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A ditadura do mesmo

 

O texto (aqui em excertos) que se publica é assinado no Público ( http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-ditadura-do-mesmo-1634028 ), em 30/04, por Rui Tavares (Historiador e eurodeputado, cabeça de lista do partido Livre às eleições europeias).

 «Escrevo minutos depois de ter visto o primeiro debate entre os candidatos a presidente da Comissão Europeia. Um debate histórico. Falou-se de tudo o que é essencial para o nosso futuro: desemprego, eurobonds, troika, juventude, energia, Ucrânia, imigração, envelhecimento, pensões e salários. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, quatro candidatos ao executivo de uma União de países explicaram como pretendem governar se forem eleitos. E, no entanto, escrevo estas linhas com raiva.

Porquê? Porque em Portugal ninguém quis organizar este debate....

...as instituições e órgãos de comunicação social que não quiseram dar atenção a este debate justificaram-se com a falta de interesse dos portugueses por temas europeus. Mas querem saber a melhor? Durante o debate de ontem foi batido um recorde de dez mil tweets por minuto comentando as propostas dos candidatos. Sabem de onde vinha a grande maioria? Dos países do Sul da Europa....

...Portugal, hoje, é a ditadura do mesmo: os mesmos debates, os mesmos círculos, as mesmas opiniões e os mesmos partidos, fazendo as coisas sempre da mesma maneira, e coreografando as mesmas controvérsias com as mesmas palavras e o mesmo vazio de significado....

O mesmo se passa hoje. Há regimes que são oligarquias, burocracias, tecnocracias ou bancocracias. O nosso regime é a mesmocracia....»

 

O texto (aqui em excertos) que se publica é assinado no Dinheiro Vivo (http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/Artigo/CIECO345774.html?page=0 ), em 02/05, por Pedro Bidarra (Publicitário, psicossociólogo e autor).

 «Gostei do artigo do Rui Tavares (RT) no Público...

...Apenas corrigiria a referência ao hoje. Dá-me ideia que Portugal sempre foi assim: mais do mesmo. Portugal é um país onde a convenção reina e onde a inovação, o risco e a criatividade estão, há muito, na clandestinidade.

"Imbecilidade é fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes" é uma citação famosa atribuída a Einstein – que na verdade disse insanidade em vez de imbecilidade, mas eu dei-me a liberdade de traduzir assim.

Usando esta definição operativa de imbecilidade, eu direi que Portugal é um país com uma quantidade anormal de imbecis. Não sei se tem mais ou menos imbecis que a média, mas desconfio que, entre as suas elites, estará acima da média europeia. Parece-me mesmo que, para se chegar à elite, é precisa uma razoável dose de imbecilidade, ou seja, de pensamento convencional, de saber fazer o que sempre se fez, de falar como sempre se falou, de pensar o que sempre se pensou.

Quando falo em elites não me refiro apenas àquelas em que é fácil malhar nos jornais e nas redes sociais: os empresários e os "capitalistas". Claro que nessas elites há imbecis com fartura, embora no mundo empresarial haja uma selecção natural que impede a permanência no topo das empresas de grandessíssimos imbecis. Mas os imbecis, os que fazem o mesmo e esperam resultados diferentes, estão em todo o lado.

Estão nas direcções dos jornais e televisões, por exemplo. Oh se estão. Basta ver as dezenas de programas em simultâneo com um moderador e três gajos a falar de futebol; todos a fazer o mesmo à espera de resultados diferentes. Imbecilidade, lá está.

A cultura, por exemplo, está cheia de imbecis muito eruditos: gente que sabe tudo o que se fez e por isso insiste em fazer, premiar e aplaudir o que se faz como sempre se fez. Para se ser escritor ou artista não é preciso fazer nada de novo. Basta ter o pensamento do costume, a opinião do costume, a cor do costume, os amigos do costume e fazer qualquer coisa que seja parecida com a coisa do costume.

E estão no povo que, desde há 40 anos, alternadamente vota PS e PSD e espera resultados diferentes.

...O RT está frustrado...

...Mas não estará ele e o Livre a fazer o mesmo de sempre? Não é o Livre apenas mais do mesmo? Não estará o RT com raiva de um sistema que faz sempre o mesmo, porque esperava o mesmo tratamento que afinal não tem?»

 

Será que a democracia, hoje, é a ditadura do mesmo do costume?

 

 

 

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publicado às 10:19



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