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E Deus?

05.11.17

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"Enquanto o fogo é pequeno e tem juízo é o maior amigo do homem: aquece-o no Inverno, cozinha-lhe a comida, alumia-o durante a noite. Mas quando o fogo cresce de mais, zanga-se, enlouquece e fica mais ávido, mais cruel e mais perigoso do que todos os animais ferozes."

Sophia de Mello Breyner Andresen in “A Menina do Mar”

 

Antes de 15 de Outubro de 2017.

Depois de 15 de Outubro de 2017.

É assim que se divide a História contemporânea de Oliveira do Hospital, da região centro interior...e de Portugal.

É assim a vida em Oliveira do Hospital: há um antes e um depois do pior dia das nossas vidas, do maior incêndio de sempre, da maior tragédia da nossa história.

A nossa riqueza pintava-se de verde; a nossa tristeza pinta-se de preto: a cor da dor. A nova cor do Interior.

Vamos poupar nos palavrões: consolo do desespero; nos adjetivos: conforto para o indizível; nas análises: abundam os especialistas do dia seguinte; e nos juízos: tantos já são os atiradores.

O dia 15 de Outubro foi o dia em que faltou tudo, falhou tudo e não sobrou (quase) nada: Ardeu. Ardemos.

O clima mudou, aqueceu, secou, secou-nos.

A floresta mudou, menos limpa e menos bem frequentada por árvores que crescem muito e depressa, densificou, cercou-nos.

O resto nada mudou: falta prevenção, falta ação, falta responsabilidade.

Faltaram meios (dispensados!!!), vigias (canceladas!!!) e comunicações (avariadas!!!). É a nossa costumeira irresponsabilidade, sustentada na nossa idiossincrática impunidade - ninguém vai preso, escuta-se.

O criminoso soltou o fogo e o fogo soltou-se nas asas do vento e queimou (quase) tudo: Ardeu. Ardemos.

Quando há uma tragédia há uma notícia: a tragédia. Imedível e inquantificável, esta mais do que qualquer outra. Oliveira do Hospital queimado é agora todos os dias noticiado. E visitado. Contam-se os mortos, as ruínas das casas, as vidas destruídas, as empresas em escombros, a floresta perdida como se fosse o resultado do jogo…do fogo! Dói. 

O dia 15 de Outubro foi o dia em que falhou tudo, faltou tudo, falhámos todos: governos (imperdoável) e governados. Sim, Nós que teimamos em sermos cada vez menos a ir votar, a sermos muitos a votar sem sentido e sem sentir, a sermos cada vez mais a não querer saber de nada nem de coisa nenhuma: passamos a vida a bater no estado e quando corre mal clamamos e insultamos o Estado, o Estado que também somos Nós.

Na manhã seguinte ao terror, à noite que foi para muitos a noite do fim deles no mundo, quando o fogo de tanto queimar deixou passar, cheguei a Oliveira do Hospital.

Oliveira do Hospital é a minha igreja, onde me (re)encontro, onde respiro, onde me respiro.

Entre fumo, pequenas chamas, sem céu, com os pés sobre cinzas e sem ar que não fosse queimado, de abraço em abraço e com as lágrimas metidas para dentro, percorri (quase) todo o concelho.

Quando parei num dos meus lugares de culto, no meu altar - o miradouro de Avô - envolvido num negro absoluto e apocalíptico, a dor foi tão forte, tão aguda, que o rio que me saía dos olhos embrulhou-me na fé, qual foz dos desesperados, e perguntei a Deus:

- Onde estavas?

No dia 15 de Outubro falhou tudo, faltou tudo.

Oliveira do Hospital vai ter que renascer.

Todos vamos ter que renascer. Todos vamos ser precisos. E o Deus de cada um também.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 29 de Outubro de 2017)

 

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publicado às 18:14

A Cadeira Vazia.

29.09.17

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Quando ser Partido por definição, passa a estar partido como maldição: eis o PSD de Oliveira do Hospital.

Desde que Mário Alves e José Carlos Mendes partiram o PSD ao meio, nunca mais o Partido partido voltou a ser Partido inteiro.

A história recente do PSD local é um recheio de capítulos de guerras e guerrinhas, de entradas e saídas, de abandonos, de demissões, de zangas, de desistências e maledicências.

