que no Interior falta dinheiro!

Convenhamos, foram autênticas pedradas no charco da conversa política, que passa a vida a prometer luas e eldorados, assim se convencendo que, com as ilusões, aquece os corações daqueles que gostam, daqueles que vivem o ou no Interior.

Reinventar o Interior.

Talvez tudo se possa Reinventar, com o assumir da sublime mensagem do académico da cidade do mondego, João Luís Fernandes, quando falou daqueles a quem lhe deve ser concedido “o direito de ficar” no Interior. Tão justo quanto decisivo: o direito de ficar onde se é feliz.

Sim, em vez de se passar a vida a lamentar os que partiram e a “desgraça” do despovoamento, parece ser um bom caminho assegurar às pessoas que no Interior se sentem bem, realizadas e completas, o direito de ficar sem se ficar com a sensação de serem pessoas da parte do país de segunda.

Talvez tudo se possa Reinventar, com o Interior a perguntar ao Litoral:

- Quero ficar Aqui! Posso?

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 11 de Abril 2019)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:31


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Maio 2019

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031




Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D