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Temos a oportunidade.

A desgraça foi tão grande que, para se continuar a viver, temos que Renascer.

É uma oportunidade. É a oportunidade.

Renascer não é querer que tudo volte ao que era. Se assim for, isto volta a arder outra vez. Mais uma vez. Agora já não importa o que falhou! Imperativo é que não volte a falhar.

Renascer é reconstruir, renovar, remodelar, reinventar.

Temos que nos apaixonar por isto. Temos que nos apaixonar por este Renascer. Tem que ser. Renascer bem, Renascer melhor. Renascer com paixão. Tem que ser.

Apaixonados, vamos nascer com gosto e vencer o desgosto.

Apaixonados, vamos ser solidários em vez de ser caridosos, vamos ser determinados sem amuos, vamos ser focados no olhar em frente e não para os pés, vamos ser cuidadosos e ponderados em vez de ser desnorteados.

Apaixonados, vamos Renascer com coração sem perder a razão, vamos querer ajuda para continuar, para fazer, para (Re)viver e não vamos querer só a ajuda de receber: vamos saber que a indemnização não é um fim, é um princípio...para quem quer mesmo Renascer.

Apaixonados, não vamos a Lisboa pedir, vamos a Lisboa, ao poder central, dizer-lhes como queremos fazer e como queremos ser apoiados: não gritamos, falamos; não ameaçamos, demonstramos que...também é deles a responsabilidade do nosso Renascer.

Apaixonados, vamos ficar aqui no interior, por tudo e por amor. E os que cá não estão mas daqui são, vão vir cá, mais vezes, muitas vezes, todas as vezes.

Apaixonados, vamos querer Renascer juntos, todos. Cada um Nós deve querer Renascer tendo sempre presente que o seu próprio renascimento só acontecerá se o outro também Renascer. Ninguém Renasce sozinho.

Apaixonados pelo Renascer queremos ser ouvidos, mas não queremos ruídos. Nunca vamos deixar que digam que somos "a capital da terra queimada" ou que digam que isto "está tudo preto" ou que digam que "o Interior acabou". Apaixonados pelo Renascer, vamos ser "A Capital da Coragem", vamos pintar a paisagem de sonhos coloridos e vamos mostrar ao mundo que o Interior se renovou.

Não podemos ter connosco aqueles que o fogo de 15 de Outubro fez morrer. Mas é por eles que temos que Renascer.

Devemos estar gratos por poder Renascer. Se você assim pensar, já o está a fazer.

Acredite.

 

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 Dezembro de 2017)

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publicado às 21:39

E Deus?

05.11.17

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"Enquanto o fogo é pequeno e tem juízo é o maior amigo do homem: aquece-o no Inverno, cozinha-lhe a comida, alumia-o durante a noite. Mas quando o fogo cresce de mais, zanga-se, enlouquece e fica mais ávido, mais cruel e mais perigoso do que todos os animais ferozes."

Sophia de Mello Breyner Andresen in “A Menina do Mar”

 

Antes de 15 de Outubro de 2017.

Depois de 15 de Outubro de 2017.

É assim que se divide a História contemporânea de Oliveira do Hospital, da região centro interior...e de Portugal.

É assim a vida em Oliveira do Hospital: há um antes e um depois do pior dia das nossas vidas, do maior incêndio de sempre, da maior tragédia da nossa história.

A nossa riqueza pintava-se de verde; a nossa tristeza pinta-se de preto: a cor da dor. A nova cor do Interior.

Vamos poupar nos palavrões: consolo do desespero; nos adjetivos: conforto para o indizível; nas análises: abundam os especialistas do dia seguinte; e nos juízos: tantos já são os atiradores.

O dia 15 de Outubro foi o dia em que faltou tudo, falhou tudo e não sobrou (quase) nada: Ardeu. Ardemos.

O clima mudou, aqueceu, secou, secou-nos.

A floresta mudou, menos limpa e menos bem frequentada por árvores que crescem muito e depressa, densificou, cercou-nos.

O resto nada mudou: falta prevenção, falta ação, falta responsabilidade.

