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Podemos Acreditar.

Podemos não Acreditar.

Não devemos Ignorar.

Cem anos depois, Fátima é isto. Isto é ser simples, sem ser simplista. Fátima é um tema tão vasto, tão rico, tão cheio, tão insolúvel, tão inconclusivo, tão escrito, tão falado, tão vivido, tão apropriado, tão presente, tão inacabável, tão inabarcável, que nos obriga a ser peregrinos do nosso ser individual e construir o nosso caminho…para chegar lá.

Fátima, tendo fé na razoabilidade do individual de cada um de Nós, não nos permite seguir maiorias ou manadas, quer sejam do tipo antifatimismo, quer sejam do tipo apologético.

São inúmeras as visões sobre Fátima. Aliás, tantas, que até as Aparições são por muitos assim designadas: Visões.

Mas o caminho de Fátima não deve ir por aqui. Como bem diz Luís Filipe Torgal (o livro “O Sol Brilhou ao Meio-Dia. A criação de Fátima.” é de leitura obrigatória e interpela-nos de uma forma séria e fundamentada): “discutir o problema da autenticidade/falsidade das aparições…será sempre estéril, porque inconclusivo, e propício aos mais diversos exercícios especulativos” (Público, 12 Fevereiro de 2017).

São vários os que anunciam que explicam definitivamente o fenómeno Fátima. De forma concludente e inatacável, esse milagre, nunca aconteceu…desde o tempo de Manuel Nunes Formigão.

Resulta daqui o formigueiro que nos inquieta. Neste caso, talvez seja um perdoável abuso de escrita dizer: o formigão que Fátima nos provoca. É estúpido ignorar. E nada inteligente ser indiferente.

Fátima nunca foi fácil. O Dr. Formigão, o homem-Fátima, demorou oito anos (!!!) a elaborar o inquérito…que “oficializou” Fátima!

O formigão que Fátima espalhou por milhões e milhões de pessoas é de tratamento individual e exige uma componente elevada de tolerância e respeito, de todos para com todos, incluindo ateístas.

Parece evidente que o formigão de Fátima aumenta de intensidade, porventura dispensável, com segredos, milagres, promessas, canonizações, feiras de mau gosto, exibições arquitetónicas e outras. Veja-se a este propósito, o terço gigante, a última obra de arte (???) de Joana Vasconcelos, que vai ser iluminado na noite de 12 para 13 de Maio, durante as comemorações dos 100 anos.

Pode ser que a visita do Papa Francisco nos ajude a controlar o formigão. Ou não.

Talvez seja este o grande milagre de Fátima: um formigão eterno.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 9 de Maio de 2017)

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