E agora a Cadeira! A Cadeira Vazia no debate politico mais visto e ouvido de sempre em Oliveira do Hospital.

Como foi possível?

Alguém devia ter dito a João Paulo Albuquerque que, em democracia, nunca, mas nunca se deixa a Cadeira Vazia.

Aquela Cadeira Vazia vai ficar para sempre na memória política de Oliveira do Hospital.

Sim, Oliveira do Hospital, que tanta vitória tem dado ao PSD, não merecia aquela Cadeira Vazia.

Uma enorme perda, pela ausência; uma absoluta e profunda tristeza, pelo acto e pelo facto.

Independentemente do que aconteça na noite eleitoral autárquica de domingo, o facto das eleições locais de 2017 já tem fotografia: A Cadeira Vazia.

E o que é que era bom que acontecesse no próximo domingo?

Como não acreditamos nas apregoadas virtudes de governar em minoria, desejamos que José Carlos Alexandrino ganhe com maioria, por ser o melhor de todos os candidatos. Mas nada de 7-0! É preciso oposição!; e desejamos que Nuno Alves chegue à vereação, pela sua coragem e disponibilidade, pela sua honestidade democrática, pela sua urbanidade.

Domingo, vamos votar. E depois conferimos o sortilégio dos Nossos desejos.  

Vitor Neves   

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 27 Setembro de 2017)

 

 

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publicado às 17:05

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O trailer do filme podia escrever-se assim:

Rodrigues Gonçalves tem um percurso curioso na vida política de Oliveira do Hospital e pouco habitual. Quando quis ser Presidente da Câmara Municipal, com as cores do PS, concorreu e perdeu! Quando não se apresentou para ser Presidente da Assembleia Municipal, a Presidente chegou. Mas não ficou. Não vai ficar. O PS não confiou. Um percurso peculiar, algo atribulado, com alegrias e tristezas mas sem drama.

A sinopse da (boa) história deste homem, com quem tenho uma relação cordial, é um instante de escrita:

- fez-se gente a pulso e em Lisboa e carreira na função pública. Cultivou-se.

- um dia quis ser profeta na própria terra. Correu mal. Tão mal que na noite da derrota nem apareceu…

- nem desapareceu. Sem nunca deixar de ser Daqui (de Avô) e do PS, chegou à Assembleia Municipal…

- onde Lopes foi protagonista de uma destituição sem antecedente…e empurra Rodrigues Gonçalves para Presidente!

- com eleições à porta pede a confiança do PS local! O PS disse não. Saída? Sair. Ir.

Tal como na fita sobre Button, tudo na vida política de Gonçalves “é ao contrário”. Nem isso o impediu, na hora do anúncio, de exibir uma elegância ímpar - diz que continua a ser de Oliveira do Hospital, de Alexandrino, do PS. Não reclama, não cobra, não clama.

Ninguém pareceu valorizar muito tanta grandeza e tanto saber estar: sem sangue, sem lágrimas, sem ira, sem drama, sem ajuste de contas, sem ameaças. Tudo dito sob a mais absoluta tranquilidade, elevação e naturalidade. Impressionante. Será Gonçalves deste mundo?

Rodrigues Gonçalves há muito que é figura de destaque no concelho e na região com os seus escritos (o último livro foi dedicado à Filarmónica de Avô)) e recentemente tem dado a conhecer a sua faceta de “especialista” em inteligência emocional - uma espécie de Augusto Cury das Beiras - na Rádio Boa Nova e nas redes sociais.

Num recente “post” de Rodrigues Gonçalves, subordinado ao tema “aprenda a viver com a crítica”, está estampado o seguinte provérbio:

“nunca discutas com um cabotino, ele leva-te (baixa-te) para o campo dele e vence-te pela experiência.”

Alguém no PS de Oliveira do hospital terá lido isto?

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 de Julho de 2017)

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publicado às 19:53

CO.jpg

Ai o cartaz!

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Não o fez. Não se faz.

 

(Cristina perdeu. Aguentou-se uns dias. Desapareceu.

Cristina perdeu. Pouco tempo depois partiu. Não cumpriu.

