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- No interior é que estamos a facturar bem! As Câmaras e as Juntas são melhores do que as “Comissões de Festa” de antigamente.

Escutei esta frase, numa conversa a dois com um dos maiores representantes da música ligeira nacional, como se dizia antigamente.

Sim, hoje é assim. São as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia que fazem a maioria das festas, sendo que grande parte destas festas beneficia dos dinheiros europeus, em pressuposta defesa dos produtos endógenos, dos costumes e das tradições. E está o arraial montado, de borla ou quase de borla, como tem que ser.

Há aqui uma magoada ironia: onde tudo é cada vez menos, as festas são cada vez mais.

Os dados da Pordata não enganam:

- 44% dos Portugueses vive nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, isto é quase metade da população reside em 5% do território nacional, de um país em que há mais gente a sair do que a entrar;

- O Norte/Interior já tem mais velhos (e pensionistas) do que jovens, e a quebra maior de fecundidade foi nesta região. Aliás, o país está longe dos 2,1 filhos por mulher necessários para assegurar a substituição de gerações – a média actual é 1,23;

- A banca, em 2014, emprestou 86,4 milhões de euros para habitação. 40% deste valor foi para a área metropolitana de Lisboa. Nelas, sim Nelas, ocupa o fundo da tabela;

- Em Portugal, há um médico para cada 222 habitantes. Em 2001, o número era 311. No entanto, no interior há carência de clínicos;

- É no Interior Norte (e no Alentejo) e Centro que há menos poder de compra, ainda que a disparidade regional tenha diminuído;

- Os municípios que mais dinheiro recebem do Estado são do Interior e dos Açores, isto é, o Interior depende do Orçamento de Estado.

Cada vez menos geração de riqueza, cada vez menos emprego, cada vez menos jovens, cada vez menos gente, cada vez maior dependência do Estado e…cada vez mais festas?!

Nada contra as festas. Nada. Mas as festas são animação, são promoção, não são resolução… nem futuro.

Para o Interior ter futuro é preciso que o país seja inteiro na fixação das (melhores) pessoas.

É este o desafio (urgente) que quem é eleito para governar e decidir em proveito de todos e do todo.

Se assim não for…Ai destino, Ai destino…Ai destino tão cruel…

 

*música de Tony Carreira    

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 14 de Julho de 2016) 

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publicado às 21:46



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