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o T1 do poder!

05.07.15

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Isto é uma partilha. Nas redes sociais é hábito partilhar. Esta é uma partilha transcrita com tempo e modo, para dar tempo para pensar. Nem que seja só por um instante....

 

O que a seguir se partilha foi escrito por Pedro Santos Guerreiro, ontem, no Expresso:

"... Mas quando se viu esta semana a elite política portuguesa arrumar-se numa sala por causa do livro de Miguel Relvas percebemos que estamos com a cabeça na Grécia e os pés de molho. O Portugal ali representado é o mesmo T1 que sempre mandou nisto. Sai Salgado e sai Sócrates mas o sistema adapta-se como se fosse mercúrio, um líquido que não molha e que uma seta trespassa sem furar. Não foi uma reunião simbólica, foi hiperbólica. Estavam lá todos, os que sempre estiveram e os que sempre tentaram estar, na eterna cobiça de um lugar ao sol dos que têm poder e participam no negócio.

... Se restasse pudor, Miguel Relvas teria feito a reunião à porta fechada. A porta escancarou-se para demonstrar que há escândalos políticos sem mortes políticas. Ali o negócio é influência. E a influência estava ali vibrava e gritava: eles mandam. ..."

 

...e neste instante, o poder escrever, que aqui é o nosso poder, fica por aqui! 

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publicado às 10:39

desTAPe-se

17.05.15

Uma semana TAP. E a TAP, que está financeiramente desTAPada, TAPou quase tudo, quase todas as notícias... até as notícias dos bancos, até as notícias dos défices. 

TAP.jpg

Os bancos.

Em portugal temos mais um banco que, se desTAPado, pode ser um caso...."as semelhanças do processo - com o BES - são demasiadas para ser mera coincidência", diz o jornalista João Vieira Pereira do Expresso, ao referir-se ao Montepio.

Como bem escreve o referido jornalista este fim de semana no Expresso Economia: "A Lehman Brothers faliu. A banca irlandesa foi toda nacionalizada. Os gregos injectaram em dois anos 82 mil milhões nos seus bancos (contas de Varoufakis). E os Espanhóis gastaram 51 mil milhões.... . Mas em Portugal, dos 12 mil milhões facilitados pela troika só metade foi usada. Ou os nossos bancos eram muitos bons, assim tão bons como o BES, ou algo está bem escondido que ninguém consegue, ou quer, ver." Estará tudo bem TAPado? Há coragem para desTAPar?

O défice.

O défice são contas desTAPadas, mesmo que seja com tolerância de 3%. Na Europa quem primeiro saltou o défice dos 3% foi a Alemanha!!! A Inglaterra, onde Cameron acaba de conseguir maioria absoluta, o défice é de 5,2%. E, tal como a França, tem até 2017 para baixar até aos 3%. A Finlândia, que tanto criticou Portugal, não cumpre nem com défice nem com os limites da dívida. Portugal vai, em 2015, honradamente ficar abaixo dos 3%. Todo desTAPado, talvez mesmo sem a TAP, pobrezinho.

Sim, sem a TAP. Goste-se ou não, só um privado pode TAPar o buraco da TAP, gerir a TAP e manter a TAP no ar. A voar.

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publicado às 16:45

«...o que acontece na vida de todos os dias não é as pessoas exprimirem apenas aquilo que já formularam mentalmente, que já sabem, que gostam e defendem; também dizemos por vezes coisas que nos surpreendem, ou até que nos ofendem, antes mesmo de, eventualmente, ofenderem terceiros. É comum encontrarmos obstáculos e resistências quando comunicamos aquilo que nos vai na cabeça; ou então dizemos frases que não controlamos bem, e que nos parecem inaceitáveis, contraditórias com os valores que professamos. Por isso é que algumas altercações no trânsito descambam em tiradas racistas, mesmo quando proferidas por indivíduos que não são racistas, ou que não têm consciência disso. A "liberdade de expressão" também permite que as pessoas digam aquilo que não querem dizer. E mais: que ouçam, espantadas, aquilo que têm para dizer, especialmente quando não sabiam antes.

