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o T1 do poder!

05.07.15

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Isto é uma partilha. Nas redes sociais é hábito partilhar. Esta é uma partilha transcrita com tempo e modo, para dar tempo para pensar. Nem que seja só por um instante....

 

O que a seguir se partilha foi escrito por Pedro Santos Guerreiro, ontem, no Expresso:

"... Mas quando se viu esta semana a elite política portuguesa arrumar-se numa sala por causa do livro de Miguel Relvas percebemos que estamos com a cabeça na Grécia e os pés de molho. O Portugal ali representado é o mesmo T1 que sempre mandou nisto. Sai Salgado e sai Sócrates mas o sistema adapta-se como se fosse mercúrio, um líquido que não molha e que uma seta trespassa sem furar. Não foi uma reunião simbólica, foi hiperbólica. Estavam lá todos, os que sempre estiveram e os que sempre tentaram estar, na eterna cobiça de um lugar ao sol dos que têm poder e participam no negócio.

... Se restasse pudor, Miguel Relvas teria feito a reunião à porta fechada. A porta escancarou-se para demonstrar que há escândalos políticos sem mortes políticas. Ali o negócio é influência. E a influência estava ali vibrava e gritava: eles mandam. ..."

 

...e neste instante, o poder escrever, que aqui é o nosso poder, fica por aqui! 

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publicado às 10:39

Escrito e publicado, com fotografia, nome e endereço de email.

Escrito e publicado num país que parece anestesiado.

Nada acontece. Nada.

Dois jornalistas, no Expresso, escreveram o que segue.

Aqui se guarda (e partilha) em post. Até um dia. 

«A banca em Portugal é um cesto de vergonha, onde imperou a má gestão, a aldrabice e o crime.

Os casos não são todos iguais, mas quando olhamos para o resultados vemos que seis bancos(1) portugueses faliram ou estiveram lá perto nos últimos anos. BCP, BPP, BPN, Banif, CGD e BES ou desapareceram ou precisaram que o Estado injetasse quantias consideráveis de dinheiro para os salvar. Os bancos na sua globalidade foram obrigados a registar imparidades de quase €30 mil milhões nos últimos anos. Só o estado tem um histórico pior em termos de destruição de valor. No entanto, os gestores responsáveis continuam por aí, como se nada fosse.

A análise pode ser simplista e até injusta para alguns bancos, mas não deixa de ser verdadeira. A banca portuguesa é, regra geral, de má qualidade. Não é por acaso que o único banco privado que consegue ganhar consecutivamente dinheiro no mercado nacional é espanhol: o Santander. Todos os outros só lucram devido às actividades que têm no exterior.» (1) o autor não mencionou o BPI.

João Vieira Pereira, Expresso Economia, 1 de Novembro de 2014

 

«...antes de tudo, acima de tudo e depois de tudo há um colapso gerado por pessoas com nome e que tem uma esquadria criminal, com palavras como fraude e burla escritas.»

Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15 de Novembro de 2014 

 

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publicado às 17:39

Com a ajuda de Pedro Santos Guerreiro, do Expresso, recupera-se o que um dia disse Ricardo Salgado sobre Filipe Pinhal e no que se tinha transformado o BCP:

 

«numa lamentável comédia que destruiu a um nível sem precedentes o valor do banco que geriram; que pôs em causa a credibilidade do sector e do país; e que envergonhou todos aqueles que empenharam as suas vidas e o seu património numa profissão que faz da discrição e do sigilo, da contenção e da prudência, da fidelidade e do dever fiduciários uma sagrada regra de vida.» 

 

Há quanto tempo estamos a desabar?

Pergunta André Macedo, do Dinheiro Vivo, que nos ajuda a reflectir sobre o momento.

 

Reputações que se julgavam sólidas desaparecem.

Ontem BEStial. Hoje BESta.

Está toda a gente a controlar os danos.

Quem irá na enxurrada?

