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«Se as pessoas à sua volta não o virem, ajoelhe-se-lhes aos pés e peça perdão, porque na verdade a culpa foi sua.»

Dostoievsky

 

Qualquer viagem, com patrocínio do Google, pelo mundo WWW, permite encontrar milhões de artigos, mais ou menos profundos, sobre liderança. Sendo assim, não sobram dúvidas: é super-motivante escrever sobre Liderança!

Estranho? Contraditório? Não. De modo algum.

Vejamos: se não escrever nada de novo, não vem mal ao mundo! Dos milhões de textos que existem sobre o tema, milhares e milhares repetem-se; se escrever algo errado, não é relevante! Há tantos autores a escrever coisas patetas sobre liderança, que já não há ser humano que se escandalize; se escrever algo de interessante e alguém der conta, ena, bingo! Até pode ser que me convidem para escrever um livro, melhor, que me convidem para uma conferência, daquelas que se fazem em escolas famosas para platéias reduzidas, mas ilustres.

Num desfolhar ligeiro dos manuais, saltam para a memória duas ou três ideias fortes:

  • A competência de liderança desenvolve-se. Ninguém nasce líder!
  • O líder é reconhecido como líder.
  • O líder é....O líder é...O líder é.....

Estas ideias não são mais do que a melhor técnica para nunca falhar o alvo, isto é, dizer coisas óbvias, não polémicas e evidentes. Assim não há uma “normal alminha” que se atreva a contestar. Na última frase, para evitar mal entendidos deve escrever á frente do «é» tudo o que lhe ocorre em sonhos: perfeito; exemplar; brilhante, etc, etc.. Sim, é verdade, a grande maioria dos manuais dos líderes definem os protagonistas da tribo como gente imaculada, banhada pelo dom da perfeição absoluta e possuidores do chip do automatismo, que impede o que quer que seja que não seja exactamente o que tinha que ser, como deve ser!

Chegados aqui já não há remédio: todos queremos ser líderes! Não é bem, não faz bem, não se aceita, que alguém afirme alto e bom som: sou um liderado! Não pode ser, nem sequer soa bem. Todos somos líderes, mesmo que ninguém reconheça o dito como tal, embora a culpa- julga ele- não seja dele.

O texto podia acabar aqui. Se não há liderados, também não há líderes. Ponto final na liderança.

Mais devagar, talvez exista uma saída!?

Se nós colocarmos a liderança onde ela deve estar, leia-se, definida como um processo de inspiração, de incentivo e fomento de entusiasmo, então, talvez seja possível eu seguir uma determinada liderança, sem que seja liderado, antes sendo líder na definição do meu caminho (profissional, pessoal) buscando inspiração, incentivo e entusiasmo em outrem (que até pode ser no plural) sem deixar de pensar, de ter opinião, de ter opção e de actuar de acordo com valores em que se acredita e que se quer praticar.

Seguir uma determinada liderança não implica não ser líder também. Quantas guerras, quantas perdas, quantas zangas, já se teriam evitado se esta pequena frase estivesse presente em cada um de nós a todos os momentos, nomeadamente no desenvolvimento da nossa vida profissional?

Não entender “isto” é não entender o que é liderança, nos dias de hoje! Sinceramente, a forma como nos vendem Liderança em livros, acções de formação, artigos de jornais e revistas, é a grande razão do desenvolvimento do que defino como o complexo do liderado. É tal o ruído e a epopeia sobre o tema que a confusão que gera na mente da grande maioria leva a comportamentos indíziveis, descontextualizados com o protagonista e com a situação, que oscilam na tabela classificativa entre o penoso e o ridículo. Tudo, para não ser visto como liderado. Tudo para ser líder, como se leu na revista, como disse o formador Americano, como sublinhei no livro do guru que li em Agosto último.

Em todo este processo é preciso falar de comunicação: como comunica um líder com outro, sem que um seja mais líder do que outro e vice-versa?

Falta ainda fazer referência a essa coisa simples chamada exemplo, para termos dito o que nos parece o essencial do essencial sobre liderança.

Antes de sair, ao jeito de remate final, e á falta de uma referência com uso de  citação de gente como Churchil, Mandela, ou, para estar na onda, podia mesmo ser José Mourinho, vou recordar uma frase (em Inglês, tem que ser, desculpem!), proferida em 2001 por Brian Willman, professor da London Business School:

«I strongly believe that leadership is the ability to get extraordinary results out of ordinary people.»

...e ordinários somos todos nós. O que é extraordinário.    

 

 

(publicado em Janeiro de 2006 no site da empresa PMEPartner, e agora aqui (re)editado na íntegra)

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publicado às 22:58



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