Talvez a liberdade nos liberte, e nos liberte através da palavra, mas isso não é garantido. Herdeiros de civilizações do livro, atribuímos às palavras uma importância desmedida, quase sacralizada. Elas são o fundamento da crença e da identidade. De tal modo que nos desaguisados são quase sempre sobre as palavras e a sua interpretação, sobre aquilo que as pessoas ouvem naquilo que dizemos. Experimentamos uma profunda ansiedade quanto às palavras dos outros no espaço público porque sentimos a mesma ansiedade quanto às nossas próprias palavras. Tememos as diferenças entre as nossas intenções e as consequências das palavras. Ou a diferença entre as intenções e a nossa verdade íntima. Palavras e ideias têm uma vida mental autónoma. E todas as palavras, as que exprimimos e as que reprimimos, convocam o fantasma do inaceitável. O inaceitável das convicções sociais, das ideologias, dos tabus, das fobias. O inaceitável dos nossos desejos e pensamentos obscuros, que dizemos e que ouvimos quando nos exprimimos em liberdade.»   

Como gostava de ter escrito o que acima  se publica. É tamanha a identificação com a reflexão e a opinião que se assume a liberdade de divulgação como uma "Liberdade de Expressão", com a devida vénia a Pedro Mexia, que escreveu este texto (Dizer o Quê) na revista E na edição do semanário Expresso de 31 de Janeiro. 

Para ler e reler. E ler outra vez e voltar a ler de vez em quando.

 

(publicado em radioboanova.com em 1 de Fevereiro de 2015)

 

 

 

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publicado às 21:47

Escrito e publicado, com fotografia, nome e endereço de email.

Escrito e publicado num país que parece anestesiado.

Nada acontece. Nada.

Dois jornalistas, no Expresso, escreveram o que segue.

Aqui se guarda (e partilha) em post. Até um dia. 

«A banca em Portugal é um cesto de vergonha, onde imperou a má gestão, a aldrabice e o crime.

Os casos não são todos iguais, mas quando olhamos para o resultados vemos que seis bancos(1) portugueses faliram ou estiveram lá perto nos últimos anos. BCP, BPP, BPN, Banif, CGD e BES ou desapareceram ou precisaram que o Estado injetasse quantias consideráveis de dinheiro para os salvar. Os bancos na sua globalidade foram obrigados a registar imparidades de quase €30 mil milhões nos últimos anos. Só o estado tem um histórico pior em termos de destruição de valor. No entanto, os gestores responsáveis continuam por aí, como se nada fosse.

A análise pode ser simplista e até injusta para alguns bancos, mas não deixa de ser verdadeira. A banca portuguesa é, regra geral, de má qualidade. Não é por acaso que o único banco privado que consegue ganhar consecutivamente dinheiro no mercado nacional é espanhol: o Santander. Todos os outros só lucram devido às actividades que têm no exterior.» (1) o autor não mencionou o BPI.

João Vieira Pereira, Expresso Economia, 1 de Novembro de 2014

 

«...antes de tudo, acima de tudo e depois de tudo há um colapso gerado por pessoas com nome e que tem uma esquadria criminal, com palavras como fraude e burla escritas.»

Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15 de Novembro de 2014 

 

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publicado às 17:39

Com a ajuda de Pedro Santos Guerreiro, do Expresso, recupera-se o que um dia disse Ricardo Salgado sobre Filipe Pinhal e no que se tinha transformado o BCP:

 

«numa lamentável comédia que destruiu a um nível sem precedentes o valor do banco que geriram; que pôs em causa a credibilidade do sector e do país; e que envergonhou todos aqueles que empenharam as suas vidas e o seu património numa profissão que faz da discrição e do sigilo, da contenção e da prudência, da fidelidade e do dever fiduciários uma sagrada regra de vida.» 

 

Há quanto tempo estamos a desabar?

