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Os doidos!

30.05.14

O que seria do interior sem os doidos?!

Sim, são os doidos que garantem muito do que se faz bem no interior.

Sim, são os doidos que dizem para o exterior o que o interior é capaz.

Sim, são os doidos que fazem o interior com o amor. Por amor.

E quem são os doidos?

São aqueles que assumem clubes sem dinheiro, que gastam o seu dinheiro no clube e, qual cume da loucura, se financiam com o seu nome para pagar as contas em nome do clube.

São aqueles que lutam por instituições sem dinheiro, que formam e informam, dando-lhe o seu tempo, o tempo da família, o tempo dos amigos, em troca de nada. Ou quase de nada.

São aqueles que gostam de fazer, que gostam de gerar condições para se fazer, que acreditam que é importante fazer, que lutam por que tem que se fazer, em prol de todos.

São estes os doidos.

E no interior onde sempre falta muito, onde há pouca gente, estes doidos são (quase) sempre os mesmos.

São mesmo doidos. 

Insistem, teimam, revoltam-se e continuam, querem sempre continuar. Ás vezes mudam e saem do projecto sem dinheiro para o projecto onde não há dinheiro. Enfim, hábitos de quem está habituado.

Correm por gosto, correm com gosto. Visto de fora, não se consegue perceber de onde lhes brota o gosto- pois, são doidos.

Nunca foi fácil a um doido ganhar o respeito dos seres comuns que os olham a fazer coisas de forma incomum. E aí chega a crueldade louca: se eles ali andam é por interesse, por interesses, com ganhos pessoais e outros que tais.

O doido fica magoado, mas perdoa. São grandes a perdoar a falta de grandeza daqueles que não os entendem e não conseguem ver a paixão que os move.

A maior loucura que resulta do que fazem estes doidos é o incómodo que causa aos políticos que batem no peito quando invocam “o seu sacrifício” na sua dedicação à terra.

Deve ser de dar em doido, quando o doido que tanto faz se confronta com a arrogância do político que está no poder: que o quer limitar, que não cumpre com o que prometeu, que não faz o que deve.

Os doidos-fazedores ficam doidos quando olham para o político que arranjou um bom emprego na política, que melhorou o seu salário e a sua vida com a política, que acelerou a sua carreira com a política, que se não fosse o carreirismo político não passaria de indiferenciado e/ou desempregado, lhes barra o caminho, lhes dificulta o caminho, não os deixa fazer o caminho.

A crescente pequenez social e política do interior, suportada em inveja, impreparação e falta de dimensão, está a matar a alegria, a vontade, o desejo e a energia de muitos dos doidos que têm feito o interior ser melhor, mais bonito, mais feliz. Doidos sem salários, sem lugares, sem mordomias.

Nos dias que correm, há cada vez menos doidos.

Por cada um destes doidos que se cansa, que bate com a porta, há um bocadinho do interior nobre e saudável que morre. E sente-se uma pena doida.

 

nota: do arco da velha, os muitos votos que a Aliança Portugal (PSD/CDS) conseguiu em Oliveira do Hospital nas Eleições Europeias!!!

 

(publicado no jornal Folha do Centro em 29 de Maio de 2014)

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publicado às 22:28

Portugal é o país europeu onde menos se confia nos políticos

 

 

Apenas 17 por cento dos portugueses estão satisfeitos com o funcionamento da democracia. É o que revela o livro «Contributos para a Avaliação da Qualidade da Democracia nos Países Europeus», lançado esta terça-feira, 20 de Maio.

A investigadora Conceição Pequito, que ontem lançou o livro em que compara a qualidade das democracias europeias, entre 2002 e 2012, sublinha que a insatisfação cresceu nos últimos anos.

De acordo com o estudo que sustenta o livro, apenas 17 % dos portugueses estão satisfeitos com o funcionamento do sistema democrático.

A polítóloga e investigadora na área da Ciência Política diz ainda que Portugal é mesmo o país europeu onde os cidadãos menos confiam nos políticos e onde existe um maior défice entre o ideal da democracia e a realidade.

Conceição Pequito avisa que, havendo cada vez menos portugueses a votar, a legitimidade do sistema é cada vez mais estreita. E acusa os maiores partidos, PS e PSD, de bloquearem as soluções que poderiam abrir o sistema político.

