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Portugueses são os europeus mais descontentes com a sua democracia

 

Apenas 14% dos portugueses dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a democracia em Portugal e a mesma percentagem repete-se no que diz respeito à satisfação com a democracia nas instituições europeias - números que fazem de Portugal o Estado-membro mais descontente da União Europeia (UE). Esta insatisfação parece ter correspondência directa com o interesse nacional por temas europeus, já que o país ocupa a penúltima posição no interesse sobre o que é discutido em Bruxelas. Causa ou consequência das respostas anteriores: só 36% dos portugueses consideram que pertencer à União Europeia é "uma coisa boa".

No Eurobarómetro divulgado esta semana foi avaliada a satisfação dos europeus com o funcionamento da democracia, mostrando que Portugal é o país mais insatisfeito com a sua democracia e com a democracia da União Europeia. Em geral os estados-membros avaliados - 27 países, já que a sondagem decorreu antes da entrada da Croácia - estão mais satisfeitos com a democracia individual de cada país (que em média se situa nos 52%) do que com a democracia nas instituições europeias (44%). Mas num e noutro caso estão muito mais satisfeitos que Portugal, que nos dois questionários registou um nível de satisfação de apenas 14%. Nas duas questões, a Grécia ficou no penúltimo lugar. A nível nacional os mais agradados com a sua democracia são a Dinamarca (89%) e a Suécia (87%). No que se refere à democracia na UE, a Bélgica mostra-se o país mais satisfeito (68%).

Em resumo: os países onde a democracia é “mais satisfatória” para os seus cidadãos são, obviamente, a Dinamarca, a Suécia, a Finlândia, a Áustria, o Luxemburgo, a Bélgica, a Alemanha, a Holanda, todos com índices de satisfação, acima dos 70%. Com “satisfação” abaixo de 30% estão países como a Espanha, a Roménia, a Eslováquia, a Bulgária, a Grécia e Portugal. Significativo. Esta é a Europa a dois ritmos que a CE criou. De um lado, os “ricos do Norte”, satisfeitos, do outro os “pobres do Sul”, insatisfeitos.

Também no interesse que os europeus têm sobre os temas discutidos no seio da União Europeia os portugueses estão no fundo da tabela. Colocam-se nos 29%, sendo a média europeia de 43%. O país menos interessado nos temas europeus é a República Checa (25%).

Também a nível do envolvimento dos cidadãos nas instituições europeias, os portugueses não são optimistas, ficando as suas expectativas para um maior envolvimento em 2025 abaixo da média europeia (48%). Neste estudo fica também a saber--se que apenas 36% dos portugueses consideram que pertencer à União Europeia é "uma coisa boa", ficando apenas a Grécia, o Reino Unido, a República Checa e Chipre abaixo dessa percentagem.

Ao mesmo tempo, os portugueses são dos europeus que mais querem que o Parlamento Europeu assuma um papel mais importante do que tem actualmente entre as restantes instituições europeias - Comissão Europeia e Conselho Europeu. 60% dos portugueses afirmaram que essa é a sua preferência, enquanto a média europeia se situa nos 49%.

Sobre os problemas a que as instituições europeias devem dar prioridade, 72% dos cidadãos nacionais (a percentagem mais alta entre todos os países) consideram que a pobreza e a exclusão social devem ser a preocupação número um de Bruxelas - a média europeia situa-se nos 51%. No contexto da crise, Portugal é o terceiro país que aponta como problema mais urgente o combate ao desemprego e a criação de emprego (a liderar a lista está a Espanha e logo a seguir a Dinamarca).

Já no que diz respeito aos valores que a UE deve defender, a maioria dos europeus considera que os direitos humanos são o valor mais importante. A média europeia para esta preferência situa-se nos 54%, mas apenas 45% dos portugueses consideram que este deve ser o valor principal a defender. Entre outros valores enunciados pelos europeus estão a igualdade entre homens e mulheres, a solidariedade entre estados-membros, a liberdade de expressão, o diálogo entre culturas e religiões e a solidariedade da UE com os países mais pobres do mundo.

 

É possível pensar Portugal sem democracia e "sem" europa?

 

(Fonte: Jornal I)

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publicado às 19:32


1 comentário

De Rita Lobo Machado a 09.03.2014 às 20:10

Quanto à Europa e com uma \"Europa a dois ritmos que a CE criou. De um lado, os “ricos do Norte”, satisfeitos, do outro os “pobres do Sul”, insatisfeitos\" não só deve ser possível pensar como é melhor acontecer.

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