Ainda 2015 começava e Cristina Oliveira anunciou que se ia ausentar. O bilhete era de ida e volta. Não voltou.

Em 2013, na noite da dolorosa derrota, Cristina, a única eleita do PSD e da oposição, prometeu cumprir o mandato até ao fim, mas o fim da Cristina foi muito antes do fim do mandato.)

 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Tudo? Que tudo era esse que o vento num instante levou?

 

(Cristina, com quem conversei em público e em privado, é uma mulher culta, bem formada, com pensamento estruturado e bem reputada no que faz no Ministério da Educação.

Como é que uma mulher assim se perdeu no meio de tudo e deixou tudo de Oliveira? Cristina tirou-se de Oliveira, tirou Oliveira de si própria, exceto ao assinar: Oliveira está-lhe no nome!

Era fácil gostar de Cristina. Eu gostei. Mulher bonita, com saber estar, vincada, com ar distinto: ainda que sendo da gente parecia ser diferente. Não o foi.)

 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Era só dar tudo, Cristina. E estava tudo bem, a fazer o mandato todo. Na oposição, com o coração…por Oliveira.

Ao ter ido, ao ter partido, ao ter fugido, perdemos todos. O Concelho, o PSD, os que querem na política acreditar, os que em Si foram votar. 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Só no cartaz.

 

Vitor Neves 

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Julho de 2017)

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publicado às 23:46

Todos contra Um.

08.06.17

Eleições-autárquicas.jpg

 

O Poder não mata. Desgasta.

Alexandrino, o Presidente, sabe? Sabe. Mas não quer saber.

O PS sabe? Sabe. Mas não há nada a fazer.

O Homem que está no Poder em Oliveira do Hospital há quase 8 anos, gosta de mostrar que é independente, do PS e da política. E nestes dias de (pré) campanha, falta-lhe manha. José Carlos Alexandrino não é assim.

O também Homem forte da CIM, gosta de fasquias altas, de riscos grandes, de desafios disputados, de impossíveis pouco avisados. Não faltam exemplos: a Estrada, os Médicos, a ESTGOH…e agora a (re)Eleição. José Carlos Alexandrino é assim.

Alexandrino quer ganhar e já disse como quer ganhar: com mais votos do que da última vez, isto é, com um novo “record” de votos. Mais de 8 379 votos… e talvez até sonhe com um 7-0!

O atual Presidente podia não o dizer, ou não o dizer como o diz, mas disse, mas diz.

As eleições autárquicas em Portugal americanizaram-se. O partido conta pouco e as equipas pouco contam. O candidato a Presidente é a cara e o nome da candidatura. Está no cartaz. Está em cartaz.  

Em Outubro, Alexandrino tem tudo para ganhar. E muito para perder.

Pode perder votos.

Pode perder mandatos.

Pode perder-se, se perder a maioria!

E qual a razão para tanto poder perder? O usufruto do Poder.

Todos os candidatos da Oposição vão ter muito para dizer sobre como Alexandrino usou o Poder. Ainda “a coisa” está a começar e já se percebeu que os adversários não vão ser nada dóceis, nada.

Bem vistas as coisas, Albuquerque e Alves, pouco ou nada podem perder. Ganhar para Eles pode ser perder por pouco ou, pelo menos, por menos. Não foram Poder e sempre podem reivindicar o estatuto que a dúvida confere: com Eles no Poder é que era Fazer.   

Alexandrino tem sido protagonista de um discurso pouco político, talvez demasiado autêntico, talvez um bocadinho ingénuo, talvez demasiado emocional. Alexandrino não tem escola de “jota”, o que se nota.

E ainda falta aqui um “como se sabe”. Sim, como se sabe, o usufruto do Poder também ajuda muito a preguiça da democracia, a abstenção: O Homem vai ganhar. Nem é preciso ir votar. E assim se podem perder votos…

Alexandrino podia ter dito que ganhar é ter mais um voto que o adversário, ou qualquer coisa neste registo! Mas, não! Ele quer isto assim, com sal, com provocação, com emoção. E haja coração.

Uma certeza Alexandrino já deve ter: a campanha vai doer.

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Junho de 2017)

 

 

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publicado às 23:25

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Podemos Acreditar.

Podemos não Acreditar.