Em plena campanha para as eleições europeias, Conceição Pequito defende que, por vezes, essa crispação entre PS e PSD não passa de uma encenação para tentar fixar os respetivos eleitorados.

 

Sem confiança nos agentes políticos é possível confiar na democracia?

 

Nota: a referência ao livro é uma sugestão de leitura sobre um dos temas mais relevantes das nossas vidas. 

 

 

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publicado às 00:22

Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães.

É incorrecta a narrativa que os alemães contaram a si próprios de que a crise do euro teve a ver com o Sul a querer levar o dinheiro deles, diz ex-conselheiro de Durão Barroso.

 


Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.

A tese do seu livro é que a gestão da crise da dívida, ou crise do euro, foi totalmente inepta, errada e irresponsável, e que todas as consequências económicas e sociais poderiam ter sido evitadas. Porque é que as coisas se passaram assim? O que é que aconteceu? Uma grande parte da explicação é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro. Foi por isso que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário. O problema tornou-se europeu quando surgiram os problemas da dívida pública da Grécia. O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega. Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo ‘somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos’ – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia três franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes três franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos três franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.

Como assim? Porque a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos. Ou seja, o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores. E em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.

Quando diz que os Governos e instituições estavam dominados pelos bancos quer dizer o quê? Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.

Também diz no seu livro que quando foi conselheiro de Durão Barroso, o avisou claramente logo no início sobre o que deveria ser feito, ou seja, limpar os balanços dos bancos e reestruturar a dívida grega. O que é que aconteceu? Ele não percebeu o que estava em causa, ou percebeu mas não quis enfrentar a Alemanha e a França? Sublinho que isto não tem nada de pessoal. O presidente Barroso teve a abertura de espírito suficiente para perceber que os altos funcionários da Comissão estavam a propôr receitas erradas. Não conseguiram prever a crise e revelaram-se incapazes de a resolver. Ele viu-me na televisão, leu o meu livro anterior (*) e pediu-me para trabalhar para ele como conselheiro para lhe dar uma perspectiva alternativa. O que foi corajoso, e a mim deu-me uma oportunidade de tentar fazer a diferença. Infelizmente, apesar de termos tido muitas e boas conversas em privado, os meus conselhos não foram seguidos.

Porquê? Será que a Comissão não percebeu? A Comissão tem a reputação de não ter nem o conhecimento nem a experiência para lidar com uma crise destas. Foi esse o problema? Foram várias coisas. Claramente a Comissão e os seus altos funcionários não tinham a menor experiência para lidar com uma crise. Era uma anedota! O FMI é sempre encarado como a instituição mais detestada [da troika], mas quando foi juntamente com a Comissão à Irlanda, as pessoas do FMI foram mais apreciadas porque sabiam do que estavam a falar, enquanto as da Comissão não tinham a menor ideia. Por isso, uma das razões foi inexperiência completa e, pior, inexperiência agravada com arrogância. Em vez de dizerem “não sei como é que isto funciona, vou perguntar ao FMI ou ver o que aconteceu com as anteriores crises na Ásia ou na América Latina”, os funcionários europeus agiram como se pensassem “mesmo que não saiba nada, vou na mesma fingir que sei melhor”. Ou seja, foram incapazes e arrogantes. A segunda razão é institucional: não havia mecanismos para lidar com a crise e, por isso, a gestão processou-se necessariamente sobretudo através dos Governos. E o maior credor, a Alemanha, assumiu um ponto de vista particular. Claro que isto não absolve a Comissão, porque antes de mais, muitos responsáveis da Comissão, como Olli Rehn [responsável pelos assuntos económicos e financeiros], partilham a visão alemã. Depois, porque o papel da Comissão é representar o interesse europeu, e o interesse europeu deveria ter sido tentar gerar um consenso de tipo diferente, ou pelo menos suscitar algum tipo de debate. Ou seja, a Comissão poderia ter desempenhado um papel muito mais construtivo enquanto alternativa à linha única alemã. E, por fim, é que, embora seja politicamente fraca, a Comissão tem um grande poder institucional. Todas as burocracias gostam de ganhar poder. E neste caso, a Comissão recebeu poderes centralizados reforçados não apenas para esta crise, mas potencialmente para sempre, que lhe dão a possibilidade de obrigar os países a fazer coisas que não conseguiram impor antes. É por isso que parte da resposta é também uma tomada de poder.