Faltaram meios (dispensados!!!), vigias (canceladas!!!) e comunicações (avariadas!!!). É a nossa costumeira irresponsabilidade, sustentada na nossa idiossincrática impunidade - ninguém vai preso, escuta-se.

O criminoso soltou o fogo e o fogo soltou-se nas asas do vento e queimou (quase) tudo: Ardeu. Ardemos.

Quando há uma tragédia há uma notícia: a tragédia. Imedível e inquantificável, esta mais do que qualquer outra. Oliveira do Hospital queimado é agora todos os dias noticiado. E visitado. Contam-se os mortos, as ruínas das casas, as vidas destruídas, as empresas em escombros, a floresta perdida como se fosse o resultado do jogo…do fogo! Dói. 

O dia 15 de Outubro foi o dia em que falhou tudo, faltou tudo, falhámos todos: governos (imperdoável) e governados. Sim, Nós que teimamos em sermos cada vez menos a ir votar, a sermos muitos a votar sem sentido e sem sentir, a sermos cada vez mais a não querer saber de nada nem de coisa nenhuma: passamos a vida a bater no estado e quando corre mal clamamos e insultamos o Estado, o Estado que também somos Nós.

Na manhã seguinte ao terror, à noite que foi para muitos a noite do fim deles no mundo, quando o fogo de tanto queimar deixou passar, cheguei a Oliveira do Hospital.

Oliveira do Hospital é a minha igreja, onde me (re)encontro, onde respiro, onde me respiro.

Entre fumo, pequenas chamas, sem céu, com os pés sobre cinzas e sem ar que não fosse queimado, de abraço em abraço e com as lágrimas metidas para dentro, percorri (quase) todo o concelho.

Quando parei num dos meus lugares de culto, no meu altar - o miradouro de Avô - envolvido num negro absoluto e apocalíptico, a dor foi tão forte, tão aguda, que o rio que me saía dos olhos embrulhou-me na fé, qual foz dos desesperados, e perguntei a Deus:

- Onde estavas?

No dia 15 de Outubro falhou tudo, faltou tudo.

Oliveira do Hospital vai ter que renascer.

Todos vamos ter que renascer. Todos vamos ser precisos. E o Deus de cada um também.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 29 de Outubro de 2017)

 

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publicado às 18:14

A Cadeira Vazia.

29.09.17

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Quando ser Partido por definição, passa a estar partido como maldição: eis o PSD de Oliveira do Hospital.

Desde que Mário Alves e José Carlos Mendes partiram o PSD ao meio, nunca mais o Partido partido voltou a ser Partido inteiro.

A história recente do PSD local é um recheio de capítulos de guerras e guerrinhas, de entradas e saídas, de abandonos, de demissões, de zangas, de desistências e maledicências.

E agora a Cadeira! A Cadeira Vazia no debate politico mais visto e ouvido de sempre em Oliveira do Hospital.

Como foi possível?

Alguém devia ter dito a João Paulo Albuquerque que, em democracia, nunca, mas nunca se deixa a Cadeira Vazia.

Aquela Cadeira Vazia vai ficar para sempre na memória política de Oliveira do Hospital.

Sim, Oliveira do Hospital, que tanta vitória tem dado ao PSD, não merecia aquela Cadeira Vazia.

Uma enorme perda, pela ausência; uma absoluta e profunda tristeza, pelo acto e pelo facto.

Independentemente do que aconteça na noite eleitoral autárquica de domingo, o facto das eleições locais de 2017 já tem fotografia: A Cadeira Vazia.

E o que é que era bom que acontecesse no próximo domingo?

Como não acreditamos nas apregoadas virtudes de governar em minoria, desejamos que José Carlos Alexandrino ganhe com maioria, por ser o melhor de todos os candidatos. Mas nada de 7-0! É preciso oposição!; e desejamos que Nuno Alves chegue à vereação, pela sua coragem e disponibilidade, pela sua honestidade democrática, pela sua urbanidade.

Domingo, vamos votar. E depois conferimos o sortilégio dos Nossos desejos.  

Vitor Neves   

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 27 Setembro de 2017)

 

 

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publicado às 17:05

Ele "&" Ele

29.09.17

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A campanha eleitoral para as eleições das autarquias é um desfilar de taras e manias, gastas, envelhecidas e consumidas.