Não devemos Ignorar.

Cem anos depois, Fátima é isto. Isto é ser simples, sem ser simplista. Fátima é um tema tão vasto, tão rico, tão cheio, tão insolúvel, tão inconclusivo, tão escrito, tão falado, tão vivido, tão apropriado, tão presente, tão inacabável, tão inabarcável, que nos obriga a ser peregrinos do nosso ser individual e construir o nosso caminho…para chegar lá.

Fátima, tendo fé na razoabilidade do individual de cada um de Nós, não nos permite seguir maiorias ou manadas, quer sejam do tipo antifatimismo, quer sejam do tipo apologético.

São inúmeras as visões sobre Fátima. Aliás, tantas, que até as Aparições são por muitos assim designadas: Visões.

Mas o caminho de Fátima não deve ir por aqui. Como bem diz Luís Filipe Torgal (o livro “O Sol Brilhou ao Meio-Dia. A criação de Fátima.” é de leitura obrigatória e interpela-nos de uma forma séria e fundamentada): “discutir o problema da autenticidade/falsidade das aparições…será sempre estéril, porque inconclusivo, e propício aos mais diversos exercícios especulativos” (Público, 12 Fevereiro de 2017).

São vários os que anunciam que explicam definitivamente o fenómeno Fátima. De forma concludente e inatacável, esse milagre, nunca aconteceu…desde o tempo de Manuel Nunes Formigão.

Resulta daqui o formigueiro que nos inquieta. Neste caso, talvez seja um perdoável abuso de escrita dizer: o formigão que Fátima nos provoca. É estúpido ignorar. E nada inteligente ser indiferente.

Fátima nunca foi fácil. O Dr. Formigão, o homem-Fátima, demorou oito anos (!!!) a elaborar o inquérito…que “oficializou” Fátima!

O formigão que Fátima espalhou por milhões e milhões de pessoas é de tratamento individual e exige uma componente elevada de tolerância e respeito, de todos para com todos, incluindo ateístas.

Parece evidente que o formigão de Fátima aumenta de intensidade, porventura dispensável, com segredos, milagres, promessas, canonizações, feiras de mau gosto, exibições arquitetónicas e outras. Veja-se a este propósito, o terço gigante, a última obra de arte (???) de Joana Vasconcelos, que vai ser iluminado na noite de 12 para 13 de Maio, durante as comemorações dos 100 anos.

Pode ser que a visita do Papa Francisco nos ajude a controlar o formigão. Ou não.

Talvez seja este o grande milagre de Fátima: um formigão eterno.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 9 de Maio de 2017)

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publicado às 21:22

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“Há ignorantes que falam de Beethoven sem nunca ter visto um quadro dele!”

Fonte: redes sociais.

 

Esta sublime definição de cocktail de ignorância com pedrinhas de gelo de atrevimento, refrescou-me a minha sempre boa relação com uma boa fatia de suprema ironia.

A ignorância irrita-me e o atrevimento dela resultante assusta-me. Todos os dias vivo na utopia de esmagar a ignorância, a minha e a dos outros, é a minha obra inacabada, enfim, é o lado Gaudí da minha vida.

Vem isto a propósito de duas frases que muito tenho consumido ultimamente. Sim, metem-se comigo. Vamos a elas. Por ordem.

1ª “Portugal está novo.”

É falso e dizer isto em registo generalista revela ignorância, atrevimento e auto-conforto.

- Portugal está velho.

Assim mesmo, sem paninhos quentes, no osso, outra vez: Portugal está velho!

As estradas podem ser recentes, as casas modernas e os carros novos, mas as pessoas estão velhas. Os nascimentos andam pela hora da morte, e a morte chega cada vez mais tarde. O limite médio de vida em Portugal já vai nos oitenta anos!!! Ora, assim vamos ser cada vez menos e cada vez mais…velhos! Um país com este problema demográfico – e Portugal é um dos casos mais sérios da Europa – de novo tem pouco! E daqui a pouco, até o que hoje parece novo vai ficar velho, incluindo as estradas, as casas e até os carros.     

2ª “O Interior tem tudo.”

Nesta frase a ignorância e o atrevimento manifestam-se untados de brilhantina.