Quantas empresas, empresários, empreendedores e empregos irão com a maré vazia e que ainda não parou de vazar?

Já não temos gestores a construir. Temos gestores de falências, especialistas em dívida, economistas...elevados subitamente a banqueiros para aguentar a credibilidade que se perdeu e reparar os danos...limpar a casa.

Não é normal mas fazemos de conta que sim.

É uma espécie de indulgência de fim de regime.

Há uma terrível sensação de que Portugal, nos últimos anos, na última década, tem andado de ressurreição em ressurreição, um fracasso dá lugar a outro ainda e sempre maior.

Suplantamo-nos na mediocridade e no encobrimento. 

E as pessoas sentem incrivelmente que é assim que a coisa funciona e...consentem, acomodam, acomodam-se.

Tanta asneira num país tão pequeno.

Chega de mentiras.

E que o banco continue verde, tal como a esperança, que assim não morre.

 

 

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publicado às 23:46

«Os 50 mais poderosos da economia Portuguesa - Poderosos 2013» é uma iniciativa do Jornal de Negócios com assinatura, na edição deste ano, de Eva Gaspar, Fernando Sobral e Pedro Santos Guerreiro.

É um trabalho onde se pode ler nas entrelinhas as linhas que ligam quem tem poder em Portugal.

 

Como não podia deixar de ser, o mais poderoso da economia nacional é a poderosa Angela Merkel, pelo 3º ano consecutivo. O banqueiro Ricardo Salgado (BES) é o "nacional" com mais poder na lusa economia.

A edição de 2013 deu a conhecer 13 novos poderosos. Dos 50, apenas 5 são mulheres. Há 8 estrangeiros, 4 dos quais são angolanos. Draghi, Portas e Paulo Azevedo são as maiores subidas. As entradas mais rompantes são de Maria Luís Albuquerque, Pires de Lima, e do Presidente do Constitucional. As saídas mais estrondosas são de Relvas e Gaspar. Advogados, banqueiros, empresáios, gestores e políticos compõem o grosso da coluna, num país que perdeu em poder o que ganhou em instabilidade

http://www.jornaldenegocios.pt/especiais/poderosos_2013.html

 

Esta iniciativa jornalística de qualidade, que anima o verão, associou a cada poderoso uma frase.

Não faltam por aí sítios onde encontrar frases para todos os gostos. Mas estas são as frases poderosas da economia nacional verão 2013 - parte II (24 frases. Não foi atribuída frase a Angela Merkel.).

Boa leitura. E não esquecer que cada frase "tem um rosto" de alguém com - mais ou menos - poder. 

 

 

"Não me importo com o que os outros pensam a respeito do que faço, mas importo-me com o que eu penso sobre o que faço. Isso demonstra carácter".

Theodore Roosevelt

 

"As oportunidades multiplicam-se à medida em que são agarradas."
Sun Tzu

 

"Nós não temos aliados eternos, nem inimigos perpétuos. Os nossos interesses é que são eternos e perpétuos e o nosso dever está em perseguir esses interesses."
Visconde de Palmerston

 

"Coragem é o preço que a vida cobra para garantir a paz."
Amelia Earhart

 

"Quando não se pode derrotar fica-se sócio".
Ulysses Guimarães

 

"Dizem que os que governam são o espelho da República: não é assim, senão ao contrário. A República é o espelho dos que a governam".
Padre António Vieira

 

"A vida é uma escola de probalidades."
Walter Bagehot

 

"As leis não são feitas para o homem bom".
Sócrates

 

"Um homem de Estado não pode dizer tudo".
Fernando Henrique Cardoso

 

"Controle o seu destino ou alguém controlará".
Jack Welch

 

"Não encontro defeitos. Encontro soluções. Qualquer um sabe queixar-se".
Henry Ford

 

"A democracia é um erro estatístico, porque na democracia decide a maioria e a maioria é formada de imbecis".