Pergunta André Macedo, do Dinheiro Vivo, que nos ajuda a reflectir sobre o momento.

 

Reputações que se julgavam sólidas desaparecem.

Ontem BEStial. Hoje BESta.

Está toda a gente a controlar os danos.

Quem irá na enxurrada?

Quantas empresas, empresários, empreendedores e empregos irão com a maré vazia e que ainda não parou de vazar?

Já não temos gestores a construir. Temos gestores de falências, especialistas em dívida, economistas...elevados subitamente a banqueiros para aguentar a credibilidade que se perdeu e reparar os danos...limpar a casa.

Não é normal mas fazemos de conta que sim.

É uma espécie de indulgência de fim de regime.

Há uma terrível sensação de que Portugal, nos últimos anos, na última década, tem andado de ressurreição em ressurreição, um fracasso dá lugar a outro ainda e sempre maior.

Suplantamo-nos na mediocridade e no encobrimento. 

E as pessoas sentem incrivelmente que é assim que a coisa funciona e...consentem, acomodam, acomodam-se.

Tanta asneira num país tão pequeno.

Chega de mentiras.

E que o banco continue verde, tal como a esperança, que assim não morre.

 

 

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publicado às 23:46

A CRISE DA LIBERDADE

 

«Existe uma crise das democracias que ultrapassa muito o problema da crise económica.

Nos anos 40 do século passado só 11 países eram livres. Mesmo após o 25 de Abril de 1974 (considerado o início da terceira vaga democrática), as democracias eram largamente maioritárias. Com as alterações na Grécia e em Espanha, logo seguidas de várias outras na América latina, na Ásia, em África (com a extraordinária transição que Mandela impôs) e, sobretudo, após a queda da URSS, a democracia parecia ser o futuro risonho do mundo..

No ano 2000, a Freedom House, um instituto americano, estimava que 63% dos países do mundo (120) eram pelanamente democráticos.

Mas de 2000 para cá assiste-se a uma regressão. A revista "The Economist" ( http://www.economist.com ), que dedica esta semana um longo ensaio à questão, revela que a mesma Freedom House reconhece que 2013 foi "o oitavo ano consecutivo em que liberdade global declinou."

Quais as razões para este retrocesso? É sabido que as democracias, mesmo em crise, permitem níveis de vida, de realização, de felicidade muito superior às ditaduras ou às democracias disfarçadas, tipo Venezuela, Angola ou Rússia.

Há razões que ultrapassam largamente a ideia que gregos (Séc. V a.c.) e iluministas (Séc. XVIII) tinham as virtudes democráticas. Uma sondagem na Rússia revela que quase 80% prefere uma economia forte a uma boa democracia. Largas camadas da população, mesmo nos países mais desenvolvidos, dão primazia à segurança e não à liberdade. A própria mística democrática da liberdade dissolve-se. Também a demagogia contribui para o desgaste das democracias ao associar a ideia de liberdade apenas e só a uma melhoria das condições de vida e ao constante alargamento de direitos (sem correspondentes deveres) para todos.

A demagogia é um bom terreno para alardear maus exemplos que, como a "má moeda", expulsa do palco os bens intencionados, omitindo que muitos dos escândalos tornados públicos só o foram porque vivemos em liberdade. Muitos ditadores parecem mais "sérios" e "amigos do povo" porque impõem censura e propaganda falsa e descarada.

Insidiosamente, os inimigos da democracia afirmam-se. As armas não são iguais nem justas porque as democracias, ao contrário dos regimes autoritários, reconhecem os seus falhanços e derrotas.

Desta caldo resulta um divórcio progressivo entre povo e elites que vai matando a democracia.»

 

Este texto, aqui reproduzido quase na sua totalidade, é assinado no jornal Expresso (1 março de 2014) por Henrique Monteiro.

Os destaques a bold são da N/ autoria.

Este texto provoca as seguintes questões:

 

- Liberdade ou Segurança (mais) assegurada e Economia (mais) saudável? Democracia ou Regime Autoritário?