Vamos dar de barato que o “tem tudo” nunca existiu e não existe, mormente quando o “tudo” de hoje é “nada” amanhã.

Sim, é verdade que o Interior de Portugal hoje oferece condições para que as pessoas possam usufruir de uma qualidade de vida ímpar. Há só um tudo-nada que falta: PESSOAS.

Pois é! O Interior está a ficar sem gente, sem pessoas. E se Portugal está velho, o Interior está caquético!!!

(desculpem, é preciso escrever isto assim, de forma bruta, para que se entenda que é dramático)  

Se faltam pessoas, falta tudo.

O texto acaba aqui. Segue a esperança… de nem uma única pessoa o ter lido, no modo de quem vai ao Google procurar fotografias dos quadros de Beethoven.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 7 de Abril 2017)

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publicado às 23:50

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Com a Serra sempre à vista, há um Interior de luta feito por gente que insiste, persiste e resiste. Uma das formas de luta é a Festa. A Festa é o grito de vida, de coragem, de orgulho. Importa dizer ao mundo que aqui há gente. Gente que sente.

Se há Festa, há comunicação social…nacional. Vindos do litoral, vindos da capital, chegam os da TV, da Rádio, da Revista e do Jornal, e partilham com o mundo o que aqui é costume, o que aqui é tradicional. Os produtos endógenos – “endógeno” deve ser a palavra da década dos autarcas nacionais – as profissões de outrora, o artesanato, a produção caseira, enfim, tudo muito rústico, tudo muito “zé povinho”, tudo muito “ai que giro”, tudo muito “ai que amor que é a vida aqui no Interior”.

Claro que de toda esta promoção mediática não é só isto, mas é muito disto o que fica, e mais disto fica quando se olha para a TV…dos “beijinhos para a Suiça”.

Não há nada que nos envergonhe no passado do Interior, antes pelo contrário. A tradição, o costume, as vestes de ontem, os produtos feitos com as mãos, o saber, são a alma do nosso património, o qual devemos desfrutar, divulgar e preservar.

Mas, aqui no Interior, ao invés do que possa eventualmente parecer, agarra-se o tempo, vive-se o presente…e o futuro.

Sim, aqui (ainda) há pastores! E WiFi…!! Sim, é possível andar no meio do pasto com as ovelhas a ver no telemóvel as caricaturas do Trump, sem que o cajado seja a antena.

No Interior também temos gente sofisticada, urbana, que trabalha o conhecimento Científico, que faz Educação, que pratica Desporto de elevado nível técnico, que produz Cultura, que cria música, que escreve livros, que se especializou em design, em comunicação, em imagem, que gere Empresas que vendem para todo o mundo e onde quase só se fala Inglês, que domina a Internet, que vive as redes sociais, que veste as calças rasgadas da moda, que viaja na Ryanair, que não se escandaliza com a palavra “gay” e que também discute a eutanásia.

No Interior não se confunde o ser moderno, atual e cidadão do mundo, com o gosto de ser daqui, deste local, destas raízes, desta montanha, deste ar.

E não há nada, mesmo nada, que nos impeça de gostar de Sushi… e de degustar uma boa colherada de Queijo Serra da Estrela e um copo de Tinto do Dão!

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 8 de Março de 2017)

 

    

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publicado às 21:46

8379

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O-i-t-o-m-i-l-t-r-e-z-e-n-t-o-s-e-s-e-t-e-n-t-a-e-n-o-v-e.

Pode ler em voz alta.

Devem ser assim os sonhos, ou os pesadelos, de José Carlos Alexandrino: vozes que lhe sussurram, ou gritam, este número ao ouvido.

Oito mil trezentos e setenta nove...votos!

8379. É o número do tamanho da vitória esmagadora, e sem paralelo histórico, de Alexandrino nas Autárquicas de 2013.

Os votos foram contabilizados pelo PS, mas o PS atingiu este orgasmo de votos em Oliveira do Hospital… com Alexandrino! E nisto de eleições locais, os partidos contam cada vez menos, e os candidatos cada vez mais.