Jorge Luis Borges

 

"O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção".
Adam Smith

 

"A política é como fotografia, aquele que se mexe muito não sai".
Jânio Quadros

 

"Devemos ter a chave da nossa casa".
Nicolau I

 

"Lidere, siga... ou saia do caminho".
Ted Turner

 

"Guarda sempre forças em reserva, a fim de que ninguém possa conhecer os limites do teu poder".
Cardeal Jules Mazarin

 

"A liderança é uma poderosa combinação de estratégia e carácter. Mas se tiver de passar sem um, que seja a estratégia".
Norman SchWarzkopf

 

"O amor ao país é a primeira virtude num homem civilizado".
Napoleão Bonaparte

 

"O silêncio não comete erros".
Curtis L. Johnson

 

"Só há uma coisa pior do que lutar com aliados - é lutar sem eles".
Winston Churchill

 

"Fazer política em cima de princípios é o mesmo que caminhar por uma trilha estreita na floresta, carregando uma vara longa entre os dentes."
Otto von Bismarck

 

"Um homem tem sempre duas razões para as coisas que faz: a que soa bem e a real".
J.P. Morgan

 

"Deixem-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não quererei saber quem escreve as leis".

Mayer Amschel Rothschild

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publicado às 17:04

 

«Os 50 mais poderosos da economia Portuguesa - Poderosos 2013» é uma iniciativa do Jornal de Negócios com assinatura, na edição deste ano, de Eva Gaspar, Fernando Sobral e Pedro Santos Guerreiro.

É um trabalho onde se pode ler nas entrelinhas as linhas que ligam quem tem poder em Portugal.

Como não podia deixar de ser, o mais poderoso da economia nacional é a poderosa Angela Merkel, pelo 3º ano consecutivo. O banqueiro Ricardo Salgado (BES) é o "nacional" com mais poder na lusa economia.

Esta iniciativa jornalística de qualidade, que anima o verão, associou a cada poderoso uma frase.

Não faltam por aí sítios onde encontrar frases para todos os gostos. Mas estas são as frases poderosas da economia nacional verão 2013 - parte I.

No próximo fim de semana será partilhada a parte II e última.

Boa leitura. E não esquecer que cada frase "tem um rosto" de alguém com - mais ou menos - poder. 


"É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os."
Alexandre Herculano


"Eu tenho mais medo de um exército de cem ovelhas liderado por um leão do que um exército de cem leões liderados por um ovelha."
Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord


"Há algo maior que o poder, chama-se justiça."
André Malraux


"Pensar é o trabalho mais difícil que existe, e esta é provavelmente a razão por que tão poucos se dedicam a ele."
Henry Ford


"A tragédia do homem moderno não é ele saber cada vez menos sobre o significado da sua própria vida, é ele preocupar-se cada vez menos."

Václav Havel


"Ninguém vê mais claro nos negócios de outro do que aquele a quem eles mais interessam."
Cardeal de Richelieu


"Ser poderoso é como ser uma senhora. Se tens de dizer às pessoas que o és, então não o és."
Margaret Thatcher


"Quase todos os homens são capazes de superar a adversidade. Mas se se quiser pôr à prova o carácter de um homem, dê-se-lhe poder."
Abraham Lincoln


"A minha fórmula para o êxito: levantar-me cedo, trabalhar até tarde, encontrar petróleo."
Jean Paul Getty


"O poder é um camaleão ao contrário - todos tomam a sua cor."
Millôr Fernandes


"Todo mundo deve actuar no teatro de marionetas da vida e sentir o arame que nos mantém em movimento."

