Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



s.jpg

O mal é nacional. O país é pequeno a reconhecer os seus que aqui são grandes. Só quando o reconhecimento dos seus é internacional, isto é, chega lá de fora, é que o nacional se curva ao talento, ao feito…dos seus! Este após é quase sempre pouco entusiástico, nada de exageros, que Portugal tem mau feitio com o sucesso: tanto o deseja como o inveja.

No interior, este mal nacional, é tão habitual que se tornou banal.

O interior precisa de gente. Precisa de gente de qualidade. Quando a gente que gosta do interior, que está no interior e ou que faz acontecer no interior, tem qualidade, faz sucesso e se distingue, o interior que é a sua pátria, não a reconhece, não a aplaude e, muitas vezes, desvaloriza-a.

Esta pequenez comportamental chega a ser cruel. Tantas são as vezes que se ouve o comentário assassino: se fosse assim tão bom, já cá não estava, já aqui não andava! – que é preciso ser mesmo superior para continuar a querer estar e fazer no interior.

O Zé do interior só deixa de ser “Zé” após sair do interior… e de vez em quando voltar ao interior, com bom carro, boa pinta e, com ar paternalista, for cumprimentando uns e outros, soltando narrativas mágicas tal como “aqui vive-se bem” e… vai-se embora! - Até qualquer dia, Senhor José.

Nada faz no interior, nada acrescenta ao interior, mas é uma estrela do interior: gente boa, com sucesso, lá em Lisboa. Se aparece na TV, nos jornais e se faz bem a sua auto promoção nas redes sociais, com ou sem fundamento que o que interessa é parecer e aparecer, então o interior sobe a admiração, de considerado para prestigiado.

Sim, é preciso ser mesmo superior para continuar a estar e fazer no interior…quando tal não seja com verdadeiro e mensurável benefício próprio. Ora, neste contexto, o risco é perder os melhores e ficar entregue a menos e piores.

O interior é cada vez mais a parte de Portugal com menos pessoas, com menos jovens, com menor geração de riqueza, com menos oportunidades. Parar e inverter este ir para o deserto, obriga o interior a ser superior no reconhecimento aos que nele investem, desenvolvem e fazem.

Se assim não for, não vai ser grande coisa o futuro do interior…  

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 27 de Abril de 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:41



Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Abril 2016

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930




Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D