  

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publicado às 12:05

"A ditadura do imediato e do falsamente evidente"

 

Foi com a ajuda de Henrique Monteiro, na sua crónica de hoje do semanário Expresso, que o acesso ás "Palavras Sábias" de Francisco Assis no Público, motivaram mais este especial do ca$h resto z€ro, que já vai na sua 24ª edição, sobre os regimes: a ditadura e/ou a democracia.

Todos os dias, todos os dias mesmo, há sempre alguém que se mostra preocupado com a democracia (ou com o regresso da necessidade da ditadura!!!) nas páginas dos jornais, nas rádios, nas TVs, nos blogues...e ás vezes, por sortilégio mas também pela qualidade, concorde-se ou não, o ca§h vai guardando (e interrogando) aqui "os contributos".

O Socialista Assis, homem que pensa bem e escreve da mesma maneira, reconciliou o jornalista Monteiro com o mundo, ao escrever:

 

«A cura para as novas democracias doentes, não reside essencialmente nos chavões mais ouvidos - mais participação, transparência e proximidade - mas na rarefação de políticos suficientemente corajosos para assumirem, com devida ponderação, algum distanciamento crítico face à ditadura do imediato e do falsamente evidente.

Não se afigura possível levar a cabo uma condigna ação política tendo por referência os arquétipos mentais prevalecentes na lógica comunicacional das redes sociais."

 

Assis faz ainda notar que, tal como em 1935 disse o Checo Husserl, o perigo da Europa é ser vencida pelo cansaço de um espírito crítico culto e exigente.

 

Num tempo em que um dos indicadores de medida da moda da classe política são os likes nos perfis, é possível que a economia de um país, como Portugal,  passe de uma espiral recessiva a uma recuperação fulgurante, num click.

No entretanto, o país, Portugal, passou os últimos dias em mais uma leva de idas ao circo dos casos:

- a discutir a co-adopção, sem que a grande maiora saiba sequer em que consiste!?

(quem paga o referendo desejado?)

- a discutir as praxes, sem que a grande maioria saiba sequer o que é!?

(quem paga o "dossier da praia do Meco"?) 

- a discutir Miró, sem que a grande maioria saiba sequer quem é?

(quem paga a propriedade, manutenção e exposição das pinturas do catalão adorado no BPN de Oliveira e Costa?) 

  

Ricardo Costa enganou-se, hoje, no Expresso, ao escrever que esta é "a cultura de um país sem juízo e sem dinheiro". Não, este é um país que teima em se governar sem dinheiro e...SEM JUÍZO.

 

Temos que acabar com a ditadura do imediato. Será tal possível em democracia?

 

 

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publicado às 18:34

Para o Coreógrafo a democracia está em risco.

Para o Professor em democracia é possível corrigir.

Para o Jornalista/Escritor a democracia não se governa assim.

Estas opiniões foram publicadas em Portugal nos últimos trinta dias.

Tantos e tão diferentes preocupados com a democracia. Porquê?

Talvez ajude a resposta ler o que se segue...

 

A democracia está em perigo, ninguém sabe bem o que vai acontecer, os limites foram sendo ultrapassados. Deixámos de investir nas pessoas para investir na imagem do país, para estar ao pé dos outros, para ser parecido com os outros, e esse foi sempre o problema de Portugal. O Portugal de brandos costumes não nos tem ajudado. As pessoas até se mobilizam, mas as manifestações não têm tido um efeito efectivo. Falta uma coisa que rasgue um pouco mais, que agite um pouco mais. As pessoas não vão até onde poderiam ir. Ainda existe medo, ainda existe muito a perder. E, em Portugal, o Estado é ainda muito presente.

Tiago Guedes

Coreógrafo, Teatro Virgínia - Torres Novas

Jornal de Negócios

 

Há desigualdade no capitalismo? Há.

Mas muitos que dela beneficiam tém-no por mérito (Bill Gates, etc.), não pela força.

E na democracia é possível corrigir muita coisa. Na ditadura nada.