Chopenhauer


"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento".
Deepak Chopra


"É preferível capturar o exército inimigo a destruí-lo. Obter uma centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem combater, isso sim é o cúmulo da habilidade".
Sun Tzu


"O reactor da economia moderna não é a quinta, não é a fábrica, não é o banco. É a escola."
Peter F. Drucker


"Quando se concede à mulher a igualdade com o homem, ela torna-se superior a ele".
Margaret Thatcher


"O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis."
Platão


"A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.".
Millôr Fernandes


"Ser mulher é uma tarefa terrivelmente difícil, uma vez que consiste principalmente em lidar com homens."
Joseph Conrad (1857-1924)


"Regra número um: nunca perder dinheiro. Regra número dois: nunca esquecer a regra número um".
Warren Buffet


"Em qualquer magistratura, é indispensável compensar a grandeza do poder pela brevidade da duração".
Montesquieu


"Nunca negociemos sem medo, mas nunca tenhamos medo de negociar".
John F. Kennedy


"Conheço muitos que não puderam, quando deviam, porque não quiseram, quando podiam".
François Rabelais


"A partir de certa idade, quer por astúcia quer por amor próprio, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar".
Marcel Proust

 

"A Constituição é uma muralha de papel."
Napoleão Bonaparte


"Governar é fazer acreditar"
Nicolau Maquiavel


 

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publicado às 23:24

( Um belo texto que não resisto em aqui partilhar. Um postal ilustrado do Julho político de 2013. Para memória futura.) 

Quer perceber o que se está a passar na política portuguesa? Ora, é fácil. É uma gaiola das malucas onde dois bêbados se encostam para não cair depois de andarem de mota no poço da morte.
Era dar-lhes um valente par de estalos. Enfim, um trambolho, é o que isto é. Uma coisa grotescómica. Palavra de jornalistas, políticos, comentadores, analistas e de uma série de personalidades com mais ou menos prestígio que vão escrevendo sobre a crise política que começou no dia 1 de Julho, com a demissão de Vítor Gaspar. Já bem depois da cena do palhaço. Quem diria? Pelos vistos, todos!

 

"Era uma metáfora!" Assunção Esteves bem tentava explicar-se ontem à noite, depois de ter feito uma citação, contra os manifestantes expulsos do Parlamento, de uma frase originalmente dita contra o regime nazi. "Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes". Uma metáfora. Uma metáfora? Mais uma plantada no jardim das figuras de estilo, que ganhou muitas flores desde que a crise política eclodiu. De "galinhas sem cabeça" a "bêbedos agarrados um contra o outro", diz-se e escreve-se de tudo. É a linguagem nesta crise. Ou é a linguagem desta crise. Lembra-se do palhaço? Não é preciso ir tão longe. A última semana e meia basta para estofar almofadas, umas fofas outras duras, de metáforas, imagens, metonímias, alegorias, perífrases e outras figuras de grande estilo.

 

"É como se dois suicidas se apaixonassem a meio da queda e acabassem por cair numa pilha de colchões", escreveu João Miguel Tavares, um dos cronistas que mais se esforçou na caracterização da crise política, "uma coisa tipo poço da morte, com os irmãos Pedro & Paulo em equilibrismos alucinados em cima de uma mota em alta velocidade". A imagem sugere alto risco. Mas também espectáculo e jogo, que habitam muitas figuras de estilo usadas por estes dias. Casino, poker, xadrez, roleta (e até roleta russa) são imagens repetidas para expressar o ambiente de negociação, de imprevisibilidade, de sorte e azar. Falando em motas: um partido numa coligação "não pode ser uma espécie de 'sidecar' sem travões nem guiador nem embraiagem", lembra Bagão Félix. Aceleremos.