Salvo honrosas exceções, os debates deviam ser transmitidos na RTP Memória, os cartazes exibidos nos Tesourinhos Deprimentes e os tempos de antena da rádio deviam ser um exclusivo da M80.

Salvo honrosas exceções, as promessas deviam ser objeto de registo notarial bem pago. E sem exceções, devia ser proibido fazer obras e obrinhas, ou melhor dito, arranjos e arranjinhos no semestre anterior ao dia dos votos.

Salvo honrosas exceções, os movimentos de independentes são treteiros. Não são independentes, são dissidentes, zangados, ultrapassados e despedidos dos Partidos. O grupo alberga também os nostálgicos, que são aqueles que já foram e querem voltar a ser, não conseguem ler a mensagem do tempo e manifestam sinais evidentes de não terem conseguido adaptar-se a viver sem poder.

Salvo honrosas exceções, se é que as há, a disputa autárquica transformou-se em ajustes de contas entre Ele “&” Ele, elevada ao devaneio e ao mau gosto, com ataques pessoais, insultos e outras taras e outras manias, de quem agora se detrata ainda que em outrora tivessem sido companhias.

O futuro passará pelo Poder Local. Este modelo de poder autárquico passará, por não ter futuro. Um destes dias, nem a naftalina o salvará. É pouco dado ao mérito, é demasiado caro, é demasiado populoso, é demasiado burocrático, é demasiado fora de tempo.

No Interior, de um Portugal cada vez menos inteiro e inclinado para o lado do mar, o Poder Local devia ocupar-se com as suas grandes prioridades - (1) Pessoas: fixação, reprodução e atração; (2) Riqueza: investimento, empresas privadas, conhecimento, valor acrescentado.     

Se o exemplo da campanha for Oliveira do Hospital, este exercício acaba mal.

Pelo que se vê, ouve ou lê, pouco, muito pouco, se diz de relevo sobre como se vai fixar e atrair pessoas e, drama dos dramas, como é que se vai por esta gente a fazer filhos. Sem pessoas e sem geração de riqueza, assente na iniciativa privada, qualquer dia resta pouco mais do que nada! Por alguma razão é cada vez mais difícil preencher as listas: são cada vez mais os que não querem saber de uma população que é cada vez menos.

E sobre “o regresso de mãos dadas” de Mário Alves e António Lopes nem uma palavra?

Sobre Ele & Ele, com ou sem aspas, nem uma palavra. Talvez depois de cada um de Nós votar.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 7 de Setembro de 2017)

 

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publicado às 00:16

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Falta um texto de Agosto, do nosso gosto, com gosto, que diga qualquer coisa às pessoas, sobre as Pessoas.

Enfim, por estes dias, a preguiça que consumimos a gosto, atrapalha a escolha que "a caneta" precisa de fazer para escrever!

Um dos desafios, dos dilemas, do nosso quotidiano do conhecimento, é o acesso fácil a tudo e a tanto que nos afunda (e enlouquece) num demasiado ingerível...e inacessível.

É muito tema, muito livro, muita opinião, muita prosa, muita poesia, muita música, muito tudo e tudo muito.

Escreva-se então sobre o tal "tudo muito", mas de tal modo bem encadernado, que não nos engole, não nos esmaga...e onde cada um de Nós, cada Pessoa, possa (re)ver-se ali.

Sabe bem encontrar um livro tranquilo e arrumado como o "Cento E Onze Discos Portugueses - A Música Na Rádio Pública", que nos guia, que nos agarra, que nos toca.

Ou como se contam tantas (deliciosas) estórias, que sonorizam bem a história das últimas oito décadas de um País, da Rádio e o tal eventual bocadinho de cada um de Nós. E tudo sem ser excessivo, bem apresentado, bem escrito.

Está tudo bem ligado nesta iniciativa da Antena 3, que teve edição da Afrontamento, no final do primeiro semestre deste ano.

Nunca se sai da estrada nesta viagem. Não nos perdemos.

E num tempo em que a música se consome em "streaming", o livro é, talvez, bem mais proveitoso para a memória futura de todos estes discos, do que a sua própria reedição. 

