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22.05.13

São tão bons a ser o pior, que o pior é que até parecem bons- são os convidados da política.

Tudo começa logo por aí, pela designação.

Não aceitam ser designados como nomeados, não, são convidados, e assim iniciam a construção de um «status» superior que constroem para si próprios, e que de tão bem feito, até eles acabam por acreditar: que são diferentes, superiores, escolhidos, por isso, convidados. Nem um foi eleito, o que para eles é virtude, não é defeito.

Na política do país do galo de Barcelos, há convidados para todos os tamanhos. Temos de tamanho nacional, regional e local.

Assumindo o risco da excessiva generalização, sublinhe-se que para falar destes convidados o tamanho não importa. São todos muito parecidos.

Diplomados, falam bem mas não muito, e não se lhe conhece nada feito, apenas sugerem, no registo do talvez sim, talvez não, talvez. Exibem uma trabalhada intelectualidade que resulta de saberem qualquer coisa sobre qualquer coisa que pouca gente sabe. O diploma não lhes serviu de muito, não exercem ou exercem em part-time. Muitos deles apresentam um tranquilo viver financeiro, que não brotou de nenhuma gota do seu suor, mas sim de pais generosos, sogros bondosos e casamentos cheios de amor ao bem estar.

Vivem da política, a fazer a sua política, sem se sujeitar ao que se sujeitam os políticos. Não são protagonistas da arte do possível, são o impossível em forma de arte. 

Habitualmente pacientes, nunca contundentes. Os mais hábeis na argumentação, quase todos, manifestam um certo ar sacrificado, preocupado, quase parecem lamentar que não haja mais gente como eles, mas do outro lado, dos que fazem.

Nunca assumem a liderança, nunca vão à frente nem atrás, vão no meio. Dizem que ajudam, que empurram…os outros! Gostam de aparecer nas fotos, quanto mais vezes tanto melhor, mas nunca como figura principal. Estão lá, mas não querem ser «o-lá-está  ele». Aparecem ao lado. Distantes. Mais ou menos.

Adoram as mesas de honra das conferências, dos colóquios, dos seminários, onde surgem como convidados por serem os titulares de um cargo para o qual também foram convidados. Enfim, são sempre convidados.

Quando falam usam muito a palavra trabalho para caracterizarem o que fazem, sempre em prol de resposta ás necessidades de outrem, que são os clássicos: os velhos, os novos, os desamparados da vida e, ultimamente, as empresas. Sim, as empresas!!!

Os convidados da política, investidos no cargo e desinvestidos de vergonha, dizem que trabalham para satisfazer as necessidades das empresas. Das empresas que nunca fizeram, que nunca tiveram, onde nunca trabalharam.

Não é o atrevimento da ignorância, é ser atrevido sem substância.

Não sabem o que é ser ou ter que reportar, não sabem o que é ter e ter que fazer o objectivo. Não fazem qualquer ideia do que é não vender, não ter dinheiro para pagar um salário ou ganhar mais ou menos salário conforme os resultados obtidos. Não sabem o que é ter clientes e sofrer por não receber, não terem crédito do banco nem banco que ajude…e ter impostos, muitos impostos, para pagar. Para lhes pagar. 

Filhos da mãe? Não é bem… o que me apetece escrever, lá em cima, no topo da coluna….  

 

(publicado no jornal Folha do Centro, quinta-feira, 16 de Maio de 2013 )

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publicado às 23:40


1 comentário

De Abílio Manuel Guerra Junqueiro a 23.05.2013 às 22:36

Dr. Vítor Neves;

Já tinha lido este seu texto na folha do centro. Parabéns, é para mim o seu melhor texto que conheço dos que conheço.
Acrescentaria, que não basta mudar as moscas, temos também que acabar com os convidados.

Cumprimentos
Guerra Junqueiro

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