 

Da condução, ou falta dela, escreveu ainda Fernanda Câncio, ao referir-se a um primeiro-ministro "decidido a, mesmo abandonado e traído pelo seu sagrado Gaspar, amarrar-se sozinho ao leme do barco para o levar". "Naufrágio" encontra-se aqui e ali, falando-se amiúde de "tempestade perfeita" (Manuela Ferreira Leite), imagem usada também por Pacheco Pereira: "Apesar de o Navio ser Fantasma, há uma regra básica que se aplica: os mortos não ressuscitam." Quem falou em mortos? Toda a gente. Num "ambiente digno de um funeral" (João Marcelino), "Cavaco passou a este Governo uma certidão de óbito" (Marina Costa Lobo) e agora "o Governo morreu" (Leonel Moura). Mas "o falecido Governo em funções só será enterrado em Junho de 2014. Entretanto fica insepulto a encher o país de moscas" (Sérgio Sousa Pinto). Pacheco Pereira parece concordar: "Podem vaguear pelas sombras do mundo, podem procurar um porto inexistente, podem assombrar os vivos. Mas o Governo está morto, mesmo que não esteja enterrado. Podem colocá-lo de pé com um andaime nas costas, injectá-lo com formol, pintá-lo com cera, empalhá-lo, mas morto está e vai continuar a estar."

 

Saiamos do mundo dos mortos para o mundo dos loucos. Sim, dos loucos, pois "afinal a loucura na governação preocupa e angustia", cofia Marques Mendes. Luís Reis cita "Uma Certa Quantidade", de Cesariny, a propósito do "poema surrealista encenado nos últimos dias no palco da política portuguesa". Ferreira Fernandes não sabe "como não aceitar as mais loucas bizarrias" no meio de uma "patética crise política" (Viriato Soromenho-Marques) protagonizada por "uns tristes malucos do riso" (Fernanda Câncio) num país "transformado num terreno baldio da Europa" (Pedro Norton) governado por "dois bêbados que se encostam um ao outro para não caírem" (José Miguel Júdice). O caso é imprevisível. Depois de o ministro Marques Guedes responder que só "os astros" sabem o que vai acontecer ao Governo, Carlos Fiolhais proclama que "a astrologia substituiu a politologia" e cita mesmo as cartas da Maya. Portugal é agora "a gaiola das malucas" (Miguel Alexandre Ganhão), onde há "seguidores desse grande maluco que era o Miguel Bombarda" (André Macedo). Um dia, Alexandre O'Neill perguntou: "Ó Portugal, se fosses só três sílabas", mas agora nada feito. O país é "um imenso bar de alterne", adita Miguel Ganhão, e "neste bordel quem manda é o cio do poder".

 

Da loucura para o caos. Luís Pedro Nunes parece inspirar-se no "Efeito Borboleta": Uma cuspidela leva Gaspar à demissão que leva Portas à demissão que leva os juros a disparar que leva à ingovernabilidade que leva a um segundo resgate que leva a mais austeridade que leva ao tipo que mandou a cuspidela a ficar mais à rasca no supermercado". Gaspar ainda é chamado de "narciso" por Pedro Norton, Maria Luís Albuquerque fica-se por ser chamada por Eduardo Cabrita de "Swap Harakiri Girl", mas ambos são apesar de tudo mais poupados que Paulo Portas. Com o futuro ex-ministro dos Negócios Estrangeiros é um vê se te avias: "um salta-pocinhas" (Mário Soares) "bailarino" (José Sócrates) que fez uma "uma pirueta demasiado arriscada" (Pedro Nuno Santos), "teve um chilique" (Rui Tavares) ou a quem deu "uma coisinha má" (Pedro Norton), mas que agora tem "os pés bem atascados no cimento da coligação" (Luís Rosa). Tudo isto depois de mil piadas com a palavra irrevogável e com o "Eu fico" que Paulo Portas usou numa campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa: "Eu fico… com tudo", escreveu Luís Menezes Leitão, sobre o que então parecia um reforço de poderes no Governo dado ao líder do CDS, como se fosse "uma espécie de caixa de areia com brinquedos só para ele" (Rui Tavares).