Porque não há equilíbrio mas concentração de poderes.

E já se sabe como é: se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.

Jorge A. Vasconcellos e Sá

Mestre DruckerSchool

PhD Columbia University

Professor Catedrático 

Vida Económica 

 

Por falta de conhecimento e já falta de interesse, não discuto a questão de fundo: já sei que os ministros da Educação têm a tentação de lançar avaliações que acabam em rendições e que a Fenprof, por dever de função, é contra toda e qualquer avaliação - seja de professores ou de escolas.

Mas meter doze providências cautelares em doze tribunais, na esperança que apenas um deles - e será suficiente - decida a pretensão da Fenprof de suspender as avaliações, parece-me uma forma esdrúxula de conseguir que a simples opinião de um juiz possa suspender um acto banal de política de um Governo eleito, mesmo que outros onze juízes pensem diferente. Haverá alguma outra democracia no mundo que se governe assim?

Miguel Sousa Tavares

Jornalista, Escritor

Expresso

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publicado às 22:30

News em 2041

15.11.13

Na semana em que o Expresso anunciou um novo diário digital e a contratação de um dos melhores jornalistas nacionais, Pedro Santos Guerreiro, para o dirigir;

Na semana em que o jornal ABola intensifica a promoção da sua edição digital a 1 euro por semana;

Na semana em que Público anunciou que todos os conteúdos digitais vão passar a ter acesso pago por todos os leitores, após um determinado número de artigos lidos....

...sim, está em curso uma revolução radical na forma em como se consome informação....que tende a ser mais íntima e individualizada... 

...a propósito, aqui se partilha o texto publicado e assinado por Simone Duarte, também esta semana, no diário generalista da Sonae, que devia ter no topo da página a seguinte mensagem:

leitura obrigatória.  

 

O futurista australiano Ross Dawson tornou-se impopular entre os jornalistas em todo o mundo quando criou, em 2010, um mapa que previa a data de extinção dos jornais impressos, país a país. Pelos cálculos de Dawson, 2041 seria o ano de extinção dos jornais em papel em todo o planeta. Será? O PÚBLICO lançou o desafio a seis profissionais que estão no olho do furacão: como leremos notícias em 2041?

 

“Algoritmos inteligentes, Big Data e comunicação social unir-se-ão para criar experiências únicas e personalizadas para todos os consumidores” – acredita Alan D. Mutter, que está em Silicon Valley, na Califórnia, a Meca da tecnologia, desde 1996 onde já foi CEO de três start-ups. “Não faço a menor ideia de como é que as pessoas receberão as notícias em 2041 porque, até lá, a tecnologia evoluirá certamente muitíssimo. Há sete anos, não havia iPhones. Há três anos, não havia iPads. Há um ano, não havia o Google Glass [óculos de realidade aumentada que se ligam à internet e permitem sobrepor imagens digitais àquilo que o utilizador estiver a ver]. Há algumas semanas, não existia o relógio da Samsung [relógio que se liga à internet e tem algumas funcionalidades de um smartphone], mas o que eu sei é o seguinte: se o leitor for um vegetariano canhoto que ganha 33 mil euros por ano, adora música de acordeão polaca e tenciona fazer uma viagem a Moscovo receberá notícias, informação comercial e de lazer de acordo com as suas necessidades específicas, incluindo informação que ‘aterra’ no seu dispositivo inteligente quando passa por determinada loja ou circula por uma determinada estrada para ir trabalhar. A comunicação social será íntima, individualizada e transacional de formas que hoje não conseguimos imaginar” – prevê em declarações ao PÚBLICO o antigo jornalista que trocou a redacção do San Francisco Chronicle no fim dos anos 1980 para criar uma start-up. Hoje, o seu blogue Reflexions of a Newsosaur (Reflexões de um dinossauro das notícias) é leitura obrigatória para quem quer manter-se informado sobre tecnologia e media.

