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Deus sabe que o que aqui vou escrever é algo que penso, e defendo, há muito tempo.

Francisco não sabe! O facto de não saber, não deixa o novo Papa de fora deste escrito. Este Latino das Pampas que parece ser um sinal de esperança para o mundo, algo que já não acontecia desde o aparecimento de Obama, teve uma namorada(!) quando ainda era criança. Ao ler o «curriculum» de vida de Bergoglio, a luz ficou verde para dizer publicamente o que sempre pensei: não entendo e não concordo com o celibato sacerdotal.

Ser Padre não deve ser impeditivo de amar uma mulher. Ser Padre não deve ser impeditivo de ser Pai.

Vamos ser directos e concisos. O espaço que tenho para escrever é curto e o assunto é farto. Deixamos para outro dia variações sobre o mesmo tema, tais como as mulheres poderem ser Padres, homossexualidade, outras religiões, divórcios, etc., etc..

Em tempo de Páscoa, inspirados por Francisco, vamos argumentar de forma saudável, séria, mas simples. E sem usar papamóvel.

Então um homem que sente vocação para servir a Deus, para servir a Igreja, para pregar o amor ao próximo, para dar asas à sua vocação, fica impedido de partilhar a vida com uma mulher? Fica impedido de se apaixonar? Fica impedido de gerar vida, qual acto supremo do amor entre dois seres humanos?

O castigo, sim, o castigo, de um homem que quer dedicar a sua vida a Deus, é não poder sentir como é mágico beijar a mulher que se ama, como é divinal o aconchego de um abraço feminino, como é único e fantástico fazer amor com a mulher da nossa vida,  como é bom acordar ao lado… dela?

Caramba: um homem que ama Deus e que lhe dedica a vida, não pode ter um filho???

Custa a aceitar. Não se entende. Torna sofrido ser crente.

Não acreditamos que Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, seja egoísta ao ponto de querer o amor do homem que o ama só para Si, que lhe dedique toda a vida a Si e para Si, e que não lhe permite sequer amar um filho do seu sangue, do seu amor.

Amar a Deus, servir a Deus, não pode ser significado de viver sem a partilha com o seu semelhante, da casa estar sempre vazia, do quarto ser sempre «single», de nunca poder ir à escola esperar pelo filho. Não pode.

Esta praxis antiquíssima, que sobreviveu ao casamento de um Papa(!), não pode obrigar o sacerdote da Igreja Católica, Apostólica e Romana, a não ter família, a família que é um valor que a Igreja (e bem) tanto prega. Não pode.

Chegado aqui, até nos arrepiamos só de pensar na possibilidade de o meu amigo Padre Borges, que muito respeito e prezo, ler “isto”: - Estou lixado! Que me perdoe!

…é que há no celibato algo de anti-natura, e se é anti-natura presta-se à tentação, e da tentação ao pecado…é um instantinho!

…é que se não tivesse havido Adão e Eva não teria havido Padres, ou se, por absurdo, todos fossemos Padres, já cá não havia ninguém.

E tal maldade nem Deus perdoava.  

 

(texto publicado no jornal Folha do Centro, edição de 28 de Março de 2013)   

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publicado às 17:59


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