 

E assim chegamos à miudagem. "Parece uma brincadeira de garotos, de adolescentes, de pessoas que não têm sentido de Estado", disse Miguel Veiga. "Sinceramente, nunca esperei escrever isto - considerar os principais responsáveis do Governo um bando de garotos", concordou Henrique Monteiro. Alberto João Jardim aconselha a que os meninos "não brinquem às eleições" e António Capucho admoesta que "o ideal seria o Presidente da República pôr os meninos de castigo no Parlamento". Até porque, para Pedro Norton, "o Presidente está transformado no baby-sitter". Mas há outros curativos. José Manuel Fernandes esclarece que "a solução tradicional para meter as crianças na ordem - um par de estaladas -, perdoem-me os puristas, teria até a vantagem de aliviar a nossa fúria." Marcelo Rebelo de Sousa chegou às consequências: o Presidente deu mesmo "um estalo na classe política", embora Eduardo Oliveira e Silva ache que o murro foi "na mesa" e André Macedo prefira considerar o método de Cavaco como sendo "às três pancadas". "Tivesse o Governo nascido com mais gajos normais" e tudo teria sido diferente, suspira Pedro Norton. Mas Adelino Maltez considera que "o normal é haver anormais, porque governar é gerir crises."

 

Vasco Graça Moura diz que foi talvez do calor. Carlos Fiolhais não sabe "que raio de sol num destes dias de canícula bateu na moleirinha do ministro Paulo Portas". Ferreira Fernandes partilha a apreensão e a exposição solar: "calcule-se o efeito sobre a moleirinha de uma presidente de um parlamento". Sim, calcule-se... A verdade é que muitas destas figuras de estilo assentam na mediatização, na espectacularização da política, mesmo quando ela se revela uma "ópera-bufa" (Nuno Saraiva). João Quadros tem "inveja da malta do bigbrother que não sabe o que se passa". Fernando Sobral ri menos: "Nada justifica este espectáculo degradante a que assistimos e que está ao nível do "Big Brother" e do "Splash!". Este Governo é um espantalho que já nem move com o vento nem assusta pardais."

 

Metáforas bélicas (como "a bomba atómica ao retardador" que, segundo Pedro Silva Pereira, o Presidente), de folhetim, de saúde e da insanidade, mas também do casamento para explicar uma coligação em que há divórcio, união de facto, casamento por conveniência. "O novo Governo é um trambolho desprezível", sentencia Baptista Bastos. Eis "o maquiavelismo da retórica", avisa João Adelino Maltez. E quando já faltam palavras, não faltam palavras. Que as diga Rui Tavares: "Não há palavras já inventadas que descrevam esta nova situação: absurreal, alucinática, seria grotescómica se não fosse suicidente". Está tudo explicado.

 

Nota: As dezenas de citações usadas neste texto foram originalmente publicadas em diversas fontes: Público, DN, JN, CM, DE, Negócios, i, Visão, Expresso, Sábado, SIC Notícias, RTP, bem como blogues e as redes sociais Twitter e Facebook.

 

Pedro Santos Guerreiro

Jornal de Negócios - Weekend - 12 de Julho de 2013

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publicado às 23:12

 

Há dez anos já íamos todos morrer. Há dez anos já tínhamos pântano político e tanga no Estado. Há dez anos as reformas já eram todas para já e acabavam sendo nunca. Há dez anos as mesmas pessoas de hoje enchiam a boca de feitos e esvaziavam a mão de defeitos. Há dez anos já havia todas as mentiras, todos os mentirosos e todos a quem mentiam. Há dez anos já havia interesses, lóbis, corrupção, desigualdades, pobreza, proteccionismo, impunidade, compadrio, desesperança, défice, dívida, partidos políticos e políticos partidos.

Há dez anos Portugal já era o que ainda era. E já havia génio. Inquietação. Vontade contra a moinha. Insatisfação com a insatisfação. E já havia zanga, fúria, urros, hurras. A sensação frequente de que estamos sempre a escrever o mesmo editorial porque nada muda. A alegria rara de que a esperança pode mesmo ser inventada. A constatação final de que dez anos não é nada e foi tanto.