 

O veterano Alan D. Mutter não acredita que 2041 seja uma data mágica para acabar com o papel impresso. Lembra que alguns jornais nos Estados Unidos e em outras partes do mundo já deixaram de ter versão em papel. Outros imprimem apenas em alguns dias da semana. Com o passar do tempo, os directores e administradores de mais publicações – acredita – optarão por deixar de imprimir ou por reduzir a sua dependência do papel. “Se a versão impressa continuar a diminuir nos próximos sete anos como diminuiu nos últimos sete anos (as receitas da publicidade de jornais nos Estados Unidos caíram de 49 mil milhões de dólares para 22 mil milhões em 2012), muitas serão as rotativas que se calarão muito antes de 2041. Por outro lado, o papel impresso será apreciado pelos consumidores para algumas finalidades e eu espero ardentemente poder ainda desfrutar do cheiro da tinta no papel em 2041, embora essa possa não ser a forma mais comum com que me chegam as notícias do dia. Agora que penso nisso, eu já recebo quase todas as minhas notícias em pixéis.”

 

O canadiano Brian Wong chegou a São Francisco muito depois de Alan D. Mutter. Tinha 18 anos quando se licenciou na Universidade em Vancôver. Aos 20, tornou-se o empreendedor mais jovem a receber financiamento de capital de risco no mundo. Hoje, tem 22. É co-fundador e CEO da Kiip, a maior rede móvel que dá prémios para incentivar os utilizadores a atingir objectivos em aplicações e jogos (por exemplo um jogador pode ter 5 dólares de desconto na Amazon depois de completar um nível num determinado jogo). Está presente em mais de 400 aplicações em 30 milhões de aparelhos móveis. A firma foi nomeada pela revista Fast Company uma das 50 empresas mais inovadoras em 2013. Angariou até agora 15,4 milhões de dólares de financiamento. Wong aposta que em 2041 vamos assistirà “tinderização” dos conteúdos.

 

“Penso que a muito recente e interessante aplicação chamada Tinder [uma aplicação lançada há pouco mais de um mês que aproxima pessoas que não se conhecem mas que moram perto umas das outras e podem ter ou não os mesmos interesses] não é apenas mais uma aplicação – escreve em declarações ao PÚBLICO por email. “Trata-se de um marco na história humana no sentido em que os nossos conteúdos e interacção vão ser, no futuro, muito mais binários, muito mais dimensionados em termos de bites. A nossa interacção móvel e instantânea requer microbits de processamento cerebral e o binário é a melhor forma de permitir uminput maciço para as mais diversas personalizações.”

 

“Houve tantas esperanças frustradas em relação à personalização que as pessoas já quase se esqueceram dela” – diz ao PÚBLICO Gene Liebel, o norte-americano que liderou o trabalho de redesenho desites noticiosos como CNN e Reuters e dirige a Work & Co., no Brooklyn, em Nova Iorque, uma das jovens empresas mais bem-sucedidas no desenvolvimento de produtos digitais. “Na verdade, trata-se de um problema técnico de tal complexidade que apenas nos últimos anos se começou a resolvê-lo. As funções de personalização de que dispomos hoje representam talvez 1% do que é possível. Em 2041, talvez os dispositivos sejam capazes de compreender e processar toda a nossa actividade – não só o que consumimos digitalmente, mas acontecimentos da nossa vida, porventura até as nossas conversas – e calcular o tipo de informação que nos interessa com um nível de fiabilidade espantoso.” Assim, garante Liebel ao PÚBLICO, “será possível ter uma tecnologia que possa verificar factualmente o trabalho de um jornalista – ou o discurso de um presidente – em tempo real”.

 

Liebel acredita que talvez 90% das formas como as pessoas consumirão notícias em 2041 serão inventadas depois de 2013, mas há algo que não mudará: “A tecnologia muda, mas nós temos tendência para querer as mesmas coisas. E, no que diz respeito ao consumo de notícias, uma coisa que tendemos a querer – e que a Internet tende a dar-nos – é mais controlo. Em 2041, Liebel gostaria de ver a chamada “economia da reputação” evoluir para um estádio em que os leitores tenham uma indicação imediata das novas fontes de informação que são fidedignas: “Gostaria de ter acesso a especialistas em todas as matérias – incluindo os que sejam completamente independentes – que tenham conquistado, com o tempo, a confiança da comunidade, quer pertençam a uma organização noticiosa estabelecida quer não.”