 

(Público, Isabel Arriaga e Cunha)

 

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publicado às 23:19

Canções D´A Naifa. Dez anos, a rasgar. (10 Maio 2014)

O som de olhares de Inquietação... a cantar com vida, canções. 

 

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publicado às 22:32

Thomas Piketty, é economista, é francês, leciona na Escola de Economia de Paris e teria provavelmente permanecido desconhecido fora dos meios académicos mais restritos não fosse o seu livro “Capital in Twenty-first Century” (Capital no Século XXI) se ter tornado em poucos dias num best-seller nos Estados Unidos, catapultando-o para a ribalta do sucesso mediático em todo o mundo (The Economist; The NY Times; FT; The Guardian; entre outros, consideram Piketty a rock star da economia).

 

Em 685 páginas que contam a história do capitalismo nos últimos 200 anos, com dados concretos e estatísticos, Thomas  Piketty defende que este sistema económico cria um caminho só de ida em direção a desigualdades insustentáveis e à injustiça social, desmontando o mito de que esforço, trabalho, competência e criatividade chegam para enriquecer quem não nasceu rico.

Para este economista, o crescente aumento das desigualdades conduzirá o capitalismo ao seu próprio colapso, a menos que se faça alguma coisa para inverter esta tendência. A solução apontada é taxar duramente os mais ricos, propondo a aplicação de um imposto de 80% sobre os rendimentos acima dos 500 mil dólares anuais (nos EUA).

 

O livro já tinha sido publicado há um ano em França, mas não recebeu muita  atenção. Nos Estados Unidos, com a polémica sobre as desigualdades na ordem o dia, a edição americana, publicada em março, tornou-se de imediato número um em vendas no site da Amazon (que já não faz entregas grátis para Portugal!).

Nascido em Clichy, perto de Paris, a 7 de maio de 1971, ainda no rescaldo dos motins de 1968 onde os pais tinham tomado parte ativa, cresceu com os modelos intelectuais em voga na época – historiadores e filósofos da esquerda francesa –, mas foi a matemática e a economia que escolheu para o seu percurso académico na École Normale Supérieure.

Aos 22 anos, doutorou-se com uma tese sobre a redistribuição de riqueza, que escreveu na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris e na Escola de Economia de Londres, e mudou-se para os Estados Unidos para ensinar no Massachussetts Institute of Technology (MIT), onde ficou três anos como professor assistente no departamento de Economia.

Desapontado com o trabalho dos economistas americanos, regressou a Paris, para ficar, ingressando no Centro Nacional de Pesquisa Científica, como pesquisador, e tornando-se, cinco anos mais tarde, diretor de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e depois (2006) no primeiro diretor da Escola de Economia de Paris, que ajudou a criar. Um projeto que só interrompeu para apoiar, como assessor económico, a campanha presidencial de Ségolène Royal nas eleições de 2007, perdidas para Nicolas Sarkozy. Também apoiou François Hollande, mas este deixou cair as ideias de Piketty, agora o economista da moda.

Em 2002, então com 31 anos, ganhou o prémio para melhor jovem economista em França. Os problemas económicos do mundo, os meandros da renda e da riqueza, as desigualdades, com os rendimentos do capital a crescerem mais rapidamente do que os do trabalho, foram temas que nunca mais o abandonaram, tendo dedicado as duas últimas décadas a estudá-los, estendendo as suas pesquisas a outros países para além da França e dos Estados Unidos com a ajuda de outros pesquisadores, como Emmanuel Saez Isso.

 

Conheça, segundo o critério editorial de "Dinheiro Vivo", principais ideias-chave que o livro contém, não necessariamente pela ordem que se segue:

1- As desigualdades não são uma ocorrência passageira, mas uma característica do próprio capitalismo, e os excesso só poderão ser corrigidos com a intervenção do Estado.

2- Numa economia em que os rendimentos do capital crescem mais do que a economia, a riqueza herdada sempre crescerá mais rapidamente do que a conquistada pelo trabalho, criando níveis de desigualdade insustentáveis.