Uma vénia aos autores, incluindo a quem assina os textos: Nuno Reis, Henrique Amaro, Luís Oliveira e tantos outros.

Este livro podia apenas ser (mais) uma lista.

Mas não é. 

É uma obra.

 

Vitor Neves

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publicado às 23:42

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O trailer do filme podia escrever-se assim:

Rodrigues Gonçalves tem um percurso curioso na vida política de Oliveira do Hospital e pouco habitual. Quando quis ser Presidente da Câmara Municipal, com as cores do PS, concorreu e perdeu! Quando não se apresentou para ser Presidente da Assembleia Municipal, a Presidente chegou. Mas não ficou. Não vai ficar. O PS não confiou. Um percurso peculiar, algo atribulado, com alegrias e tristezas mas sem drama.

A sinopse da (boa) história deste homem, com quem tenho uma relação cordial, é um instante de escrita:

- fez-se gente a pulso e em Lisboa e carreira na função pública. Cultivou-se.

- um dia quis ser profeta na própria terra. Correu mal. Tão mal que na noite da derrota nem apareceu…

- nem desapareceu. Sem nunca deixar de ser Daqui (de Avô) e do PS, chegou à Assembleia Municipal…

- onde Lopes foi protagonista de uma destituição sem antecedente…e empurra Rodrigues Gonçalves para Presidente!

- com eleições à porta pede a confiança do PS local! O PS disse não. Saída? Sair. Ir.

Tal como na fita sobre Button, tudo na vida política de Gonçalves “é ao contrário”. Nem isso o impediu, na hora do anúncio, de exibir uma elegância ímpar - diz que continua a ser de Oliveira do Hospital, de Alexandrino, do PS. Não reclama, não cobra, não clama.

Ninguém pareceu valorizar muito tanta grandeza e tanto saber estar: sem sangue, sem lágrimas, sem ira, sem drama, sem ajuste de contas, sem ameaças. Tudo dito sob a mais absoluta tranquilidade, elevação e naturalidade. Impressionante. Será Gonçalves deste mundo?

Rodrigues Gonçalves há muito que é figura de destaque no concelho e na região com os seus escritos (o último livro foi dedicado à Filarmónica de Avô)) e recentemente tem dado a conhecer a sua faceta de “especialista” em inteligência emocional - uma espécie de Augusto Cury das Beiras - na Rádio Boa Nova e nas redes sociais.

Num recente “post” de Rodrigues Gonçalves, subordinado ao tema “aprenda a viver com a crítica”, está estampado o seguinte provérbio:

“nunca discutas com um cabotino, ele leva-te (baixa-te) para o campo dele e vence-te pela experiência.”

Alguém no PS de Oliveira do hospital terá lido isto?

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 20 de Julho de 2017)

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publicado às 19:53

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Ai o cartaz!

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Não o fez. Não se faz.

 

(Cristina perdeu. Aguentou-se uns dias. Desapareceu.

Cristina perdeu. Pouco tempo depois partiu. Não cumpriu.

Ainda 2015 começava e Cristina Oliveira anunciou que se ia ausentar. O bilhete era de ida e volta. Não voltou.

Em 2013, na noite da dolorosa derrota, Cristina, a única eleita do PSD e da oposição, prometeu cumprir o mandato até ao fim, mas o fim da Cristina foi muito antes do fim do mandato.)

 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Tudo? Que tudo era esse que o vento num instante levou?

 

(Cristina, com quem conversei em público e em privado, é uma mulher culta, bem formada, com pensamento estruturado e bem reputada no que faz no Ministério da Educação.

Como é que uma mulher assim se perdeu no meio de tudo e deixou tudo de Oliveira? Cristina tirou-se de Oliveira, tirou Oliveira de si própria, exceto ao assinar: Oliveira está-lhe no nome!

Era fácil gostar de Cristina. Eu gostei. Mulher bonita, com saber estar, vincada, com ar distinto: ainda que sendo da gente parecia ser diferente. Não o foi.)

 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Era só dar tudo, Cristina. E estava tudo bem, a fazer o mandato todo. Na oposição, com o coração…por Oliveira.