 

Sobre o papel dos editores, Gene Liebel acha que, em 2041, não terão mais o poder de formular a dieta de notícias diárias. “Embora isto possa parecer negativo, um dos objectivos dos editores é conseguir captar a minha atenção todos os dias, quer haja uma história importante para contar quer não. Isso é uma perda de controlo da minha parte, como leitor, algo que a Internet tende a eliminar com o tempo.”

Já Michael Bove Jr., do prestigiado Laboratório de Media do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, não vai tão longe. Acha que a curadoria e a edição serão feitas em parte por profissionais, em parte pelas redes sociais e parte será automatizada. “Tendo a pensar que as notícias vão surgir de três fontes: jornalistas profissionais, jornalistas-cidadãos e o que poderemos chamar ‘jornalistas-robôs’ (sensores que recolhem informação e a transformam em alguma coisa que interessa aos seres humanos)” – afirma ao PÚBLICO o director do Consumer eletronics Lab e co-director do Center for Future Storytelling do Media Lab.

 

“Neste momento, estamos a viver uma revolução radical na forma como se consomem notícias” – diz ao PÚBLICO a jornalista Amy O’Leary do The New York Times, que esteve recentemente a participar da conferência Regresso ao Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, e faz parte do recém-criado grupo de inovação formado por seis profissionais do jornal norte-americano. “Há dez anos, os leitores começaram a fazer uma transição do papel para o online. Nos últimos dois, o consumo de notícias em telemóveis e tablets aumentou a um ritmo absolutamente extraordinário; muito em breve, haverá mais pessoas a ler notícias em telefones inteligentes do que em computadores. Estas alterações de comportamento estão a acontecer mais depressa do que nunca e não se sabe onde nos podem levar. É por isso que é difícil imaginar exactamente como é que as pessoas vão consumir notícias em 2041. Alguns futuristas pensam que computadores ‘vestíveis’, como o Google Glass ou os ‘relógios inteligentes’, irão tornar-se tão comuns como hoje são os telefones. Outros imaginaram visões mais radicais: que a biotecnologia possa, um dia destes, ser integrada com o corpo humano para fornecer informação. Felizmente, o jornalismo sempre foi bom em encontrar novas histórias, novas pessoas, novos heróis e vilões. Em 2041, acho que isso continuará a ser o cerne do nosso trabalho. Temos é de ser muito, mas muito melhores nesse domínio.”

O português João Medeiros, editor de ciência da revista Wired, concorda. São os próprios jornalistas confrontados com tantos desafios mas também com novas oportunidades que precisam de se reinventar, mais do que a plataforma ou o produto em si: “Os jornalistas têm de ser capazes de experimentar e inovar no modo como contam as histórias e precisam cultivar a diligência, a componente essencial para procurar as histórias que precisam de ser contadas no nosso tempo. Esta é a essência do jornalismo.”

 

Amy O’Leary remata: “Não consigo perspectivar qual será o sistema de fornecimento de informação em 2041, mas, seja qual for, o jornalismo terá de continuar a ser rigoroso, objectivo e célere quando os factos acontecerem. As pessoas procurarão sempre histórias interessantes e bem contadas. Estas duas coisas vão ser sempre iguais.”

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publicado às 23:23

 

 

40 anos do jornal Expresso. Quase tantos em democracia. Uma exposição, que vai correr o país.

Começou a volta a Portugal, em Lisboa, no Rossio.

A História de Portugal contada em «4 clicks», de forma tão abreviada quanto brilhante!

Para lá da exposição, no final da praça, um outro «click» que em baixo partilhamos.

A pobreza da democracia significa precisar de uma ditadura? 

 

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publicado às 19:31


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