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...sem maneiras!

 

Tudo o que se vai contar foi visto. E ouvido. Tudo.

Na frente do café, no passeio que partilhava com os outros transeuntes, uma vida que aparentava mais de cinquenta anos vividos, o sexo feminino bem vestido, de repente, num gesto inesperado e decidido da boca da mulher, soltou-se uma cuspidela monumental que aterrou nas pedras calçadas.

Duas jovens subiam a avenida, eram postais vestidos pela democratização do sempre na moda. Uma delas berrava ao telemóvel e dizia a quem a queria e não queria ouvir- presume-se que também era ouvida do outro lado da linha: «estou-me a cagar, estás a perceber? estou-me a cagar.» O sotaque dava um colorido típico à pintura sonora.

Na manhã de inverno solarenga da foz do Porto, em frente ao mar, um homem indiferente à "multidão de fato de treino", puxou do seu indicador direito, pressionou a narina do mesmo lado e... jacto de ranho da narina esquerda para a pista das bicicletas. Acto contínuo, o indicador esquerdo, também pressionou a narina esquerda e...jacto de ranho da narina direita a voar até ao chão que alguém pisará. Nariz limpo.

Na mesma foz, onde as ondas faziam sorrisos à visita do astro-rei, uma senhora bonita, mal desenhada pela natureza, com magreza elegante, caminhava acelerada vestida numas calças de ginástica transparentes.... de onde saltava para olhos uma mini cuequinha cor de laranja fluorescente. O companheiro seguia ao lado, com óculos de sol...

Pai e filho-criança ao balcão. Jantavam. Nas cadeiras onde estavam sentados pousavam os cachecóis do clube do coração e da terra. Era noite de jogo grande. O pai, antes do jogo, ao lado do filho-criança, bebeu uma garrafa de 0,75 litros de vinho tinto do douro...até ao último golo, perdão, gole! 

A ditadura não melhora o que somos, como somos. E a democracia também não.

      

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publicado às 12:10

Este texto não é de humor. É de amor.

Portugal precisa de crianças. Muitas crianças.

Em Portugal estamos a ficar velhos. Numa linguagem mais moderna, devo escrever que estamos a ficar um país de seniores. De acordo com as últimas contas de 2011, por cada 100 jovens, temos 128 seniores! Nas contas anteriores este último número era 108. Daqui a alguns anos, se não fizermos filhos, em cada 3 pessoas, uma será sénior de 65 anos ou mais.

Evitando clichés, é bom que se diga que as crianças não são o melhor do mundo. As crianças são o mundo. São o futuro. No limite do absurdo, sem crianças não haverá futuro, não haverá mundo. Mais gravoso: por este andar a Europa acaba primeiro, e Portugal acaba primeiro que a Europa. É que do outro lado do Mundo continua-se a fazer filhos. Muitos filhos. Deste lado, não! Não há memória de serem tão pouco os bebés nascidos em Portugal, como em 2012. Em 1973 Portugal era um dos países mais jovens da Europa ocidental. Em 2013 é um dos mais envelhecidos.

Não falta sexo, em Portugal. E anticoncepcionais também não. Há pílulas para todos gostos, até para o dia seguinte! E comprar camisinhas é tão simples como comprar cigarros. Sim, é fácil não fazer filhos.

Sem desculpas, é bom que se desmontem os argumentos do auto conforto:

- Ter filhos para quê? Para aumentar o desemprego?

- Ter filhos para quê? Para acabarem na droga?

- Ter filhos para quê? Para emigrarem?

Ora, ter filhos para quê?! Para garantir a sustentabilidade da continuidade da espécie. Em Portugal. Nem mais.

Todos sabemos que simplificar excessivamente e generalizar é sempre perigoso e incorrecto. No entanto, é óbvio que para Portugal equilibrar o seu desenvolvimento social, cada um de nós “está obrigado” a gerar um filho. As contas são de aritmética: dois filhos por casal. Ainda que respeitando a liberdade individual de cada um, quem não faz filhos não dá o que lhe deram: vida. E sem vida(s) não há futuro.

Claro que no actual contexto económico e financeiro e na actual conjuntura de valores da nossa sociedade, ter filhos é um acto de (muita) coragem. A boa notícia é que nos anos 60 e 70 também era! E hoje tudo é e está bem melhor. Temos melhores hospitais, melhores escolas, melhores estradas e o acesso a tudo é mais fácil para (quase) todos.

Portugal precisa de filhos.

…talvez seja melhor parar de ler, atire com o jornal para onde lhe apetecer, e faça uma criança! Ah! E quando ela souber ler, mostre-lhe este texto e diga-lhe a sorrir: foi “aqui” que o futuro começou!

 

(texto publicado no Jornal Folha do Centro, edição de sexta-feira, 18 de janeiro de 2013)

 

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publicado às 11:53

Tribunal Constitucional + 1.

 

O Presidente da República enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional.

O PS enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional.

O Bloco de Esquerda, o PC e os Verdes enviaram o orçamento para o Tribunal Constitucional.

