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«Demo-dura» ou «Dita-cracia»

 

A interrogação mantém-se. E alarga-se.

São cada vez mais aqueles que se interrogam.

 

No dia 12 de Julho, José Miguel Júdice, no Jornal de Negócios, partilhava com o mundo uma nova terminologia, «Demo-dura» ou «Dita-cracia» que, para além da originalidade, sustentava de forma particularmente assertiva.

Júdice diz que «Houve pessoas que mandaram em Portugal, mas quase sempre em ditadura. Não samemos mandar em democracia. Não tivemos tempo de aprender e não escolhemos dirigentes capazes. Mandar em democracia é mais difícil.»

O advogado recorda que «Salazar...sobreviveu porque (a ditadura) é um regime que se adequa a uma sociedade arcaica. Toma conta e desresponsabiliza-nos. Podemos sempre dizer que a culpa é deles. Temos uma sociedade que gosta do autoriarismo. Somos impotentes como povo.(...)as sociedades arcaicas exploram o medo.(...)A coragem em Portugal é considerada uma coisa dos inúteis. O egoísmo é outra característica das sociedades arcaicas. As pessoas são manhosas, cautelosas, não confiam.»

«A liberdade é um valor a que os portugueses não dão muito valor. Não gostamos da liberdade, gostamos de anarquia.», diz Júdice que se junta aos que entendem que existe um conflito entre democracia e liberdade: «A democracia mata a liberdade, muitas vezes. E a liberdade muitas vezes não quer a democracia.(...)Historicamente vem do grande conflito entre Montesquieu e Rousseau. As origens de todos os totalitarismos, nazismo, o fascismo, o leninismo, estão no Rousseau. Toda a liberdade vem do Montesquieu.»

Júdice diz o que pensa: «Precisávamos de acabar com estes partidos. Era preciso haver um golpe...uma revolução...» 

 

No dia 3 de Agosto, Pedro Arroja, no Expresso Economia, defendia que «A proibição dos partidos será a primeira medida para restaurar Portugal. Mas, não a extinção da democracia que evoluirá para um modelo diferente. Como o nome indica, os partidos servem para partir a comunidade e são uma versão laica das seitas do protestantismo religioso. Em Portugal os partidos surgiram depois da revolução liberal de 1820 e lançaram logo o país numa guerra civil. A única fase de prosperidade económica, estabilidade e unidade nacional foi quando os partidos estiveram proibidos. Os partidos só causam ruína e miséria. Esta classe política que nos levou a o desastre não pode continuar, precisamos de pessoas novas. Os políticos vivem num mundo só deles e fora da realidade.»

O economista, gestor de fortunas que acredita em milagres e que diz que «a fé é o último acto da razão», defende como novo modelo algo baseado n´ «a eleição do Papa...O colégio representativo, com pessoas que se distinguem pelo mérito e sabedoria...tem democracia, sim, mas não votam todos...é uma elite seleccionada em função da idade do mérito, assente em homens maduros, homens de julgamento.»   

 

Democracia? Ditadura? Demo-dura ou Dita-cracia?

 

 

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publicado às 15:45


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