Ao ter ido, ao ter partido, ao ter fugido, perdemos todos. O Concelho, o PSD, os que querem na política acreditar, os que em Si foram votar. 

- Tudo por Oliveira, Cristina?

Só no cartaz.

 

Vitor Neves 

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Julho de 2017)

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publicado às 23:46

Todos contra Um.

08.06.17

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O Poder não mata. Desgasta.

Alexandrino, o Presidente, sabe? Sabe. Mas não quer saber.

O PS sabe? Sabe. Mas não há nada a fazer.

O Homem que está no Poder em Oliveira do Hospital há quase 8 anos, gosta de mostrar que é independente, do PS e da política. E nestes dias de (pré) campanha, falta-lhe manha. José Carlos Alexandrino não é assim.

O também Homem forte da CIM, gosta de fasquias altas, de riscos grandes, de desafios disputados, de impossíveis pouco avisados. Não faltam exemplos: a Estrada, os Médicos, a ESTGOH…e agora a (re)Eleição. José Carlos Alexandrino é assim.

Alexandrino quer ganhar e já disse como quer ganhar: com mais votos do que da última vez, isto é, com um novo “record” de votos. Mais de 8 379 votos… e talvez até sonhe com um 7-0!

O atual Presidente podia não o dizer, ou não o dizer como o diz, mas disse, mas diz.

As eleições autárquicas em Portugal americanizaram-se. O partido conta pouco e as equipas pouco contam. O candidato a Presidente é a cara e o nome da candidatura. Está no cartaz. Está em cartaz.  

Em Outubro, Alexandrino tem tudo para ganhar. E muito para perder.

Pode perder votos.

Pode perder mandatos.

Pode perder-se, se perder a maioria!

E qual a razão para tanto poder perder? O usufruto do Poder.

Todos os candidatos da Oposição vão ter muito para dizer sobre como Alexandrino usou o Poder. Ainda “a coisa” está a começar e já se percebeu que os adversários não vão ser nada dóceis, nada.

Bem vistas as coisas, Albuquerque e Alves, pouco ou nada podem perder. Ganhar para Eles pode ser perder por pouco ou, pelo menos, por menos. Não foram Poder e sempre podem reivindicar o estatuto que a dúvida confere: com Eles no Poder é que era Fazer.   

Alexandrino tem sido protagonista de um discurso pouco político, talvez demasiado autêntico, talvez um bocadinho ingénuo, talvez demasiado emocional. Alexandrino não tem escola de “jota”, o que se nota.

E ainda falta aqui um “como se sabe”. Sim, como se sabe, o usufruto do Poder também ajuda muito a preguiça da democracia, a abstenção: O Homem vai ganhar. Nem é preciso ir votar. E assim se podem perder votos…

Alexandrino podia ter dito que ganhar é ter mais um voto que o adversário, ou qualquer coisa neste registo! Mas, não! Ele quer isto assim, com sal, com provocação, com emoção. E haja coração.

Uma certeza Alexandrino já deve ter: a campanha vai doer.

 

Vitor Neves

(publicado no jornal Folha do Centro, 6 de Junho de 2017)

 

 

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publicado às 23:25

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Podemos Acreditar.

Podemos não Acreditar.

Não devemos Ignorar.

Cem anos depois, Fátima é isto. Isto é ser simples, sem ser simplista. Fátima é um tema tão vasto, tão rico, tão cheio, tão insolúvel, tão inconclusivo, tão escrito, tão falado, tão vivido, tão apropriado, tão presente, tão inacabável, tão inabarcável, que nos obriga a ser peregrinos do nosso ser individual e construir o nosso caminho…para chegar lá.

Fátima, tendo fé na razoabilidade do individual de cada um de Nós, não nos permite seguir maiorias ou manadas, quer sejam do tipo antifatimismo, quer sejam do tipo apologético.

São inúmeras as visões sobre Fátima. Aliás, tantas, que até as Aparições são por muitos assim designadas: Visões.