O Provedor de Justiça enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional.

Os últimos três orçamentos foram todos enviados para o Tribunal Constitucional.

O Tribunal Constitucional é aquele que, em 2012, tomou uma original decisão de onde resultou uma (in)constitucionalidade datada: isto é, em 2012 fica assim, em 2013 é que não pode ser!!!!

O Tribunal Constitucional não é sujeito ao sufrágio directo e universal, isto é, não é sujeito a votos!

 

Até aqui este texto é cópia integral do texto publicado em 13 de janeiro de 2013.

Das Ilhas , ontem, chegou a necessidade de o actualizar.

O PS dos Açores também enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional!!!!

Precisamos de uma ditadura?

...em caso de dúvida, PF envie o seu pedido de esclarecimento ao Tribunal Constitucional.

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publicado às 12:40

 

 

40 anos do jornal Expresso. Quase tantos em democracia. Uma exposição, que vai correr o país.

Começou a volta a Portugal, em Lisboa, no Rossio.

A História de Portugal contada em «4 clicks», de forma tão abreviada quanto brilhante!

Para lá da exposição, no final da praça, um outro «click» que em baixo partilhamos.

A pobreza da democracia significa precisar de uma ditadura? 

 

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publicado às 19:31

Cristina Oliveira, ex-Directora Regional da Educação do Centro, é a candidata do PSD à Presidência do Munícipio de Oliveira do Hospital, no próximo acto eleitoral autárquico.

A sua candidatura, por si só, é um facto inédito: nunca o PSD tinha proposto uma mulher para liderar a gestão autárquica do concelho de Oliveira do Hospital.

  

 

São três os candidatos, já assumidos, para a disputa eleitoral: José Carlos Alexandrino, o actual Presidente, pelo PS; Cristina Oliveira, pelo PSD; José Vasco Campos, pelo CDS-PP.

José Carlos Alexandrino, para renovar o seu mandato por mais quatro anos, deve ser cuidadoso nas suas leituras.

Deve evitar William Shakespeare que dizia que «Fragilidade, o teu nome é mulher».

Os tempos mudaram. E muito. 

Talvez seja melhor ler Alfred de Musset que um dia escreveu:

«A mulher é como a tua sombra. Se corres atrás dela, ela correrá à tua frente. Se corres à frente dela, ela correrá atrás de ti.» 

 

(opinião editada em ca$h resto z€ro/rádio, sexta-feira, 18:30, 18 de Janeiro de 2013, em Rádio Boa Nova 100.2 e radioboanova.com ) 

 

 

 

  

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publicado às 11:43

NDEIB

19.01.13

O Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras, NDEIB, fechou.

As empreas da Beira Interior, um pouco à semelhança do que se passa a nível nacional, não conseguem percepcionar as vantagens que resultam da «união faz a força».

A reter para o futuro:

- Um movimento associativo não pode ser o movimento de um só homem.

- No interior, os "falhanços" de associativismo empresarial são estruturais. (a memória obriga a recordar um nome: ACIBEIRA)

- Quando algo não serve para nada, não está a fazer nada, não é sustentável, o melhor é fechar.

O NDEIB acabou.

 

(opinião editada em ca$h resto z€ro/rádio, segunda-feira, 18:30, 14 Janeiro de 2013, em Rádio Boa Nova 100.2 FM e radioboanova.com )    

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publicado às 11:27

Especialistas

 

João Gracia, jornalista, escreveu no Expresso que os técnicos superiores da função pública ganham menos de 1630 euros. São superiores, mas não especialistas.

E continuou:

«Se fossem especialistas, podiam ganhar até 5 775 euros.

Os especialistas são assim, ganham mais do que os outros. E por isso são especialistas.

É confuso? Nada disso.

Qualquer especialista percebe. Percebe que é especialista e por isso ganha mais. Ou não fosse especialista.

Há 164 no Governo, 15% dos quais são especialistas desde cedo, pois têm entre os 24 e 29 anos.

Alguns são verdadeiros especialistas, outros autênticos artistas.»

 

Como diz Henrique Monteiro, também no Expresso, «em Portugal é possível fazer todas as reformas do mundo...no papel!»

«A doença é grave e é preciso mexer nas feridas. E mexer nas feridas é que dói.»

Com tantos especialistas, artistas e equiparados, será possível «mexer nestas feridas» em democracia? 

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publicado às 00:00

Diz o FMI!

 

Ponto de ordem: Fomos resgatados. Tinha de ser. Não havia dinheiro. Entregámos a soberania e continuámos a (sobre)viver. A divída pública, com o dinheiro que a Troika nos emprestou, exige um serviço que captura 20% das receitas do estado. Um quinto!!! Temos que pagar.

 

Passos Coelho, que foi definido por Joaquim Aguiar como um homem comum a viver um tempo incomum, já vislumbra o desastre no horizonte.

Assustado, o Homem pediu ao FMI para lhe dizer como cortar, de forma estruturante e definitiva, a despesa do estado.

