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1177

25.11.14

Há aqui qualquer coisa que inquieta. Sim, o aqui é mesmo aqui: Oliveira do Hospital.

Vamos ter que escrever pouco e no osso, para inquietar. Ou tentar.

As notícias sobre Oliveira do Hospital são boas, muito boas.

As contas do Município, lê-se na comunicação social, vão certinhas e bem geridas. José Carlos Alexandrino é um dos cinquenta e poucos presidentes autarcas que até pode gastar mais…

A reputação do concelho também vive bons dias. Galardões de qualidade de vida, de transparência e outros que tais, fazem bem à marca Oliveira do Hospital.

A vida das pessoas, vista de longe, vai animada. Aliás, Oliveira do Hospital, visto de longe, parece uma praça em festa permanente. Condecorações e medalhas, aniversários e efemérides, eventos à volta do porco, da castanha e até da bolota, galas e latadas são bons sublinhados de qualidade de vida.

No entanto, num instante, eis que um número nos empurra para o solo da realidade de forma brutal: 1177.

Por extenso talvez se leia melhor: mil-cento-e-setenta-e-sete.

Sabe que número é este? Sabe?

É o número de desempregados do concelho de Oliveira do Hospital, anunciado pelo IEFP e divulgado na imprensa.

Mil cento e setenta e sete desempregados. Ou mesmo é dizer que existem mil cento e sete pessoas em Oliveira do Hospital sem salário, sem rendimento, sem trabalho, sem a dignidade que todo o ser humano necessita e tem direito. É muita gente.

Mil cento e setenta e sete pessoas que empobrecem todos os dias e que não geram riqueza.

Mil cento e setenta e sete pessoas, homens, mulheres e jovens, que podem ser obrigadas a partir para outras paragens para encontrar o que aqui não há para elas: um emprego.

Se o desemprego fosse um clube desportivo local, certamente batia todos os outros em associados e em assistência. Mais de mil, sim mil, desempregados é um número assustador num concelho que já foi considerado de pleno emprego.

O número ameaça aumentar e ao crescer, qual epidemia, obriga a questionar o amanhã e se temos futuro.

É possível fixar pessoas onde falta emprego?

É possível ter filhos onde não há emprego?

Pode-se argumentar que não é só aqui, que é assim ou pior no país, na europa, sei lá, em todo mundo, mas caramba, também é aqui! Chegou aqui.

Aí ao seu lado, aí mesmo, pode estar um desempregado. E o desemprego é como os acidentes! Um dia, que pode ser amanhã, ou hoje, pode não acontecer aos outros.        

Ou a sociedade, que começa em cada um de nós, se inquieta perante o drama da falta de emprego, ou vamos seguindo contentes com as boas notícias na estrada da certeza que, daqui a dez anos, aqui vão viver menos, mais velhos e mais pobres. 

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 18 de Novembro de 2014)

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