Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Durante o fim de semana deu-se o milagre.

Domingo à noite, pertinho das 23h, sim, já eram quase 11 da noite!!!

Um Senhor, Carlos Costa, de cabelos brancos, com ar de cansado, voz tropeçante, deu a conhecer o banco bom (NOVO BANCO), o banco mau (BES) e até o vilão (quem?).

Assim, num instantinho!

 

Um banco novo;

Um presidente, Vitor Bento, que era presidente do banco que agora é nome do banco mau e que agora é presidente do banco bom;

E dinheiro. Dinheiro de um fundo, detido por todos os bancos nacionais, que resolve e se chama Resolução, como não podia deixar de ser, e dinheiro, muito dinheiro, da linha da Troika, que "só" vai custar 2,95%.... 

 

O Banco de Portugal partiu o BES em dois.

De um lado ficou um banco com os activos de qualidade e que terá um imaginativo (e transitório?) nome de NOVO BANCO. O outro banco será um "bad bank" que vai agregar todos os activos tóxicos do antigo BES, tais como os créditos concedidos às holdings da família Espírito Santo.

É uma solução engenhosa porque protege os clientes e depositantes do banco e porque separa o risco soberano do risco bancário. Mas é uma solução injustamente dolorosa porque aplica o mesmo castigo (perda total de património) à família, aos grandes e aos pequenos accionistas, muitos deles pequenos aforradores, clientes ou trabalhadores do banco. Ser pequeno accionista em Portugal é....

Na banca Tudo É Possível.

 

A solução, apesar de tudo, parece a menos má e o BES era tão grande que tinha que ter solução.

 

7 questões, 7 e qualquer coisa, para o tempo responder:

  • como se justifica que ninguém do governo tenha dito uma palavra e tenha sido o Banco de Portugal a anunciar um empréstimo feito pelo Estado? E o anúncio tinha que ser como foi, tipo América Latina e de fazer inveja a Chávez?
  • se tudo indica que há fraude, até Carlos Costa o "disse", como é que ainda ninguém foi detido?
  • os bancos que se responsabilizam pelo empréstimo da troika ao Fundo de Resolução não exigem uma garantia do Estado?
  • os credores que foram exilados no “banco mau”, mas que fizeram operações com o BES, vão aceitar agora perder o seu dinheiro sem levarem a tribunal o Estado ou o NOVO BANCO? E os pequenos accionistas?
  • o estado vai emprestar dinheiro a um Fundo que não tem recursos próprios e não tem uma palavra a dizer sobre a condução e estratégia das operações financeiras?
  • alguém acredita que tudo fica na mesma e que não vai haver despedimentos?
  • e se ninguém comprar o NOVO BANCO, quem vai pagar a conta?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:02


2 comentários

De Rita Lobo Machado a 04.08.2014 às 23:24

Há uma resposta que me atrevo a adiantar: A conta vai ser paga pelos mesmos de sempre.

De Guerra Junqueiro a 05.08.2014 às 20:26

Eu sacrifico-me. Eu compro o Novo Banco. Você empresta-me o dinheiro e eu pago-lhe o dobro do que o estado paga de juros à troika...
O impressionante de tudo isto é que ninguém ainda entendeu a causa da crise mas já todos criticam a solução. Até se poderia argumentar que esta é a forma de funcionamento de uma regulação bancaria a sério.

Cumprimentos
Guerra Junqueiro

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Agosto 2014

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31




Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D