O FMI, fez o relatório - que como todos os relatórios contém erros e imperfeições - onde apenas escreveu o lógico e o evidente:

- Alguém tem dúvida de que temos funcionários públicos a mais, médicos a mais, polícias a mais, professores a mais? 120 000? 150 000? 200 000?

- Alguém pode, em perfeito juízo, contestar que o sistema de trabalho da função pública é privilegiado em relação ao sector privado? 

- Alguém tem dúvidas de que gratuitidade do SNS é fonte de toda a espécie de abusos, traficâncias e despesas sem controlo?

- Alguém tem dúvida que o pagamento das pensões dos reformados de agora são pagas por quem trabalha hoje, que são os que irão receber pensões bem mais baixas amanhã?

Sim, é verdade que o relatório do FMI foi feito com base em 2010 e que hoje a realidade é bem distinta no final de 2012: a despesa pública excluindo juros pesa 42,19% (48,37%, em 2010) do PIB em Portugal, o que compara com os 46,39% (48,14%) na Zona Euro; as despesas de pessoal do estado nacional pesam 9,8% (12,2%),o que compara com 10,5% (10,9%) da Zona Euro.

Sim, é verdade que apesar da melhoria já conseguida Portugal não gera riqueza para sustentar um estado gordo e poluído pelos interesses nele instalados, e que massacra de impostos os indefesos da classe média, taxando tudo e mais alguma coisa em ritmo crescente.

Ora, se estamos nos campos da lógica e do evidente, se até já temos alguém de fora - e como nós gostamos que assim seja! - a dizer o que temos que fazer (é justo que se refira que muito, do que agora diz o FMI, foi tentado por alguns ministros do passado que foram...trucidados!), qual a razão para tantos fazedores de opinião como Pedro Santos Guerreiro, Miguel Sousa Tavares, Manuel Caldeira Cabral, Ricardo Costa, Martim Avillez Figueiredo, Henrique Monteiro, etc., considerarem que o governo já não tem força nem condições para fazer a reforma do estado que Portugal tanto precisa? Mais grave: consideram que o Governo teve todas as condições mas não conseguiu fazer a reforma do estado, atribuindo-se assertivamente tal falhanço a «absoluta burrice» (Ricardo Costa) e ao «mistério» (Martim Avillez Figueiredo).

E que tal perguntar a toda esta gente se temos governo sem uma ditadura? Temos? 

    

 

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publicado às 15:52

Chuva na Eira

 

Com a ajuda e devida vénia a Luís Nazaré (Economista/Jornal de Negócios, Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2012), a seguir tiramos uma uma fotografia ao que marca «o agora» e «o aqui», neste Portugal europeu em tempos de chuva.

«Impõe-se no sector privado o pagamento de subsídios de férias e de natal em duodécimos, mas abre-se uma excepção para a banca.

Subtrai-se um mês de vencimento aos funcionários públicos e aos pensionistas, para logo entregar de mão beijada o seu equivalente ao Banif.

Clama-se por poupança e, em simultâneo, desincentiva-se o aforro em produtos de dívida pública nacional. Vertem-se lágrimas de crocodilo pela contracção da economia, enquanto se apunhala, dia após dia, o rendimento disponível dos Portugueses.

Diaboliza-se a Constituição... esquecendo-se que o texto fundamental nunca foi entrave às profundas modificações operadas no país nos últimos trinta anos.

Questiona-se o papel do Estado e a sua intervenção na economia, como se os países do norte da Europa - em particular a Alemanha - não fossem aqueles em que os apoios públicos ao tecido produtivo liderassem os rankings mundiais...e os mais beneficiados na alocação de fundos comunitários destinados à inovação e desenvolvimento industrial.

Anunciam-se medidas para captar investimento, designadamente reduções significativas de IRC, e logo de seguida constitui-se um grupo de trabalho, sabiamente pilotado pelas finanças...Proclama-se a reforma do estado, mas os resultados não têm evidenciado qualquer esforço de reforma efectiva...Ao contrário do desejável só vão extinguir-se freguesias e não municípios...

Diz-se que é necessário ousar e que as crises suscitam oportunidades.»

Sim, mas, com esta "democracia" ou é preciso uma ditadura?  

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publicado às 17:13

Tribunal Constitucional

 

O Presidente da República enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional.

O PS enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional.

O Bloco de Esquerda, o PC e os Verdes enviaram o orçamento para o Tribunal Constitucional.

O Provedor de Justiça enviou o orçamento para o Tribunal Constitucional.

Os últimos três orçamentos foram todos enviados para o Tribunal Constitucional.

O Tribunal Constitucional é aquele que, em 2012, tomou uma original decisão de onde resultou uma (in)constitucionalidade datada: isto é, em 2012 fica assim, em 2013 é que não pode ser!!!!

O Tribunal Constitucional não é sujeito ao sufrágio directo e universal, isto é, não é sujeito a votos!

Precisamos de uma ditadura?

...o melhor é enviar a pergunta ao Tribunal Constitucional. 

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publicado às 11:35

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