3- Se um cidadão não nascer rico, será muito difícil enriquecer só através do seu esforço, trabalho, competência e talento.

4- O período de meados do século XX em que houve um aumento da igualdade, na Europa e nos Estados Unidos após a segunda guerra mundial, deve-se a condições extraordinárias que não irão repetir-se.

5- A "meritocracia extrema" dos novos executivos com capacidades consideradas excepcionais levou a um desequilíbrio brutal dos salários. Nos anos 50, o salário de um executivo médio nos Estados Unidos era 20 vezes superior ao dos trabalhadores da empresa. Hoje está 200 vezes acima.

6- As desigualdades poderão no futuro atingir os mesmos níveis do século  XIX, se não forem adotadas políticas suficientemente agressivas para  contrariar essa tendência.

7- Em 2012, quase um quarto da riqueza (22,5%) encontrava-se já concentrada em apenas1% da população, um desequilíbrio que tende a crescer.

8- As políticas fiscais são imprescindíveis para a redistribuição da riqueza, não apenas na Europa e nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.

9- O crescente aumento das desigualdades ameaça a democracia, pondo em risco o futuro do próprio capitalismo.

10- A solução deverá ser a taxação dos mais ricos, através da aplicação de um imposto de 80% sobre os rendimentos acima de 500 mil dólares por ano (nos EUA).

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publicado às 11:44

Ai Lopes Lopes

09.05.14

Por que não se vai embora, Senhor Lopes?

Não tem saída. Ou melhor, só tem uma saída, a saída.

António Lopes, o comunista eleito na lista socialista para Presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, agora destituído, tem que sair.

Sim, tem que sair. “Tem” e não “tinha”. Não basta já não ser Presidente, tem que sair da Assembleia Municipal.

Quem leu, ou quiser ler, o texto aqui publicado em Janeiro, «Alexandrino leu Churchill?» (http://cashrestozero.blogs.sapo.pt/2014/01/), perceberá melhor o racional da opinião.

Quem ouviu, ou quiser ouvir, o que dissemos na Rádio Boa Nova, já sabe a nossa opinião.

Tudo era evidente, tudo estava anunciado. O tempo trataria de dar luz à saída. E deu!?

Claro que a seguir à desgraçada Assembleia de final de ano, teve lugar a sequência do costume: a paz podre; a maledicência, nas conversas que sempre começam com «vou-lhe dizer isto a si, mas não diga a ninguém», e assim se chega aos almoços, hotéis e afins; por fim, as denúncias de ilegalidades e as ameaças com o tribunal.

Não é uma vergonha, é uma tristeza.

Alexandrino, desta vez, “bateu” de forma certeira em Lopes, quando disse que este não pode querer ser Presidente da Câmara, Presidente da Assembleia e líder da oposição. Não pode.

António Lopes pode mudar de opinião, mudar de objectivo, mudar de gosto e/ou zangar-se. Pode. E como pode também deve… assumir as consequências, sair da Presidência – saiu a mal e mal – e sair da Assembleia.

Porquê? Porque recebeu cerca de oito mil votos para ser poder e não para ser oposição, para “ser” do Partido Socialista e não independente e muito menos comunista, porque naquela Assembleia já não é o Presidente e nunca será «o deputado», será «o destituído»!

António Lopes pode ser oposição como cidadão: nos jornais – até tem um – nas rádios, nas TVs e nas redes sociais. Na Assembleia, não. E cá fora pode dizer, fazer e ser o que bem entender…e Alexandrino e o PS que se cuidem.

Se António Lopes sair perde o lugar, mas ganha o respeito da democracia. Se ficar com o lugar, arrisca-se a um dia nem cadeira ter.

E quem deve ser o novo Presidente da Assembleia?

Bem, seria um acto de génio político e de elevação democrática que José Carlos Alexandrino conseguisse que o promissor Luís Lagos, do CDS-PP, ocupasse o lugar.

Pois, e o PS? O PS deixa?

 

nota: parabéns ao FCOH, de novo campeão e de regresso onde deve competir, nos campeonatos  nacionais de futebol sénior.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, em 7 de Maio de 2014)

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publicado às 22:44

A ditadura do mesmo

 

O texto (aqui em excertos) que se publica é assinado no Público ( http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-ditadura-do-mesmo-1634028 ), em 30/04, por Rui Tavares (Historiador e eurodeputado, cabeça de lista do partido Livre às eleições europeias).

