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Festas

24.06.14

O Zé gosta de festas.

De muitas festas. De todas as festas.

Arraiais, marchas, festivais, bombos, folclore, bailaricos e música popular…daquela que está sempre a rimar e que o Zé sabe cantar e assobiar.

O Zé gosta muito de festas.

O verão é uma satisfação! São tantas as festas que a vida do Zé é festa.

O Zé sabe que a festa da democracia o favorece. O Zé é um voto e a sua Câmara Municipal, a sua Junta de Freguesia, sabem que o Zé gosta da festa e o Zé quando gosta, vota.

O Zé gosta mesmo de festas.

A festa é uma motivação! O Zé arranja-se para ir para a festa, para a diversão. Cada festa é um encontro de amigos, um passou-bem ao Presidente, uns copos e uns sonhos com o palco… das bailarinas que dançam de perna ao léu e maminhas aos saltos. Como sonha o Zé com as bailarinas….

Um dia a vida do Zé mudou.

Perdeu o emprego. Gastou as economias. Perdeu-se.

Perdido, acordou uma manhã sem água…sim, a torneira secou.

O Zé foi à Junta, conhecia o Presidente das festas do passou-bem, pediu uma ajudinha, para a semana pagava. Nada.

O Zé foi à Câmara, conhecia o Presidente das festas do passou-bem, pediu uma ajudinha, para a semana pagava. Nada.

A Senhora da secretaria ainda lhe disse: ó homem tenha juízo, olha se a moda pega?!    

O Zé gosta de festas. Mas gosta ainda mais de água.

E foi com os olhos em água que bateu de frente no cartaz da festa: a Câmara e a Junta convidavam o Zé para festa de logo à noite. Entrada grátis, de borla- pensava o Zé - uma festa em grande, com o Tony e as bailarinas “despidas” a sorrir nas fotos e, a fechar a noite, anunciavam-se foguetes no ar.

A Câmara e a Junta que cortaram a água ao Zé por falta de pagamento, a Câmara e a Junta que não abriram a água ao Zé, que prometeu pagar para a semana, convidavam o Zé para ir ver o cantor e as bailarinas, sem pagar nada.

A água paga-se, a festa não.

O Zé não foi à festa.

O Zé nunca ia a festas sem tomar banho.

 

(publicado no jornal Folha do Centro em 24 de Junho de 2014)

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publicado às 23:15

País Balão II

22.06.14
 
Talvez seja um balão. Talvez não.
Talvez seja um milagre dos Santos no breu da noite.
Talvez não. Talvez seja um balão.
 
Talvez seja um pais a arder no escuro, no meio de nada.
Talvez seja a visão de Passos num sonho pouco Constitucional.
Talvez seja a luz das festas de Lisboa, de S. António: (in)Seguro ou Costa?
Talvez não. Talvez seja um balão.
 
Talvez seja um balão de S. João, a voar do Porto para Braga.
Talvez seja o símbolo da festa de um país pobrete alegrete.
Talvez não. Talvez seja um balão.
 
Talvez seja alguém a fugir daqui! Ou a chegar aqui?
Talvez seja a lua mais perto do nosso mar...dos sonhos.
Talvez seja S. Pedro a convidar todos para o seu festim, na Póvoa de Varzim.
Talvez não. Talvez seja um balão.
 
Talvez não seja nada.
Talvez seja uma ilusão.
Talvez não. Talvez seja mesmo um balão. 
 
Abençoado País que tanto festeja.

 

 

 

Notas:

1- «País Balão» editado em 23/06 de 2013 (ver em arquivo, no topo da página do blog)

2- Fotografia de 2013.

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publicado às 17:39

Ricardo Salgado

20.06.14
Ricardo Salgado
Dia 25 de Junho faz 70 anos.
Pegou no banco da família e transformou-o para ser dos maiores de Portugal.
O seu poder estendeu-se a várias áreas. Ao ponto de passar a ser conhecido por DDT – Dono Disto Tudo.
Agora, vai reformar-se da banca.

Foram 22 anos e pouco mais de dois meses como homem-forte do Banco Espírito Santo.

Tão forte e com tanto poder em Portugal que podia ter sido Rei! 

Agora, Ricardo Salgado está de saída...na mesma semana em que o Rei Juan Carlos também deixou o trono.

Na História.

 

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publicado às 23:23

Em Junho, são tantas as festas dos «Santos» ou dos «São», desde o António, ao Pedro e ao João, que fazem do Portugal do triste fado o país da alegria.

É festa, dança e marcha, alho, martelo e foguete e viva o arraial dos populares contentes. Ou felizes? 

E aqui se recorda o que Miguel Esteves Cardoso um dia escreveu: «Ninguém Tem Pena das Pessoas Felizes».

Vale a pena ler, felizes. 


"Ninguém tem pena das pessoas felizes.

Os Portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais dilacerantes, porque é isso que funciona na nossa sociedade.

As pessoas com problemas são sempre mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes.

Somos felizes, somos tontaços, não podemos ter graça nem salvação.

Muitos felizardos (a própria palavra tem um soar repelente, rimador de «javardo») vêem-se obrigados a fingir a dor que deveras não sentem, só para poderem «brincar» com os outros meninos.

É assim. Chega um infeliz ao pé de nós e diz que não sabe se há-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o inventário das tristezas das últimas 24 horas: «E tu? Sempre bem disposto, não?». O que é que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma avó, que nos atraiçoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.

E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem muito.

Sofrem, sobretudo, de «culpa». Se elas estão felizes, rodeadas de pessoas tristes, é lógico que pensem que há ali qualquer coisa que não bate certo.

As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa.

É como a polícia que vai à procura de quem roubou as jóias e chega à taberna e prende o meliante com ar mais bem disposto.

Em Portugal, se alguém se mostra feliz é logo suspeito de tudo e mais alguma coisa. «Julgas que é por acaso que aquele marmanjo anda tão bem disposto?», diz o espertalhão para outro macambúzio. É normal andar muito em baixo, mas há gato se alguém andar, nem que seja só um bocadinho, «em cima». Pensam logo que é «em cima» de alguém.

Ser feliz no meio de muita gente infeliz é como ser muito rico no meio de um bairro-de-lata. Só sabe bem a quem for perverso.

Infelizmente, a felicidade não é contagiosa. A alegria, sim, e a boa disposição, talvez, mas a felicidade, jamais. Porque a felicidade não pode ser partilhada, não pode ser explicada, não tem propriamente razão.

Não se pode rir em Portugal sem que pensem que se está a rir de alguém ou de qualquer coisa.

Um sorriso que se sorria a uma pessoa desconhecida, só para desabafar, é imediatamente mal interpretado.

Em Portugal, as pessoas felizes sofrem de ser confundidas com as pessoas contentes."

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

 

 

 

Obras do autor:

  • Escrítica Pop (1982)
  • A Causa das Coisas (1986)
  • Os Meus Problemas (1988)
  • As Minhas Aventuras na República Portuguesa (1990)
  • Último Volume (1991)
  • O Amor É Fodido (1994)
  • A Vida Inteira (1995)
  • Cemitério de Raparigas (1996)
  • Explicações de Português (2001)
  • Lorelei
  • O Musical
  • Minha Andorinha (A) (2006)
  • Com os Copos (2007)
  • Em Portugal Não Se Come Mal (2008)
  • Como é Linda a Puta da Vida , - Porto Editora -(2013)

                                        

 

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publicado às 23:59


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