Adjudicada a solução para o problema da 17 – ainda falta uma data para o problema das acessibilidades - o Presidente em exercício ficou com a estrada feita para continuar o exercício em novo mandato. Só um cataclismo ou o surgimento de qualquer novo facto verdadeiramente inesperado, afastará José Carlos Alexandrino de ser candidato e...(de novo) Presidente. Por mérito próprio, que é como quem diz, por mérito de Alexandrino e da sua equipa, e também por demérito da Oposição(?).

No entanto, nem tudo parece ser assim tão evidente.

- No acto eleitoral que terá lugar a seguir ao verão de 2017, Alexandrino vai contar mais ou menos votos do que em 2013?

As obras, as festas, as ilustres visitas serão suficientes para compensar o inevitável desgaste e ainda um eventual crescimento da abstenção, consequência habitual do "Ele já ganhou"???

Eis o grande desafio de Alexandrino...e da Oposição, quando aparecer:

- O primeiro quer ganhar por tantos, os segundos não vão querer perder por tantos.

8379.

Assim escrito, ou por extenso, são muitos votos, muitos…é muita gente!

- Não vai ser fácil, Senhor Presidente.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 27 de Janeiro de 2017)

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publicado às 22:46

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O velho slogan “ler jornais é saber mais” sobrevive na era 4.0 como “estar nas redes sociais é saber mais”. Isto não é uma questão de querer ou de gostar, é assim: um novo tempo, uma nova realidade, uma oportunidade.

As redes sociais, entre outras coisas que tais, permitem saber mais, dizer mais a todos, sobre todos, de tudo, sobre tudo. Para quem, de perto ou de longe, está ligado a este mundo da comunicação há mais de 30 anos, isto é revolucionário! É uma revolução que nos obriga a estar em modo de aprender em permanência. Num contexto veloz, instantâneo, efémero e de acesso fácil, temos que aprender todos os dias como gerir o que somos, o que fazemos, como vivemos.

E assim, num instante, sem depender de nada nem do que ou de quem quer que seja, cada um de nós pode mostrar ao mundo, sim ao mundo, a todo mundo, o que é, onde está, o que faz, o que gosta, o que não gosta, etc., etc., e pode fazê-lo destacando o que mais lhe interessa ou só que lhe interessa!

Vamos deixar as virtudes, os defeitos e os riscos das grandezas e misérias desta imensa liberdade para os “entendidos”.     

Vamos apenas pelo trilho dos bons exemplos…de autarcas!

- Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto. É o rei dos autarcas nas redes sociais. Promove o Porto, o que faz pelo Porto; partilha e defende as suas ideias; exercita algumas das suas paixões, com destaque para a fotografia; elenca causas, pessoas, desafios. Um mestre da comunicação que importa seguir, independentemente do posicionamento ou da opinião de cada um.

- Nuno Ribeiro, vereador da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Este jovem autarca de Oliveira do Hospital, por quem tenho apreço, é de um voluntarismo nas redes sociais a promover o que acontece no concelho, que merece uma vénia, ou duas! Este Dezembro, durante um fim de semana, o Nuno esteve nos convívios de natal do Hóquei em Patins do Futebol Clube Oliveira do Hospital, do G. D. Bobadelense, no evento “Natal sobre Rodas”, no “derby” de futebol dos benjamins de Nogueira do Cravo e de Oliveira do Hospital, no lançamento do livro “Terra do meu coração” de Lucinda Maria, no convívio de natal do Centro Paroquial de Santa Ovaia, na Noite de Fados do Seixo da Beira, no evento “Pais Natais em Movimento” e, ufa, no convívio de natal da Associação Desportiva de Gramaços!!! Tudo isto, tudo, com texto e registo fotográfico, qual grande repórter. Exige a justiça que se refira que há outro vereador, José Francisco Rolo, que também faz um trabalho notável, neste reportar ao mundo o que no concelho e na região vai acontecendo…

Os “má-língua” do costume logo dizem que é política, que são pagos para isso e outras “coisitas” assim mais-ou-menos.

Talvez importe mais enfatizar que, mesmo podendo ser política e votos e outros quejandos, estes homens fazem o que devem: reportam e promovem o que está acontecer. E no caso do Interior, partilham e testemunham o esforço e o trabalho de gente que insiste, que não desiste, que existe.

E disto, nas redes socias, todos queremos mais.   

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 22 de Dezembro de 2016)    

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publicado às 19:46


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