Em cinco Governos, apenas um cumpriu a legislatura. Houve maioria absolutas, relativas, coligações, dissoluções, escolhas sem eleições. As retomas nunca chegaram, o défice foi sempre manipulado, a dívida foi sempre escondida, a competitividade foi fraca, a economia foi fraca, a carne foi fraca. Os negócios foram fortes. Privatizações da PT, EDP, Galp, REN, Portucel, ANA. O maior negócio de sempre, a impensável oferta da Sonae para comprar a PT, num ano em que o país pensava que era rico, quando também o BCP quis comprar o BPI, duas OPA hostis falhadas com consequências tão diferentes. A "golden share". A ruína do BCP, assistida por uma CGD infamemente politizada, no caso empresarial mais sujo de que há memória, em que até fotografias íntimas comprometedoras de pessoas envolvidas nos foram propostas (e por nós recusadas). Os assassinatos de carácter com fugas de informação selectivas em violação do segredo de justiça. A vergonha manipuladora das escutas. Espionagem. Os casos de promiscuidade entre empresas e política: o Furacão, o Mensalão, o Face Oculta, o Polvo, o Monte Branco. O escândalo do BPN. Do BPP. As PPP, os swaps, os estádios, as estradas, o aeroporto, o TGV. Mas também a salvação de impérios, como a Jerónimo Martins. O sucesso da Renova, da Bial, da Frulact, do banco Big, da Portucel, da Mota-Engil, da Sovena, da Autoeuropa, de milhares de filiais, de fornecedores de multinacionais, de grandes pequenas empresas desconhecidas. E a intervenção externa. A austeridade. O protectorado. A crise financeira. A crise económica. A crise social. O desemprego. A geração sem respostas, sem propostas, sem apostas, a geração sem nada.

A Europa afunda-se em resgates, o euro claudica. Durão mudou de nome para Barroso. Aparece Obama. Esmaece Mandela. O mundo sacode-se, com a revolta de uma larga região do hemisfério sul pobre mas emergente contra outra larga região do hemisfério norte rico mas decadente. O mundo ocidental atolado em dívidas. O mundo oriental a tornar-se potência. Uma demografia explosiva e desequilibrada. Centenas de milhões de seres humanos a sair da pobreza. A exigirem mais do seu sistema político. A circularem livremente em redes sociais. Primavera Árabe. África em crescimento astral.

Nestes dez primeiros anos do Negócios como jornal diário os dias foram mais que notícia. Foram um pentagrama de uma era em mudança, com as democracias, o capitalismo, o liberalismo, o sistema financeiro, os equilíbrios mundiais, a Europa em solavanco. É a frustração de ver um país a afundar-se na carência do futuro. É a paixão de noticiar um tempo histórico. Há dez anos Portugal já era Portugal. Há dez anos já íamos todos viver. Já queríamos partir tudo, já queríamos construir tudo, já queríamos desistir, insistir, resistir, amar, desesperar, esperar, não esperar. Perdemos muito. Mas também ganhámos muito na década perdida. Às vezes parece que a história nos desfaz. Mas somos nós quem faz a história. Jornalistas, leitores, incluídos, excluídos, temerários, amotinados, nós somos os escritores da História. "Que há-de ser de nós?", perguntava Sérgio Godinho. A resposta é nossa. Porque mesmo quando a notícia é sobre outras gentes, políticos, empresários, polícias, ladrões, sucessos, fracassos, geografias e povos distantes, a notícia somos sempre nós.


Pedro Santos Guerreiro (PSG)

Director do Jornal de Negócios

Edição de aniversário - 10 anos

27 de Junho de 2013


(nota: sou leitor de Pedro Santos Guerreiro que, em minha opinião, pensa bem, escreve bem, estuda muito, tem memória e manifesta muita coragem, atributos que não lhe retiro quando dele discordo. O texto acima publicado merece uma moldura...para ler e guardar, todos os dias!)

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publicado às 16:00


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