Mas o caminho de Fátima não deve ir por aqui. Como bem diz Luís Filipe Torgal (o livro “O Sol Brilhou ao Meio-Dia. A criação de Fátima.” é de leitura obrigatória e interpela-nos de uma forma séria e fundamentada): “discutir o problema da autenticidade/falsidade das aparições…será sempre estéril, porque inconclusivo, e propício aos mais diversos exercícios especulativos” (Público, 12 Fevereiro de 2017).

São vários os que anunciam que explicam definitivamente o fenómeno Fátima. De forma concludente e inatacável, esse milagre, nunca aconteceu…desde o tempo de Manuel Nunes Formigão.

Resulta daqui o formigueiro que nos inquieta. Neste caso, talvez seja um perdoável abuso de escrita dizer: o formigão que Fátima nos provoca. É estúpido ignorar. E nada inteligente ser indiferente.

Fátima nunca foi fácil. O Dr. Formigão, o homem-Fátima, demorou oito anos (!!!) a elaborar o inquérito…que “oficializou” Fátima!

O formigão que Fátima espalhou por milhões e milhões de pessoas é de tratamento individual e exige uma componente elevada de tolerância e respeito, de todos para com todos, incluindo ateístas.

Parece evidente que o formigão de Fátima aumenta de intensidade, porventura dispensável, com segredos, milagres, promessas, canonizações, feiras de mau gosto, exibições arquitetónicas e outras. Veja-se a este propósito, o terço gigante, a última obra de arte (???) de Joana Vasconcelos, que vai ser iluminado na noite de 12 para 13 de Maio, durante as comemorações dos 100 anos.

Pode ser que a visita do Papa Francisco nos ajude a controlar o formigão. Ou não.

Talvez seja este o grande milagre de Fátima: um formigão eterno.

Vitor Neves

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 9 de Maio de 2017)

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publicado às 21:22

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“Há ignorantes que falam de Beethoven sem nunca ter visto um quadro dele!”

Fonte: redes sociais.

 

Esta sublime definição de cocktail de ignorância com pedrinhas de gelo de atrevimento, refrescou-me a minha sempre boa relação com uma boa fatia de suprema ironia.

A ignorância irrita-me e o atrevimento dela resultante assusta-me. Todos os dias vivo na utopia de esmagar a ignorância, a minha e a dos outros, é a minha obra inacabada, enfim, é o lado Gaudí da minha vida.

Vem isto a propósito de duas frases que muito tenho consumido ultimamente. Sim, metem-se comigo. Vamos a elas. Por ordem.

1ª “Portugal está novo.”

É falso e dizer isto em registo generalista revela ignorância, atrevimento e auto-conforto.

- Portugal está velho.

Assim mesmo, sem paninhos quentes, no osso, outra vez: Portugal está velho!

As estradas podem ser recentes, as casas modernas e os carros novos, mas as pessoas estão velhas. Os nascimentos andam pela hora da morte, e a morte chega cada vez mais tarde. O limite médio de vida em Portugal já vai nos oitenta anos!!! Ora, assim vamos ser cada vez menos e cada vez mais…velhos! Um país com este problema demográfico – e Portugal é um dos casos mais sérios da Europa – de novo tem pouco! E daqui a pouco, até o que hoje parece novo vai ficar velho, incluindo as estradas, as casas e até os carros.     

2ª “O Interior tem tudo.”

Nesta frase a ignorância e o atrevimento manifestam-se untados de brilhantina.

Vamos dar de barato que o “tem tudo” nunca existiu e não existe, mormente quando o “tudo” de hoje é “nada” amanhã.

Sim, é verdade que o Interior de Portugal hoje oferece condições para que as pessoas possam usufruir de uma qualidade de vida ímpar. Há só um tudo-nada que falta: PESSOAS.

Pois é! O Interior está a ficar sem gente, sem pessoas. E se Portugal está velho, o Interior está caquético!!!

(desculpem, é preciso escrever isto assim, de forma bruta, para que se entenda que é dramático)  

Se faltam pessoas, falta tudo.

O texto acaba aqui. Segue a esperança… de nem uma única pessoa o ter lido, no modo de quem vai ao Google procurar fotografias dos quadros de Beethoven.

 

(publicado no jornal Folha do Centro, 7 de Abril 2017)

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publicado às 23:50


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