 «Escrevo minutos depois de ter visto o primeiro debate entre os candidatos a presidente da Comissão Europeia. Um debate histórico. Falou-se de tudo o que é essencial para o nosso futuro: desemprego, eurobonds, troika, juventude, energia, Ucrânia, imigração, envelhecimento, pensões e salários. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, quatro candidatos ao executivo de uma União de países explicaram como pretendem governar se forem eleitos. E, no entanto, escrevo estas linhas com raiva.

Porquê? Porque em Portugal ninguém quis organizar este debate....

...as instituições e órgãos de comunicação social que não quiseram dar atenção a este debate justificaram-se com a falta de interesse dos portugueses por temas europeus. Mas querem saber a melhor? Durante o debate de ontem foi batido um recorde de dez mil tweets por minuto comentando as propostas dos candidatos. Sabem de onde vinha a grande maioria? Dos países do Sul da Europa....

...Portugal, hoje, é a ditadura do mesmo: os mesmos debates, os mesmos círculos, as mesmas opiniões e os mesmos partidos, fazendo as coisas sempre da mesma maneira, e coreografando as mesmas controvérsias com as mesmas palavras e o mesmo vazio de significado....

O mesmo se passa hoje. Há regimes que são oligarquias, burocracias, tecnocracias ou bancocracias. O nosso regime é a mesmocracia....»

 

O texto (aqui em excertos) que se publica é assinado no Dinheiro Vivo (http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/Artigo/CIECO345774.html?page=0 ), em 02/05, por Pedro Bidarra (Publicitário, psicossociólogo e autor).

 «Gostei do artigo do Rui Tavares (RT) no Público...

...Apenas corrigiria a referência ao hoje. Dá-me ideia que Portugal sempre foi assim: mais do mesmo. Portugal é um país onde a convenção reina e onde a inovação, o risco e a criatividade estão, há muito, na clandestinidade.

"Imbecilidade é fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes" é uma citação famosa atribuída a Einstein – que na verdade disse insanidade em vez de imbecilidade, mas eu dei-me a liberdade de traduzir assim.

Usando esta definição operativa de imbecilidade, eu direi que Portugal é um país com uma quantidade anormal de imbecis. Não sei se tem mais ou menos imbecis que a média, mas desconfio que, entre as suas elites, estará acima da média europeia. Parece-me mesmo que, para se chegar à elite, é precisa uma razoável dose de imbecilidade, ou seja, de pensamento convencional, de saber fazer o que sempre se fez, de falar como sempre se falou, de pensar o que sempre se pensou.

Quando falo em elites não me refiro apenas àquelas em que é fácil malhar nos jornais e nas redes sociais: os empresários e os "capitalistas". Claro que nessas elites há imbecis com fartura, embora no mundo empresarial haja uma selecção natural que impede a permanência no topo das empresas de grandessíssimos imbecis. Mas os imbecis, os que fazem o mesmo e esperam resultados diferentes, estão em todo o lado.

Estão nas direcções dos jornais e televisões, por exemplo. Oh se estão. Basta ver as dezenas de programas em simultâneo com um moderador e três gajos a falar de futebol; todos a fazer o mesmo à espera de resultados diferentes. Imbecilidade, lá está.

A cultura, por exemplo, está cheia de imbecis muito eruditos: gente que sabe tudo o que se fez e por isso insiste em fazer, premiar e aplaudir o que se faz como sempre se fez. Para se ser escritor ou artista não é preciso fazer nada de novo. Basta ter o pensamento do costume, a opinião do costume, a cor do costume, os amigos do costume e fazer qualquer coisa que seja parecida com a coisa do costume.

E estão no povo que, desde há 40 anos, alternadamente vota PS e PSD e espera resultados diferentes.

...O RT está frustrado...

...Mas não estará ele e o Livre a fazer o mesmo de sempre? Não é o Livre apenas mais do mesmo? Não estará o RT com raiva de um sistema que faz sempre o mesmo, porque esperava o mesmo tratamento que afinal não tem?»

 

Será que a democracia, hoje, é a ditadura do mesmo do costume?

 

 

 

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publicado às 10:19


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